10/1/2010
Jalapão

O Jalapão, localizado do estado do Tocantins (a 300km da capital Palmas), é um lugar cheio de curiosidades. Conhecido como o "deserto brasileiro", o Jalapão recebe seus visitantes com suas belas dunas de areias, nascentes de águas borbulhantes, imponentes chapadas e com a beleza reluzente do capim dourado.


A região do Jalapão faz fronteira com os estados da Bahia, Piauí e Maranhão e durante muitos anos foi uma ilustre desconhecida dos turistas. Talvez seja por isso que até hoje a infra-estrutura é péssima, com pouquíssimas (e muito ruins) opções de hospedagem e restaurantes. As "civilizações" mais próximas ao Jalapão são os municípios de Mateiros e Ponte Alta, este último é o portal do Jalapão.


Cerrado, Dunas e Chapadas...Jalapão.

Foto: Idilio Vieira

 

Mas para nós isso não é problema! Quanto mais capenga e improvisada a estadia, mais nos sentimos ambientalizados com o povo e a cultura local. O que nos atrai é o visual da natureza, não o paisagismo artificiais dos hotéis! Por isso que para nós o Jalapão é um oásis!

 

As trilhas que nos levam aos atrativos locais variam entre um areião fofo e uma terra avermelhada que levanta uma poeira brava. Ao lado sempre a vegetação típica da região do cerrado, um capim rasteiro, solo árido, algumas chapadas despontam no horizonte... e está formado o cenário típico do Jalapão!


''Tomatinha puxando o carro que estava atolado.                                                                                             Foto: Idilio Vieira


A Cachoeira da Velha é uma surpresa em meio a tanta aridez. Um incrível volume de água, numa queda de 20m de encher os olhos! A paisagem se altera bruscamente e nos faz esquecer que estamos no deserto. Assim também é na Cachoeira da Formiga. A composição de minerais presentes na areia torna a água azul, azul como se fosse uma piscina azulejada. Coisas do Jalapão!


Cachoeira da Velha

Foto: Idilio Vieira


Cachoeira da Formiga.

Foto: Idilio Vieira

 

Os Fervedouros, nascentes na areia de águas cristalinas e borbulhantes, nos proporcionam uma sensação incrível! Quando mergulhamos nos lagos formados pelas nascentes, logo somos lançados para a superfície... a água faz com que as pessoas flutuem! Uma experiência inesquecível.


Fervedouro.

Foto: Idilio Vieira

 

Fomos, ainda, visitar o bairro de Mumbuca, onde está situada uma comunidade muito carente, que se sustenta com o artesanato produzido a partir do capim-dourado. São peças simples, bastante rústicas, mas feitas com este material "sagrado" da região e do suor desses sertanejos. No local, as peças podem ser adquiridas por preços bem convidativos. Percebe-se que ali o intuito é vender e ganhar para o próprio sustento dos artesãos e da cooperativa que eles próprios administram.

 

Crianças do Jalapão, bairro Mumbuca.

Foto: Idilio Vieira


O absurdo é chegar na capital Palmas e ver as mesmas peças custando cinco ou seis vezes mais. Uma bolsa pequena que se compra por R$25,00 na comunidade, em Palmas não é vendida por menos de R$150,00. Quem seria o intermediário que lucra tanto às custas das mãos das senhoras e crianças artesãs de Mumbuca ?? Revoltas à parte, vale a pena conhecer a comunidade, passar uma tarde com a garotada e fomentar o comércio local adquirindo algumas peças deste material tão valioso na natureza e de beleza ímpar.


Capim Dourado.

Foto: Idilio Vieira

 

No Jalapão também há dezenas de pequenas e aconchegantes praias de água doce, sempre rasas e de águas calmas, que caem bem depois de algumas dezenas de quilômetros de terra vermelha e areião pesado. Cuidado com as praias de fácil acesso, pois tudo que é fácil para chegar atrai gente, e a aglomeração de pessoas torna qualquer lugar barulhento e chato. O conselho é evitar atalhos, seguir pelo caminho mais difícil, pois a recompensa é chegar num lugar tranqüilo, silencioso e limpo, onde se pode contemplar a natureza, meditar, fotografar, absorver o melhor do local para manter na mente todas essas paisagens inesquecíveis e as maravilhas do nosso deserto brasileiro.


Idilio e Zé Carlinhos na praia de água doce.

Foto: Osvaldo Kashino


Texto: Renata Oliveira

Confira mais fotos do Jalapão em nosso FLICKR.

15/12/2009
Pico dos Marins, 2420m.

 

Essa aventura começou por acaso, numa tarde de sábado em que Artur navegava pela internet e se deparou com o twitter do Eliseu Frechou perguntando se "alguém estava a fim de fazer um bate e volta no Pico do Marins". Artur rapidamente contatou "as bases" para checar se podia aceitar o convite do Eliseu, que não conhecia o Pico e precisava de alguém que conhecesse o caminho para guiá-lo até lá. Topei, topamos e caímos na estrada!

 

O Pico dos Marins é a montanha mais alta do estado de São Paulo com 2420m e fica na Serra da Mantiqueira, divisa com Minas Gerais. A região é deslumbrante!

 

E foi por isso que saímos de casa às 4h da manhã, enfrentamos o sono e a chuva na estrada para estar neste lugar incrível, na companhia do casal Eliseu e Beth Frechou, que tornaram a roubada mais agradável! Encontramos a dupla animada às 6h da manhã, na saída 51 da Via Dutra, entrada para o município de Piquete - SP. Seguimos uns 20 Km por uma estradinha de interior, asfaltada mas de curvas perigosas, e mais 20km por Estrada de terra, seguindo sempre sentido "bairro dos Marins". Nosso destino era o Acampamento Base Marins, onde encontramos o Milton, grande figura que é o guardião da trilha.


A montanha vista da estrada, sempre em destaque.

Foto: Artur Vieira

 

Começamos a caminhar às 07h30, com o tempo fechado, muita névoa, mas tínhamos esperança de que o tempo pudesse abrir no decorrer da trilha. A trilha começa em mata fechada, depois segue numa estradinha de terra que passa pelo Morro do Careca, 1808m, e logo dá início aos trepa-pedras e campos de altitude que vai nos levar ao pico. E bota trepa-pedra nisso! Foram 4 horas de perrengue até próximo ao cume, com algumas paradas para recuperar o fôlego e fazer fotos. Mas a vista não era muito animadora...


Beth caminhando no trecho de mata fechada.

Foto: Artur Vieira

 

Tempo sempre fechado, Beth, Renata e o Snoopy.

Foto: Artur Vieira


Sobe...sobe e sobe...

Foto: Artur Vieira


Alguns trechos mais delicados como as "escalaminhadas" injetavam uma boa dose de adrenalina.

 

Uma presença importante no trekking foi o Snoopy - nome que o Eliseu deu ao beagle do ''Miltão'' que nos acompanhou o tempo todo. Ele era valente nas subidas, mas na hora de descer um trecho mais complicado o cãozinho travou e tivemos que ajudá-lo a passar o crux.

 

Infelizmente, ao chegarmos a uns 200m do cume a chuva apertou e não conseguimos encontrar a trilha que segue por uma rampa de pedra! A chuva veio com vontade e fez com que o grupo tirasse das mochilas os anoraks (casacos impermeáveis que protegem da chuva e do vento) que são produzidos com cada vez mais tecnologia, mantendo o cidadão seco e aquecido mesmo debaixo de chuva pesada.

 

A chuva também traz alguns riscos na montanha: alto risco de raios por ser uma área descampada, as rochas ficam lisas, as vegetações nas rochas se soltam e tudo fica propício para um escorregão ou até uma queda mais séria. Por isso, prudentemente resolvemos voltar e deixar para outro dia a ascensão ao Pico dos Marins. A volta também seria complicada, pois o nevoeiro estava cada vez mais denso, o que dificulta muito a navegação. A solução foi consultar o GPS que ajudou a encontrar a trilha de volta. Às 16hs estávamos de volta no acampamento base e fomos recebidos com um delicioso chá quente adoçado com mel, que o Miltão carinhosamente ofereceu ao grupo.


Descida delicada.

Foto: Artur Vieira


Estar na montanha traz sentimentos contraditórios aos seus freqüentadores. Tem hora que a gente pensa "o que eu estou fazendo aqui???", mas é só o tempo abrir e os vales maravilhosos se apresentarem que todo o cansaço e stress dão lugar a uma sensação de liberdade e conquista que só quem tem o pique de encarar 9 horas de caminhada, num dia de chuva, é capaz de descobrir. Ainda mais hoje em dia que pessoas passam mais tempo viajando e discutindo através da internet e poucos deixam a zona de conforto para entrar no perrengue.


A galera depois da roubada..Beth, Eliseu, Negão, Milton, Renata e Artur.

Foto: Snoopy


Mas para que vocês conheçam a região, aqui vão umas fotos que o Artur fez numa outra ocasião, em que ele e o grande Fernandinho fizeram a travessia Marins - Itaguaré, em 2 dias de caminhada. Os dois tiveram sorte, com direito a pôr-do-sol, vales descobertos e tudo mais.



Pico dos Marins, 2420m.
Foto: Artur Vieira


Itaguaré ao fundo com 2308m.

Foto: Artur Vieira


Acampamento no cume do Marins.

Foto: Artur Vieira



Visual durante a travessia.
Foto: Artur Vieira


Aqui você pode conferir algumas fotos no blog do Eliseu!
Confira mais fotos em nosso FLICKR!
Texto: Renata Oliveira

16/11/2009
Serra do Cipó

Uma trip para a Serra do Cipó! Foi para lá que decidiram ir Idilio, Mauricio e Mineiro. Depois de vários dias de stress em seus trabalhos resolveram dar uma pausa e seguir para o "Cipó''.

 

Saíram de São Paulo e a primeira parada foi em Belo Horizonte-MG para encontrarem o Highlander,  o cara que guiou a expedição pela Serra.

 

De BH rumaram em direção ao Parque Nacional, acamparam próximo à portaria do parque e no dia seguinte começaram a viagem pra valer, buscando o primeiro objetivo: fotos na estátua do Juquinha.


Primeiro acampamento regado á vinho portugês.
Foto: Idilio Vieira.

 

Juquinha foi um lendário personagem da Serra do Cipó, andarilho que lá morava e presenteava os visitantes com flores. Em troca acabava ganhando alguns utensílios domésticos e até mesmo comida. Em 1987 ergueram a estátua para materializar a memória desse figura, eternizando o grande Juquinha.


Parada para foto no Juquinha.

Foto: Highlander

 

Vale lembrar que o caminho que vai até o Juquinha é muito bonito e segue subindo montanhas, onde foram feitas algumas fotos. Depois do glorioso encontro os viajantes seguiram para o Parque Nacional da Serra do Cipó, onde não é permitida a entrada de carros. Sendo assim, a alternativa foi irem de bicicleta.


Rios Cristalínos

Foto: Idilio Vieira


Começo do passeio, ainda bem dispostos.

Foto: Idilio Vieira


Foram 28km de pedal, o que já é demais para quem não tem um certo preparo! Mas valeu a pena cruzar alguns rios de água cristalina, mergulhar na Cachoeira da Farofa e admirar o canyon das andorinhas. O passeio levou o dia todo, voltaram quando a noite caía.


Cachoeira da Farofa

Foto: Idilio vieira


No dia seguinte encontraram um outro guia e fizeram um trekking de duas horas para chegar na Cachoeira Grande. Passaram também pela Lapinha, que é uma região cheia de pedras...muito doida!



Cachoeira Grande
Foto: Idilio Vieira



Região da Lapinha
Foto: Idilio Vieira


Saíram da região da Lapinha de noite e encontraram um casarão centenário. Ao pedirem informações sobre a construção o dono os convidou para pernoitarem por lá e eles, claro, aceitaram.

 

Na sequência adentraram no povoado chamado Tapera, onde passaram a noite na fazenda Escadinha. Tapera é um povoado que parece ter parado no tempo e o que as pessoas mais utilizam como meio de transporte são os animais.


Povoado Tapera

Foto: Idilio Vieira



Tomando cachaça e fumando um ''paião'' na fazenda escadinha.

Foto: Idilio Vieira


Região de Tapera.

Foto: Idilio Vieira

 

Do Tapera foram atrás da Estrada Real, para conhecer a famosa Estrada que foi traçada no século XVII com intenção de transportar o ouro e diamante extraído na cidade de Diamantina e região para a cidade de Paraty - RJ, de onde embarcavam para Portugal. A Estrada que permanece viva até hoje começa em Diamantina - MG e termina em Paraty - RJ, uma ótima viagem para quem quer saber mais sobre Brasil Colonial.


Ponte na Estrada Real

Foto: Idilio Vieira


Passaram por Cerro e depois foram para Milho Verde, onde almoçaram na casa de Dona Benta e tomaram uma cachaça artesanal. Dona Benta conta que esta cachaça tem do tipo feminino e masculino e que a sua mãe com 99 anos ainda toma da cachaça!



Cidade de Serro
Foto: Idilio Vieira

 

De Milho Verde rumaram para Diamantina, onde ficaram por dois dias conhecendo a região e tiveram tempo suficiente para abastecer a caçamba do jeep de cachaça e queijo-minas.

 

Em Diamantina terminaram a expedição e de lá foi pé no acelerador e voltar para a Real. não a Estrada Real! Mas sim para a REAL do trabalho, encarar a dura realidade do dia-a-dia em São Paulo.


Aqui abaixo segue uma seção de fotos, Retratos do Cipó.


Infância no alto da serra.

Foto: Idilio Vieira


Forró em Tapera.

Foto: Idilio Vieira


Produção de queijo minas.

Foto: Idilio Vieira.


Moradores de Tapera.

Foto: Idilio Vieira.

 

Garotada pegando lenha para o fogão.

Foto: Idilio Vieira



Morador da região de Tapera.
Foto: Idilio Vieira



Bar típico da região.

Foto: Idilio Vieira


O Cavaleiro do Tabauleiro.

Foto: Idilio Vieira


Confira mais foto em nosso FLICKR.


Texto: Renata Oliveira e Artur Vieira.



7/10/2009
Patagônia


Essa viagem foi realizada em dezembro de 2005. A idéia seria chegar ao ''Fim do Mundo'' passando por belos lugares como Península Valdez, Punta Tombo, El Chalten, Torres Del Paine e tantas outras localidades incríveis no extremo sul do continente.

 

Dia 22 de dezembro pegamos a estrada e já sabíamos que em Ushuaia (cidade mais austral) estava chovendo e que ainda tínhamos que percorrer sete mil quilômetros para chegar lá.

 

Seguimos para o sul do Brasil, dois dias de estrada até a cidade de Uruguaiana onde cruzamos para a Argentina. Ainda faltavam quatro mil quilômetros até Ushuaia, mas para quebrar o clima de estrada fomos parando em vários lugares lindos e  o primeiro foi Península Valdez.


Península Valdez

Foto: Idilio Vieira

 

Para chegar em Puerto Madryn, cidade apoio para visitar a península, fomos pela Ruta 3. Península Valdez é uma região tombada pela UNESCO e o local escolhido para a reprodução das baleias francas. Além delas é possível ver lobs marinhos, orcas,  pingüins e outras aves marinhas, e também alguns animais terrestres como raposa, guanaco e Mara.

 

Para conhecer a península recomendo várias épocas do ano. De junho a dezembro é a época em que chegam as Baleias Francas para reprodução e também dão um baita show. As Orcas chegam entre fevereiro e maio; os pingüins entre setembro e março e os lobos marinhos e golfinhos podemos observar durante o ano todo.

 

Ficamos apenas um dia passeando pela região e assistindo a vários show dos lobos marinhos.


Lobos Marinhos

Foto: Idilio Vieira

 

Depois de passar pela península seguimos para Punta Tombo, localizado a 180km de

Pto Madryn.

 

Em Punta Tombo fomos observar bem de perto a pinguinera, chamados de Pingüins de Magalhães ou conhecidos também como pingüins do sul. Eles têm altura entre 50 e 70cm e pesam cerca de 5kg. Começam a chegar em Punta Tombo no mês de setembro, em outubro as fêmeas chocam seus ovos, em novembro nascem os filhotes e no começo de abril completam o ciclo e vão embora para as águas geladas.

Eles são muito lindos e a vontade que temos é de pegar um no colo, apesar de ser proibido tocar neles! Mas cuidado ao chegar muito perto, pois pode levar umas bicadas...


Punta Tombo

Foto: Idilio Vieira

 

Continuando pela Ruta 3 saímos de Pto. Madryn e fomos conhecer o Monumento Nacional Bosques Petrificados.

 

Há cerca de 150 milhões de anos a região era composta por uma fauna muito diferente de hoje, tinham bosques, bastante vegetação e árvores gigantes com cerca de 100m.

Passaram os anos, com o processo natural de evolução da terra e a erupção de vários vulcões essas árvores caíram e foram cobertas pelas cinzas de vulcões e depois sofreram infiltrações de águas das chuvas e mais ações do tempo... ao final, elas praticamente viraram ''pedras''.


As arvores petrificadas.

Foto: Idilio Vieira

 

Continuamos na mesma rodovia até chegarmos à fronteira com o Chile. Rodamos mais um pouco e chegamos ao famoso Estreito de Magalhães, passagem natural do oceano Atlântico para o Pacifico. Foi cruzado pela primeira vez em 1520 pelo português Fernão Magalhães que dava a volta ao mundo de barco. Sua expedição acabou em tragédia nas Filipinas. Essa era a única passagem pelo continente de um oceano para o outro até que foi aberto o Canal do Panamá, que deixou o estreito esquecido por um bom tempo até que Francis Drake usou como esconderijos para seus ataques. Outro que passou por lá foi Charles Darwin. Hoje podemos cruzá-lo em um ferry-boat, mas a travessia do estreito é considerada difícil.


Estreito de Magalhães

Foto: Idilio Vieira

 

Rodamos mais um pouco ainda em terras chilenas e logo voltamos para a terra de nossos ''hermanos'' entrando novamente pela Ruta 3 e chegamos finalmente a cidade mais austral do mundo, Ushuaia.


Cidade de Ushuaia.

Foto: Idilio Vieira

 

Por lá fizemos passeios pela cidade, trekking em uma estação de esqui e fomos conhecer o Parque Nacional Terra do Fogo, onde chegamos na ''ponta'' do continente e também avistamos dentro do parque alguns castores canadenses e coelhos que foram introduzidos pelo homem.

 

Após alguns dias de passeio pela cidade e  termos descansado da estrada - pois já estávamos passando dos 7000km rodados - continuamos nossa viagem pela Patagônia e voltamos ao Chile, estávamos indo para o Parque Nacional Torres Del Paine.


Entrada do P N Torres Del Paine.

Foto: Idilio Vieira.

 

Dentro do parque acampamos por duas noites e a primeira delas foi terrível, chegamos às 22h no camping e já estava escuro, muito frio e vento... com muita luta conseguimos montar as barracas e nos abrigar. No dia seguinte fizemos um passeio ao redor das imponentes torres de granito e depois voltamos para o camping para mais um dia de barraca e bastante vento e frio, mas sempre tudo isso vale muito a pena!


As torres de granito.

Foto: Idilio Vieira

 

Cachoeira gelaaaaaddaa!!!

Foto: Idilio Vieira


De Torres Del Paine voltamos para a Argentina, agora seguindo pela Ruta 40, fomos para  El Calafate, cidade pequena bem ajeitada e bonita, com muitas agências de turismo e opções de passeio pela região.

 

De lá fomos conhecer o Parque Nacional Los Glaciares, um dos maiores parques da Argentina. Nessa primeira ida ao parque fomos para a região sul e visitamos o Glaciar Perito Moreno, leva este nome em homenagem ao explorador da patagônia Francisco Moreno. Esta é certamente a geleira mais conhecida da região e a terceira maior área de gelo do planeta.


Glaciar Perito Moreno.

Foto: Idilio Vieira


Depois de visitar Perito Moreno voltamos para El Calafate e fomos para a outra parte do parque, para o norte.

 

Rodamos 220km por estrada de ripio para o povoado de El Chalten e lá podemos admirar o lindo Fitz Roy. O povoado é conhecido como a Capital Nacional do Trekking e também a Meca de escaladores que vão escalar as montanhas da região.

Passeamos dois dias pela região e dessa vez optamos por ficar em um albergue no povoado.


Povoado de El Chalten.

Foto: Idilio Vieira


Fitz Roy

Foto: Idilio Vieira

 

De El Chalten seguimos pela Ruta 40 até a cidade de Esquel, esta rodovia é sem dúvida a mais bonita da Argentin! Ora rodamos em asfalto, ora em ripio, mas sempre admirando belíssimas paisagens.

 

Em Esquel nosso interesse era conhecer o Parque Nacional Los Alerces.

Os Alerces são árvores milenares que chegam a dois mil anos de idade e também gigantes com até 60m de altura e 4m de diâmetro. Parte do parque é inacessível para visitação, pois esta espécie está em extinção. O parque é pouco visitado por turistas mas é um ótimo lugar para cavalgada e trekking.


Um dos Alerces, sempre gigantes.

Foto: Idilio Vieira

 

Saímos de Esquel rumo a San Carlos de Bariloche. Por lá visitamos alguns cerros, lagos e conhecer um pouco a cidade - que não é muito a nossa cara, mas já que estávamos tão perto não custava a visita.


Região de Bariloche

Foto: Idilio Vieira

 

De Bariloche começamos nossa volta para o Brasil, paramos em Missões, no Rio Grande do Sul, para conhecer as ruínas Jesuíticas e depois voltamos para São Paulo.



Ruinas Jesuíticas.

Foto: Idilio Vieira.


Foram 31 dias de estrada e muita diversão. Realmente essa região extrema da América do SUL tem muito de se orgulhar pelas belezas e encantos de sua natureza. Quem tem a oportunidade de ir não pode perder jamais!


Para viagens pela América do Sul, fica aqui uma dica: O Guia Criativo do Viajante Independente, fala sobre todos os paises dando opções baratas e caras apara restaurantes e hospedagem, opções de transporte e muitas informações.


Abaixo algumas fotos panorâmicas cedidas pelo nosso amigo Osvaldo Kashino que sempre viaja conosco.


Parque Nacional Torres del Paine


Peninsula Valdez.


Lago no PN Torres del Paine.


Punta Tombo.


Pampas - Argentina.


Glaciar Perito Moreno.


Fitz Roy.


Para ver mais fotos desta expedição acesse nosso FLICKR.


Texto: Artur Vieira

21/9/2009
Dia mundial sem CARRO


Este vai ser um post atípico, diferente dos demais, mas resolvemos
encaixa-lo aqui pela importância do tema. Vamos falar um pouco do uso da
bicicleta como meio de transporte.

O dia mundial sem carro teve sua primeira edição em 1997 na França e depois
mais algumas cidades e outros paises da União Européia aderiram a idéia e
foi se espalhando pelo mundo todo. Em 2001 já passavam de 1600 cidades
participantes.


Bicicletada na Av. Paulista

Foto: Artur Vieira


A cada dia que passa mais pessoas estão aderindo à bicicleta como meio de
transporte, seja como alternativa ou principal meio de transporte. Um dos
fatores que levam pessoas a utilizarem a bicicleta é o trânsito e caos que
temos na cidade grande e, de quebra, temos uma sensação de liberdade
inigualável, um ''up'' em nossa saúde e não poluímos o meio ambiente.

Segundo relatório apresentado pela Universidade Alemã de Desporto, andar de
bicicleta fortalece o corpo e a alma e pessoas que usam bicicleta com
freqüência poupam muitas visitas ao médico.

Hoje em dia já tem bicicletários em varias estações de metrô e, inclusive, é
permitido andar com as bikes nos vagões indicados em alguns horários e dias
da semana. Domingos e feriados, por exemplo, é liberado quase o dia inteiro.
Aos poucos vamos ganhando espaço.

Em São Paulo estima-se que cerca de 300 mil pessoas utilizem bicicleta como
meio de transporte e que a frota de motorizados (carros, motos, ônibus...)
já ultrapassou o assombroso número dos 6 milhões.


Existem leis que protegem o ciclista e o pedestre mas nunca são cumpridas. A
cada 4 dias morre 1 ciclista em São Paulo. E todos dias morrem 4 pedestres.
É alarmante! No começo deste ano a CET disse que iria passar a cumprir as leis

que protegem os pedestres ditas no CTB ( Código deTânsito Brasileiro) até ai OK!

O único problema é que o CTB está em vigor há 11 anos e, apenas agora,

a CET promete cumprir suas regras em relação aos pedestres e ciclistas.

Com isso podemos ver tamanha competencia da CET que em vista de muitos mais

atrapalha do que ajuda na fluidez do transito de São Paulo.


Nós já adotamos a bicicleta como meio de transporte e as vezes cortando
a cidade de norte a sul. E tenho notícia de que alguns amigos, sempre que podem,

substituem o carro pela bicicleta ou por caminhadas.

São muitos os benefícios dessa troca!

Temos medo, no entanto, de avançar em nossos roteiros. A cidade é
perigosa!!! Os ciclistas, por mais que se cubram de luminosos e roupas
coloridas, são invisíveis em meio ao asfalto cinza.

É... Na verdade, não são não!

Mas a visão dos motoristas paulistanos é tão obtusa, que os impede de
enxergar meios alternativos de transporte pela cidade. Estão sempre a se
SURPREENDER com  uma bicicleta, a xingar, a reclamar que "atrapalham" o
trânsito, mas ainda não começaram a RESPEITAR esse meio de transporte como
grande "salvador" do nosso trânsito sem-solução, que piora a cada dia.

E buzinam, e buzinam... não é fácil!

Nessa semana de conscientização fica aqui apenas um pedido para que
repliquem por aí o valor da bicicleta e comecem a respeitar esse meio de
transporte como elemento imprescindível numa sociedade moderna e inteligente
como a nossa pretende ser!

Mantenham distância segura das bicicletas!! Os ciclistas devem sempre andar
pela direita e na via! A calçada é dos pedestres, e respeitamos isso.

E aos que puderem, deixem o carro em casa amanhã!


Para saber mais sobre o movimento das bicicletas em sua cidade acesse o site da Bicicletada.org .



Quem vier ao Quioscão de bike nessa semana (22 de setembro) ganha 40% de
desconto!!


Texto: Renata Oliveira e Artur Vieira

31/8/2009
Carretera Transoceânica

A rodovia transoceânica, que liga o estado do Acre à costa do Pacífico no Peru, tem mais de 2000km por onde se trilha desde à mata densa da floresta amazônica até as montanhas das Cordilheiras. Seu ponto mais alto chega a 4780m de altitude e temperaturas que variam de 31oC durante o dia e até -5oC à noite.

À medida em que a estrada vai subindo a vegetação vai diminuindo, até chegar ao ponto em que não se vê mais nenhum verde e já estamos acima dos 4000m de altitude, sentindo o vento gelado dos Andes.


A primeira placa informando sobre a carretera.
Foto: Idilio Vieira
             

A estrada ainda está sendo asfaltada para atender ao fluxo de caminhões que vão do Brasil para o Peru, com fins de exportação saindo pela costa do Pacífico.


Trecho sendo asfaltado, começo da carretera. 
Foto: Idilio Vieira

Para ir ao Peru por esta estrada o mais indicado é ir de 4x4. Quando estiver pronta vai ser tranquilo percorrê-la com carros de passeio.

Foram 4 dias de estrada para chegar à cidade Assis Brasil, tríplice fonteira com a Bolívia e Peru. Chegando em Assis, passamos pela Polícia Federal, pela aduana e já estávamos no Peru.

Quando fomos carimbar os passaportes na Polícia Federal peruana, chegamos e não vimos ninguém. Era Natal. Mas eis que surge de repente um guarda, apenas de toalha e cantando alguma música romântica peruana...rsrs...

Foi um susto na hora, mas logo estava ok e ele nos atendeu assim mesmo, bem cômico, nós sendo atendidos por um policial apenas de toalha..rsrsrs... Essas coisas só vemos viajando pela América do Sul, mesmo.


Kashino quase caindo.
Foto: Idilio Vieira                                    

Nosso primeiro trecho no Peru não foi tão puxado, foram pouco mais de 200km em estrada de terra até a cidade de Puerto Maldonado. Para entrar na cidade é preciso atravessar o Rio Madre de Dios, afluente do Madeira, em uma balsa bem rústica.

As balsas não carregam muito peso, um carro mais umas 2 ou 3 motos e poucas pessoas, ao custo aproximadamente de U$1.00. Quando o Kashino foi sair da balsa, um susto! A balsa se mexeu e uma roda de seu jipe caiu fora da tábua e outra ficou a "meio fio". Na hora tomamos um susto e tivemos que puxar com o guincho do outro jipe.


Entrando na balsa do rio Madre de Dios.
Foto: Idilio Vieira

Pela manhã seguinte seguimos para a cidade de Mazuco, onde começamos a subir a rodovia Transoceânica. Chegamos na cidade por volta das 11hs e fomos almoçar. Encaramos um prato típico local que lembrava uma canja. O único problema é que fazia 31oC....

Ali ainda estávamos na Amazônia peruana, quando fomos seguir nosso caminho nos deparamos com uma barreira policial, pois a estrada estava fechada e fomos informados que só seria permitido rodas das 18hs às 6hs da manhã. Fora deste período eles estavam dinamitando algumas rochas à beira da estrada.


Atravessando um dos rios ainda na amazônia peruana.
Foto: Artur Vieira


Então só nos restava esperar por mais 5 horas até a liberação da pista, mas ainda tínhamos um outro problema: na fila já havia uns 10 caminhões a nossa frente que tivemos que ultrapassar, pois a velocidade deles é muito lenta. Tínhamos um cronograma mais ou menos montado, mas não sabíamos do bloqueio da estrada nem das más condições de Mazuco em diante, entã, foi tudo por água abaixo.


Na fila, esperando a liberação da pista.
Foto: Idilio Vieira

Saímos às 18hs e demoramos um tanto para atravessar os caminhões. Logo começou anoitecer. Conforme subíamos a mata diminuia até virar uma vegetação rasteira e quando passamos dos 3500m de altitude quase não víamos mais verde algum, e o mal da altitude começava a atacar, visto que não fizemos a aclimatação.

Às 20hs etávamos a 4777m de altitude, a temperatura abaixo dos 5oC e um vento muito gelado. Levamos um "balão de oxigênio" que foi útil, pois passamos muito mal. Rodamos bastante durante a noite e paramos em um povoado chamado Marca Pata, onde nos disseram que encontraríamos abrigo e combustível. O abrigo não encontramos, então compramos combustível e decidimos seguir até onde desse.


Marca Pata.
Foto: Idilio Vieira

Andamos mais umas duas horas e nenhum sinal de civiliazação. Encontramos um "acostamento" na pista e tentamos dormir ali. Só tentamos... pois foi impossível! Frio, falta de ar, desarranjos intestinais e até mesmo enjôo em agluns, eram os fatores que nos deram uma noite inquieta.


Local onde dormimos.
Foto: Idilio Vieira

Ao amanhecer vimos que estávamos em um lugar muito lindo, cercado de montanhas nevadas e também notamos que perdemos um belo visual no trecho que rodamos no escuro. Às 5h30 da manhã começamos a andar e quando o sol foi se levantando já começou a aquecer. Rodamos mais 1 hora e meia e chegamos a mais uma barreira, novamente teríamos que esperar mais algumas horas para continuar. Decidimos refazer um trecho que fizemos à noite para curtir o visual e não ficar parados.



Militares fiscalizando as estradas e o local onde tivemos que esperar novamente a liberação da pista.
Foto: Idilio Vieira

Depois de refazermos o trecho para fotografar, seguimos nosso caminho sentido Cuzco. Depois de mais algumas horas andando pelas partes mais altas começamos a descer.

Vimos muitos povoados e pessoas que vivem ali basicamente da terra. Ao conversar com os locais nos disseram que o que mais os sustentam para o trabalho na "roça" é a folha de coca. Isso mesmo! A folha de onde deriva a cocaína, que por sinal não causa mal nenhum, só o bem.

O trecho de Mazuco até Cuzco não é muito longo, com pouco mais de 700km. Mas o que consome muito tempo são as pistas estreitas, muitas curvas e a altitude, pois com ela o carro pena a trabalhar e em alguns lugares, dependendo das chuvas, tem até atoleiros. Mas vale o perrengue, pois sem dúvida é um lindo caminho a percorrer.

Chegamos em Cuzco por volta das 20hs, extremamente cansados, querendo apenas uma cama quentinha. Segundo um guarda nos informou, ao sairmos de Mazuco às 18hs chegaríamos em Cuzco entre 7hs e 8hs da manhã. Mas só conseguimos chegar 12 horas depois...

Confira mais fotos da Transoceânica em nosso FLICKR.

Texto: Artur Vieira

 

17/8/2009
Travessia Serra dos Orgãos

Localizada na região serrana do Rio de Janeiro, a Serra dos Órgãos é
considerada o berço do montanhismo no Brasil. Em 1932, uma brava expedição
composta de 8 membros do CEB (Centro de Excursionistas Brasileiros)
desbravou a vegetação e venceu as dificuldades do sobe-desce da serra e
atravessou os 34km da travessia, que parte da cidade de Petrópolis até
Teresópolis (ou vice-versa).

É uma travessia que se faz em 3 ou 4 dias, dependendo do ritmo do grupo.
Nós, Artur e Renata, concluímos tranquilamente em 3 dias e 2 noites. O Artur
já tinha feito a travessia em 2005 e eu pela primeira vez vivi a experiência
incrível de levar a casa nas costas. Cansativo, mas muito recompensador.
Começamos a travessia na sexta-feira, dia 07 de agosto. Partimos da entrada
do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, localizado no distrito de Itaipava,
às 11hs. Queríamos sair mais cedo, mas não tínhamos idéia de como era
complicado e longe chegar lá.

No primeiro dia levamos uma surra da montanha! Foram 8 horas de subida, sem
refresco. Às vezes eu pensava que a natureza cria certos obstáculos de
propósito, para não conseguirmos alcançar nossos objetivos, tamanha era a
dificuldade de alguns trechos. Ao final do dia, obviamente tivemos nossa
recompensa. Ao chegar nos Castelos do Açu (local do primeiro acampamento),
tínhamos uma linda visão do coração da Serra dos Órgãos.


Renata no primeiro dia com muita subida.
Foto: Artur Vieira


Castelos do Açu, 2158m.
Foto: Artur Vieira

Como chegamos em cima da hora do pôr-do-sol, não conseguimos preparar o
equipamento fotográfico em tempo, à altura do espetáculo. No entanto, para
compensar, fomos presenteados com uma noite de lua cheia maravilhosa.  A lua
iluminava a noite como um sol refrescante. Incrível!


Por da Lua e o lindo céu estrelado.
Foto: Artur Vieira

O 1º dia terminou dentro do planejado. Cumprimos o cronograma, a trilha era
batida e tranquila de seguir. Mas no 2º dia a coisa mudou de figura. No guia
em que nos orientávamos (além do GPS), já tinha o alerta de que a navegação
era difícil, apesar de ser o dia com as vistas mais lindas. Não deu outra. O
dia foi uma mistura de momentos de stress e perrengues com visuais
deslumbrantes da serra, quando já podíamos avistar o Garrafão, a Pedra do
Sino, Dedo de Deus e mais outras montanhas que compõem a Serra dos Órgãos.


Alguma montanhas bem famosas da região: Garrafão, Dedo de Deus, Dedo de Nossa Sra. e Escalavrado.
Foto: Artur Vieira

Ficamos cerca de 2 horas perdidos, sem trilha, nos guiando apenas pelas montanhas que estavam um tanto longes mas sempre imponentes.

Passado este tempo perdido conseguimos nos encontrar e fomos surpreendidos por um grupo de 3 pessoas que também estava perdido e acabou seguindo a travessia conosco. Resultado: não conseguimos concluir o roteiro do 2º dia como planejado, pois começou a escurecer e tivemos que montar um acampamento de emergência em meio à
ventania bem típica da região, mas de frente para a Pedra do Sino e o Garrafão, um visual lindo.


Um trecho em que estavamos perdidos.
Foto: Artur Vieira


Acampamento de emergência de frente para a Pedra do Sino e Garrafão.
Foto: Artur Vieira

Nesta noite não teve luar, ou melhor, não tivemos coragem de sair da barraca
para conferir, pois o vento era de assustar. Santa barraca, que nem se mexia
e nos manteve quentinhos e seguros durante a noite! Ficaram para o 3º dia os
trechos mais técnicos da travessia, as chamadas "escalaminhadas", trechos
que exigem a ajuda das mãos para serem superados (uma dose de noção de
escalada ajuda bastante). Tivemos que descer uma rocha bastante íngreme que,
inclusive, precisou da ajuda da corda dos nossos amigos. Depois tivemos que
subir o "cavalinho", uma sequencia de rochas encavaladas que também deu um pouco de trabalho.

Ao final do sobe-sobe chegamos, enfim, à Pedra do Sino, o ponto culminante da travessia e também do Parque Nacional (2.263m). De lá avistamos a baia de Guanabara e teve até carioca que enxergou o Cristo Redentor... sei não!!! Brincadeiras à parte, a vista da "Pedra do Sino" é de tirar o fôlego! Nem lembrávamos mais das cruéis subidas, da ventania para montar a barraca, do nervosismo na hora em que nos perdemos... tudo se apagou. Só restou aquela paisagem estonteante!


Renata e Artur no cume da Pedra do Sino, 2263m.
Foto: Artur Vieira

Andamos em média 8 horas por dia, durante os 3 dias da travessia. Chegamos
em Teresópolis no domingo, às 16hs. Carregamos nas costas mochilas que
levaram somente o mínimo necessário (a do Artur pesando uns 15kg e a minha
pesando uns 10kg), e anotamos em nosso diário de viagens mais uma aventura
que nos encheu de orgulho e, claro, vontade de ir cada vez mais longe,
chegar cada vez mais alto.

4/8/2009
Transamazônica

A BR-230, mais conhecida como Transamazônica, começou a ser construída
durante o governo do Presidente Médici (1969-1974) com intuito de ligar o
norte do país ao resto do Brasil e até mesmo ao Peru. A rodovia, que tem
pouco mais que 4 mil km, começa na cidade portuária Cabedelo, na Paraíba, e
cruza os estados do Piauí, Maranhão, Pará e Amazonas.

A viagem foi composta por apenas um jipe e três integrantes: Artur Vieira,
Idílio Vieira e Mauricio Soares. Saímos de São Paulo com destino a Porto
Velho (RO), percorrendo 3500km com muito buraco, estradas ruins e muita
carreta pelo caminho.

Todos ansiosos, pois nenhum dos três conhecia esta região do país, com
grande diversidade cultural e nos recebeu muito bem. Vamos à viagem!

Entramos na Transamazônica pela cidade de Humaita (AM), e logo recebemos a
notícia de que a malária estava atacando a região e deveríamos tomar
cuidado, principalmente no amanhecer e anoitecer do dia.


Foto: Idilio Vieira
Mauricio representando Portugal.

Em nosso primeiro trecho atravessamos de balsa o Rio Madeira e seguimos para
a próxima cidade, Apuí. Percorremos apenas neste trecho cerca de 450km de
estrada de terra com uma imensidão de buracos. No caminho presenciamos o
triste fim de um acidente que acabara de acontecer.

Um caminhão ao atravessar a ponte tombou, pois a ponte cedeu. O motorista
perdeu a vida, pois o resgate demorou a chegar e não pudemos fazer nada.
Logo em seguida um ônibus foi atravessar por um desvio pela esquerda e ficou
atolado, ajudamos a puxar com o guincho do jipe e seguimos viagem.


Foto: IdilioVieira
Acidente fatal.


Ao chegarmos à cidade de Apuí, paramos para comer em um bar e conhecemos um
português da Serra da Estrela que mora ali há mais de 40 anos e veio para
tentar a vida na Amazônia com promessas que o governo fazia.

A cada quilometro percorrido ficávamos mais impressionados com a diversidade
cultural daquela região. Conhecemos alguns gaúchos que moram à beira da
rodovia há muitos anos, pessoal do nordeste do país, alguns do sudeste e até
mesmo estrangeiros como o Sr. Manuel, que veio de Portugal. Todos na mesma
situação vieram iludidos com promessas que o governo fizera no começo das
obras.

Pelo que vimos nesta região do país, as pessoas vivem de diversas maneiras,
vendem combustível em suas casas, do corte ilegal da madeira, alguns ainda
tentam a vida no garimpo, também ilegal. Uma coisa que tem crescido é a
plantação de soja e o desmatamento para fazer pasto para gado, e também o
tráfico de animais silvestres.


Foto: Idilio Vieira
Venda de combustivel e também é notavel o alto índice de analfabetismo.




Foto: Idilio Vieira
Comercio de ouro e ainda há muitos garimpeiros pela região.


Saímos de Apuí no dia seguinte e atravessamos para o estado do Pará,
chegando a Jacareacanga. Nesta cidade 70% da população é indígena, e pela
cidade víamos uma imagem triste, araras voando em meio às casas, alguns
macacos nas casas das pessoas, guaxinins presos a coleiras. Fomos tentar
descobrir o porquê daquilo e nos informaram que alguns dos bichos vêm por
conta de traficantes de animais e outros são alguns índios que trazem para
vender e comprar bebida alcoólica. Os que não são vendidos ficam largados na
cidade e não conseguem voltar para a mata.

A venda de bebida alcoólica para o índio é proibida, mas mesmo assim víamos
índios bêbados pelas ruas, situação lastimável.

Da cidade de Jacareacanga fomos em um barco de pequeno porte até a Aldeia
Saissinga, demoramos 2h seguindo pelo Rio Tapajós. Lá tivemos um pouco de
contato com os índios e vimos como fazem para viver hoje em dia, já que não
vivem totalmente da terra, e também nos mostraram como funcionava o sustento
da aldeia em tempos mais antigos.


Foto: Idilio Vieira
Índios da Aldeia Saissinga
.

Vale a pena contar o perrengue que o Idílio passou na cidade de Jacareacanga
tendo que fazer um tratamento dentário rápido, pois não agüentava mais de
dor. A sorte foi que encontramos um casal de dentistas recém formados que
estavam morando há pouco tempo na cidade, mas eram do Mato Grosso.

Novamente na estrada nosso novo destino era o Parque Nacional da Amazônia,
localizado na cidade de Itaituba. Pedimos autorização na sede do IBAMA
local, visitamos o parque e na seqüência seguimos para Santarém.


Foto: Idilio Vieira
Trecho de estrada boa.



Foto: Idilio Vieira
Parque Nacional do Amazonas.


Passamos por Santarém e fomos para Fordlândia, uma vila fundada na década de
20 para abrigar um arrojado projeto de produção de borracha idealizado pelo
Henry Ford, o magnata automobilístico americano.


Foto: Idilio Vieira
A função dos hidrantes era para que os norte-americanos ''se sentissem em casa''.

A idéia do projeto era não depender mais da borracha vinda da Ásia, sendo
assim ele produziria sua própria borracha que era matéria prima de algumas
partes de seus automóveis.

O projeto foi por água abaixo por diversos motivos, tratavam os operários
como norte-americanos e faziam usar crachás e comer hambúrgueres. A terra
não era tão fértil, plantaram de forma inadequada as árvores e assim
fortalecendo algumas pragas. Não tiveram apoio do governo brasileiro que
desconfiava dos investimentos e vários outros fatores foram enfraquecendo o
projeto. Ford ainda tentou mais uma vez em Belterra, mas também sem sucesso,
e na década de 40 começou uma nova tecnologia: começaram a fazer pneus
derivado do petróleo o que acabou levando todo investimento  por água
abaixo.

Hoje ainda há alguns casarões abandonados, o hospital onde ainda podem ser
encontrados remédios da época e muitas outras coisas abandonadas. Algumas
pessoas ainda vivem ali e dependem da pesca para sobrevivência.

A esta altura já havíamos percorrido mais de 5mil quilômetros com muita
terra, buraco e pontes precárias...


Foto: Idilio Vieira.
Pontes precárias.




Foto: Mauricio Soares
Pequenos trechos com atoleiros, isto é na época seca da região.


Saímos de Fordlandia e fomos para a cidade de Santarém, segunda cidade mais
importante do Pará.

Pernoitamos em Santarém e no dia seguinte embarcamos em uma balsa, viagem
que durou 5h com destino a cidade de Monte Alegre. Em algumas regiões da
Amazônia não existem estradas e o meio de locomoção são os barcos e balsas.
Existem lugares tão longínquos que o trajeto demora vários dias de barco em
meio aos rios e a floresta.


Foto: Idilio Vieira
Museu de Santarém.



Foto: Idilio Vieira
Parte da balsa dedicada aos que gostariam de dormir, pessoas chegam a viajar mais de uma semana nesta situação.

Em Monte Alegre seguimos para Alenquer e fomos visitar a "cidade dos deuses"
um lugar com várias formações rochosas belíssimas. Passamos pela Pedra do
Pato, Pedra do Pilão e ainda fomos convidados para almoçar na comunidade
Erere.


Foto: Idilio Vieira
Cidade dos Deuses.



Foto: Idilio Vieira
Pedra do Pilão.

Na volta paramos para dormir em um ponto da estrada chamado Muru-Muru,  com
umas casinhas, um bar e um ''hotel''. Quando entramos no quarto vimos que
não tinha camas. Estranhamos e fomos nos informar com o proprietário, que
nos disse que ali só dormiam em rede e eram poucos os que usavam camas. Ok,
dormimos no chão mesmo. Pagando R$ 5.00 pela estadia, queríamos mais o que?!

Antes de voltar para Santarém fomos conhecer alguns lugares pouco conhecidos
como Oriximina e Obidos, cidades onde dali para frente não existe mais
estrada, diríamos que se seguir reto cairia no oceano. Em Obidos visitamos
um forte construído pelos portugueses para não deixar chegarem navios
estrangeiros naquela região e também algumas construções coloniais.


Foto: Idilio Vieira
Forte da cidade de Óbidos.


Na volta de Óbidos para Santarém conhecemos o Sr. Boca Rica, garimpeiro da
região que nos contou que a medida que ganhavam dinheiro colocavam dentes de
ouro, o que significava status. Mas com o tempo ele perdeu sua fortuna com o
jogo e bebidas.


Foto: Idilio Vieira
Sr. Boca Rica.


De Santarém fomos para o nosso último destino que era Alter do Chão, lugar
pequeno, mas de imensa beleza. Lá demos um relax da longa estrada e ficamos
contemplando as lindas praias de água doce.


Foto: Idilio Vieira
Região de Alter do Chão.


Para os mais curiosos aqui vão alguns números desta viagem: rodamos 8000km de asfalto, 4000km de terra, na Transamazônica e cruzamos os estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Amazonas, Pará, Maranhão e Tocantins, tudo isso em 30 dias de estrada.

Confira mais fotos desta expedição em nosso FLICKR clicando aqui.


Texto: Artur Vieira e Renata Oliveira.         
17/7/2009
Chapada das Mesas - MA

No mês de julho foi organizada, aqui no Quioscão, a exposição de fotos da Chapada das Mesas, um lugar maravilhoso no sul do Maranhão, fronteira com Tocantins, onde encontramos cachoeiras, canyons, rios com águas cristalinas, trilhas e serras. E a chapada, é claro!

O nome Chapada das Mesas presta homenagem ao conjunto de formações típicas das chapadas compostas pelo Morro do Chapéu, Três Marias e Morro do Portal, que lado a lado são como mesas e podem ser avistados de longe.


Um dos morros caracteristicos da Chapada das Mesas.
Foto: Idilio Vieira


Nosso pouso foi na cidade de Carolina, uma pequena localidade com ares de interior, inclusive com algumas construções em estilo colonial. De Carolina partimos para explorar o que a Chapada tem de melhor, a começar pelo Santuário Ecológico da Pedra Caída.

O caminho para chegar até lá é penoso. Desde o asfalto judiado até as trilhas em meio a corredores entre paredões rochosos, pedras escorregadias, e um trecho em que atravessamos com água acima da cintura. Mas valeu a pena, pois nos deparamos com uma incrível queda d'água com 46m de altura.


Santuário
Foto: Idilio Vieira

 
Foi bem difícil fazer as fotos, pois a força da queda d'água comprimida na gruta forma um poço de águas revoltosas, com respingos que confundiam o foco da câmera.

Conhecemos também a CACHOEIRA DO ITAPECURU ou DAS GÊMEAS, duas quedas d'água que formam uma enorme piscina natural com rochas que a circundam, praias e pequenas ilhas.


Cachoeira das Gêmeas
Foto: Idilio Vieira


Voltando para terra firme, um dos grandes atrativos da Chapada das Mesas são, sem dúvida, as formações rochosas. Dentre elas destacamos a Pedra Furada, uma curiosa formação que traz o mapa do Tocantins num gigante orifício que atravessa a rocha. Conseguimos a luz perfeita do entardecer que tornou a pedra dourada. Há também uma rocha alta, em forma de pino, que desponta sobre a planície da região.


Pedra Furada
Foto: Idilio Vieira

Fomos também ao Poço Azul, uma piscina natural de águas profundas, porém, cristalinas de cor azul-fantástico, ótima para banho. Para chegar até o local percorremos 97km de asfalto esburacado e 28km em estrada de terra, em meio ao cerrado.  O trecho é cheio de areiões, com facões profundos onde é preciso um 4X4. Fizemos um trekking e assistimos à revoada de dezenas de muriçocas.


Poço Azul
Foto: Idilio Vieira


Seguimos viagem para a CACHOEIRA DE SANTA BÁRBARA, com queda d'água de 76m. No caminho tivemos um problema com o suporte do amortecedor dianteiro e do filtro de ar... por isso a primeira coisa que fizemos no dia seguinte foi ir à oficina!


Cachoeira de Santa Barbara
Foto: Idilio Vieira

O dono da oficina - e o então Prefeito da cidade de Filadélfia - Sr. Pedro Pipes, pessoa muito simples, nos cedeu, sem custo nenhum, seus funcionários para arrumar a Land. Duas horas de conserto e estávamos prontos para seguir viagem.

A Chapada das Mesas é recheada de cachoeiras, como a do Rio Farinha, a de São Romão, a Cachoeira da Prata, da Mancinha, do Capelão e do Garrote, mas todas de difícil acesso, seja caminhando ou por estradas que exigem muita habilidade e concentração do motorista. Em outras palavras, é aventura na certa!

Destaque para as Cachoeiras do Rio Farinha, localizada em São Romão, afluente do Rio Tocantins, que estão sendo ameaçadas pela construção de uma hidrelétrica. De lá andamos mais 30km de asfalto e 90km de estrada de terra até a Cachoeira de São Romão, uma queda d'água lindíssima e volumosa com bela praia para um banho refrescante.


Cachoeira de São Romão
Foto: Idilio Vieira


Ao final fizemos alguns passeios culturais. Visitamos uma fazenda auto-sustentável com um pequeno engenho, onde provamos uma cachaça deliciosa.  Depois fomos visitar um personagem da história de Carolina, um dos moradores mais antigos, o Sr. Enésio, com 106 anos. Gente muito simples, vive em seu sítio em harmonia com a natureza com vários animais. Ganhamos várias frutas que colhemos nós mesmos para nosso almoço na estrada.


Sr. Enésio, 106.
Foto: Idilio Vieira



Representantes do turismo do Maranhão, especialmente da Chapada das Mesas, estiveram em São Paulo no último Salão do Turismo 2009, no Anhembi, e deixaram conosco vário informativos sobre Carolina e seus encantos naturais. Como já estivemos lá algumas vezes, também somos fonte de informação caso queiram conhecer mais sobre esse lugar deslumbrante.

Esperamos sua visita em nossa exposição!

Confira mais fotos da Chapada das Mesas em nosso FLICKR!

Texto: Rosalia Russo e Renata Oliveira

7/7/2009
Cordon del Plata - Argentina
Por: Artur Vieira

Cordon del Plata é um cordão de montanhas localizado na província de Mendoza - Argentina, ótimo lugar para quem está começando em alta-montanha. Lá tem várias montanhas para fazer cume, desde 3500m até 6100m.


Cerro Plata, 6100m.
Foto: Artur Vieira

A preparação para essa viagem foi diferente de qualquer outra, tivemos que correr atrás de equipamentos para frio extremo. Chegando a Mendonza, nos abastecemos de comida e seguimos para a montanha.

O mais legal do Cordon del Plata é que não é uma montanha tão cara e popular como o Aconcagua. Lá não paga permisso para entrar e é muito mais vazio, o que faz do Cordon um destino tranqüilo, de caminhos limpos, sem rastro de turistas.
 
Para chegar à base da montanha siga pela Ruta 7, rodovia internacional que vai ao Chile. Após 50km, chegando em Potrerillos, pegue à direita em uma estrada de asfalto que logo vira ripio e sobe fazendo zigue-zague até o Refugio Ski & Montaña.

Chegamos ao refúgio (2700m) na parte da tarde. Decidimos descansar e começar nossa odisséia no dia seguinte. A previsão era de tempo bom e começamos o trekking às 7h da manhã. Levamos um susto com o visual que a cada passo ficava mais lindo! Nosso objetivo nesse primeiro dia era chegar aos 3500m.


Amanhecer em Piedra Grande, 3500m.
Foto: Artur Vieira

Já nesse estágio, quando passamos dos 3000m, começamos o processo de aclimatação (clique aqui e leia mais sobre aclimatação). O corpo já não funciona direito e qualquer caminhada é um desafio. Terminamos de montar a barraca minutos antes da chuva e da neve.

No dia seguinte o objetivo era passear até os 4200m para aclimatar. Acordei bem cedo para fotografar o nascer do sol iluminando todo o vale. Deixamos a bagagem pesada no acampamento e levamos só o necessário: água, comida e, claro, todo o equipamento fotográfico! Chegamos até 4050m.


Cerro Vallecitos e Cerro Rincon.
Foto: Artur Vieira

No outro dia começamos a caminhar um pouco mais tarde, pois tínhamos que esperar secar a barraca. Tomamos um café bem reforçado e começamos a caminhada por volta das 9h da manhã. Foi um dia bem difícil com subidas fortes e bastante vento.


Subindo para o acampamento Salto de Agua.
Foto: Artur Vieira

Enfim chegamos, no final da tarde, no acampamento Salto de Água (4200m). Fomos logo montar a barraca, pois o sol já estava caindo e ventava demais. O vento não dava trégua e eu nunca tinha estado em uma situação como essa, dentro da barraca a temperatura era -5°C!


Nevando em El Salto, às 16h.
Foto: Artur Vieira

Na nossa última noite no Salto de Água nevou bastante, mas não ventou tanto. A temperatura chegou á -15ºC. No dia seguinte subiríamos até 4600m, no acampamento de La Hoyada, onde venta muito. Fomos devagar, pois o trajeto era curto. Tivemos uma vista linda do C. Rincon e do C. Vallecitos, nosso objetivo final.


Acampamento avançado, 4600m, C. Rincon ao fundo.
Foto: Artur Vieira

Na ultima mannhã de ascensão, as 6h, ventava muito e o frio era insuportável. Caminhamos 30 minutos e não agüentamos, voltamos para a barraca. Como sempre, eu atrás de uma bela foto, fiquei para fotografar e quase congelo os dedos. A máquina pifou duas vezes... Nem ela estava agüentando.


Primeiro trecho da camianhada e ponto onde optamos por voltar e recomeçar depois.
Foto: Artur Vieira

Horas depois recomeçamos nossa caminhada para o C. Vallecitos, com subidas íngremes logo no começo. Chegamos num lugar conhecido como Portezuelo ou também Túnel do Vento. Lugar ótimo para fotos: à esquerda o Cerro Plata, à direita C. Vallecitos e no meio bem ao fundo o Aconcagua.


Em portezuelo e Aconcagua ao fundo.
Foto: Artur Vieira

Chegamos ao cume do Vallecitos por volta das 15h, horário não muito apropriado, pois o tempo fechou e começou a ventar bastante. A descida foi difícil. Ventava e nevava muito, o caminho tinha sumido em meio a neve e voltamos nos guiando pelo GPS, que foi bem útil nesta hora.


Cume do C. Vallecitos, 5478m.
Foto: Artur Vieira

Descemos em 1 dia o que levamos 6 para subir. Mesmo assim, a descida foi super difícil, pois pegamos uma chuva torrencial até o refúgio. Com certeza foi o pior dia.

Após essa aventura na montanha eu só queria descansar e curtir os confortos da minha casa... Mas agora que já estou aquecido e alimentado, é hora de pensar na próxima!

Confira mais fotos dessa trip em nosso flickr.


7/7/2009
Bananal - SP

Recentemente nós nos re-encontramos, e nos re-encantamos com a cidade de Bananal, município paulista com cerca de 10 mil habitantes localizada no coração da Serra da Bocaina. Apesar de todo o marketing turístico da Serra da Bocaina recair sobre a cidade de São José do Barreiro, onde fica a entrada oficial para o Parque Nacional da Serra da Bocaina, Bananal conquista adeptos pela tranquilidade e, claro, pelas paisagens exuberantes. A cidade fica encravada num vale, rodeada de montanhas e também de belos casarões coloniais de mais de 100 anos.


Foto: Idilio Vieira
Antiga Escola.


Estivemos lá na Páscoa e tentamos atingir um dos pontos turísticos de Bananal, a Pedra do Frade. No entanto, por força do mau tempo, não foi possível completar a travessia. O normal seria chegar à Pedra após um dia inteiro de caminhada, acampar no cume, e voltar no outro dia. Por isso, para não perder o passeio, acampamos no meio do caminho com uma vista do vale encoberto pela neblina.


Foto: Idilio Vieira
Pedra do Frade vista do mirante do Bracuí.



Foto: Artur Vieira
Acampamento no vale.

No trajeto até lá somos a todo tempo surpreendidos por cachoeiras e paredões de rochas, emoldurados pelo bonito céu azul típico do outuno.


Foto: Idilio Vieira

Cachoeira vista da serra que vai ao sertão.

Outro lugar que vale a pena conhecer é a Estação Ecológica e a Cachoeira Sete Quedas. Lá do parque temos acesso às duas últimas quedas, muito fotogências e de águas geladas de doer! Ainda lá em cima, no topo do sertão, há um trilha que fizemos em 40 minutos de caminhada e chegamos à cachoeira do Bracuí, onde fomos supreendidos com uma bela paisagem de Angra do Reis.


Foto: Artur Vieira
Parte alta da cachoeira.


Foto: Idilio Vieira
Vista de Angra dos Reis pela cachoeira do Bracuí.



Foto: Idilio Vieira
Cachoeira do Bracuí.


Para chegar em Bananal o caminho é a via Dutra, sentido Rio de Janeiro, e daí há duas opções. Ou seguir pela Dutra até o km 273, entrando no estado do Rio de Janeiro, acessando a SP 64 até Bananal; ou entra no km 9, ainda no estado de São Paulo, na cidade de Queluz, e chega até Bananal pela Rodovia dos Tropeiros (SP 68), um caminho bem sinuoso mas interessante, pois passa dentro das cidades de Areias, São José do Barreiro e Arapeí.
 
No feriado de Corpus Christi, no último dia 11 de junho, a cidade se enfeitou toda com os tradicionais tapetes artesanais que cobrem as ruas. Como a maioria da população é católica, todos acordam cedo e juntos montam os tapetes e as passarelas que unem todos os trabalhos, formando uma grande obra coletiva. Merece destaque o tapete da Dona Dora, uma elegante senhora de 88 anos que há 54 anos faz o tapete. O curioso é que pegamos chuva durante toda a viagem. Aí quando perguntamos a Dona Dora se ela não tem medo de chover no dia e ela riu, disse que NUNCA choveu, pelo menos nos últimos 54 anos.



Foto: Renata Oliveira
D. Dora e família.
 
Bananal também abriga a mais antiga farmácia em funcionamento do Brasil, com um acervo de fórmulas datadas do século XIX e outros objetos da época. Vale a pena a visita e conversar com o Plínio, o orgulhoso proprietário.


Foto: Idilio Vieira
A entrada da antiga Pharmacia.

Pra quem gosta de cultura, natureza, aventura, história e boa comida, Bananal é um prato cheio! Por falar em prato cheio, para quem está de dieta Bananal não é o local mais indicado... a comida é farta, boa e barata! Sem contar os doces, com destaque para a goiabada cascão feita em tacho de cobre pela Dona Ivete, no Km 12 da SP 247 - estrada que sobe para o sertão. No final da 247 também tem uma criação de truta, o que faz deste prato uma barata e deliciosa opção.
 
Deu fome?! Bóra comer no Quioscão!

Veja mais fotos no FLICKR do Quioscão!


Texto: Renata Oliveira
7/7/2009
Bivaque no Baú

A Pedra do Baú, localizada em São Bento do Sapucaí - SP, é destino das mais variadas tribos com sede de aventura. O visual é incrível tanto de fora como de cima dela. Em outras palavras, o passeio também vale a pena para quem quiser só chegar perto, sem se arriscar em subir os 600 degraus da via ferrata, formada de grampos fixados na rocha há 50 anos atrás...Nós encaramos o desafio completo!


Foto: Artur Vieira
Complexo do Baú.


Tão completo que resolvemos, inclusive, bivacar lá no alto. Para quem não é muito adepto dos "termos técnicos" do montanhismo, bivacar é um acampamento improvisado, sem barraca. Você aproveita a estrutura que a própria natureza te oferece, como uma rocha ou uma árvore das grandes para te abrigar do vento e da chuva. Com isso também aplicamos a filosofia do MÍNIMO IMPACTO, ou seja, alteramos o ambiente o menos possível.

Levamos nossos sleeps, fogareiro, corta-vento, tocas, luvas e, claro, as câmeras fotográficas e de vídeo para registrar TUDO!


Foto: Artur Vieira
Local onde bivacamos.


Para chegar em São Bento do Sapucaí a partir de São Paulo, o melhor caminho:
Seguir a Ayrton Senna/Carvalho Pinto (SP-070) e pegar a Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro (SP-123) no km 117 da Dutra. A Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro continua em Minas Gerais como MG-173. É uma cidade linda, margeada pela beleza incrível da Pedra do Baú e das suas irmãs menores: o Baúzinho e a Ana Chata.


Foto: Artur Vieira
Ana Chata vista da face norte do Baú.


O percurso até o Baú é uma caminhada pesada de 1h15 de subida mesmo, sem folga. Mas dá pra qualquer um fazer, basta ter um pouco de fôlego, boa vontade e nada de pressa! Já para alcançar o topo da Baú é preciso encarar a via ferrata ou subir escalando. Pode parecer simples, mas qualquer olhadinha para baixo pode te desconcentrar e para perder o equilíbrio é fácil. Cuidado!


Foto: Artur Vieira
Renata na via ferrata da face norte.


Lá em cima a vista é deslumbrante! Chegamos às 14hs, buscamos um lugar tranqüilo para o bivaque e optamos em ficar na parte sul da pedra. Da nossa "janela" da direita teríamos a vista do pôr-do-sol e da Ana Chata, e na "varanda" da esquerda, seriamos acordados pelo nascer do sol. Perfeito!


Foto: Artur Vieira
Por do Sol de cima do Baú.



Foto: Artur Vieira
Ana Chata no entardecer.



Foto: Artur Vieira
Nascer do sol.


Depois do jantar super caprichado (um farfale com molho de tomate fresco e bacon), lá pelas 19h30, o frio veio com tudo e tivemos que nos recolher para dentro dos sleeps. Durante o dia tivemos 13°C. Mas quando o sol foi embora, a temperatura caiu ligeiro, junto com ele. Resultado: 4°C na madrugada! Bom, na verdade, era o que podíamos esperar das primeiras horas do inverno brasileiro.


Foto: Artur Vieira
Renata e Artur na hora do jantar.


A noite foi bem tranqüila. Às vezes acordávamos com o desconforto da Pedra...mas era só olhar para o céu estrelado que a dança das estrelas cadentes fazia o sono voltar. Foi incrível!

A Pedra do Baú e suas companheiras (Bauzinho e Ana Chata) têm algumas vias de escalada, por isso é tradicional ver o pessoal pendurado na rocha por lá. Proximo do Bauzinho também tem uma rampa de vôo livre. Lá do Baú temos uma vista sensacional da galera decolando e voando...


Foto: Artur Vieira
Um dos vários gliders vistos do Baú.


Podemos dizer que nossa trip foi um perrengue devidamente calculado e controlado. São aventuras como essas que deixam histórias pra contar. Imagine se entrássemos dentro de um carro com destino a Campos do  Jordão curtir o frio, numa pousada com lareira, comendo fondue? Que historia teríamos para contar aos nossos filhos?
Esse é o ponto!

Bivaque no Baú: RECOMENDADO!

Confira mais fotos dessa trip.

Cnfira o video de nossa cozinha na montanha.

Texto: Renata Oliveira
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