24/11/2011
Pantanal 2011

Muitos preparativos, grande ansiedade, finalmente o dia da partida. Idílio e Maurício já se encontravam ao lado da Land-Rover 110 quando cheguei às 4:45 do dia 19/set/2011, à frente do Bar de Aventuras Quioscão na Av. Engº Caetano Álvares na Casa Verde. Idílio e Mauricio comerciantes locais e eu, Valter, arquiteto aposentado. Às 5:00 horas da manhã, malas e equipamentos prontos, foi dada a largada para mais um sonho.

Rumamos para a Rodovia Castelo Branco, até seu final, Rodovia Engº João Batista Cabral Rennó e seguimos à NE na Rodovia Marechal Rondon até entrarmos em Mato Grosso do Sul cruzando o Rio Paraná. De Três Lagoas a Campo Grande daí até Miranda. Uma puxada de aproximadamente 1350 km. Já na entrada da cidade conhecemos uma pousada ecológica , onde se percorre a mata circundante até o rio Miranda por sobre passadiços de madeira, o que nos possibilitou o contato com variada gama de pássaros. Dormimos em Miranda.

No segundo dia (20/set) saímos em direção à Corumbá, em estrada de asfalto, já tínhamos referências do desabamento de duas pontes na estrada parque, o que viria a impedir nossa travessia.

No entanto a estrada que liga Miranda a Corumbá, de onde deriva a estrada parque, achava-se ladeada por restingas de água, onde pudemos tomar contato pela primeira vez com a fauna local. Muitos jacarés e inúmeras aves. Reflexo da estiagem prolongada. À essa época já deveríamos estar com chuvas, mas tal não aconteceu.






Nas pequenas lagoas que se formavam, em nível mais baixo que a estrada, muitos peixes aprisionados, eram presas fáceis para os predadores. A falta de oxigenação da água provoca a morte de muitos peixes e outros organismos. Constatamos até vários jacarés mortos. Tal fato faz com que tais lagoas exalassem um odor fétido. Por outro lado, fomos premiados com uma visão maravilhosa, de um imenso ninho de Tuiuiús à beira da estrada. Nesse ninho havia uma família com 4 Tuiuiús. Foi a festa, Idílio e Maurício sacaram dezenas de fotos de todos os ângulos. Prosseguindo descobrimos novo ninho de Tuiuiús, novamente dezenas de fotos. Nesse mesmo caminho, em direção à estrada parque, nos defrontamos com milhares de pássaros, tais como: garças, biguás, andorinhas, caracarás, gaviões e outros pássaros menores.


Prosseguimos em nosso objetivo, como tínhamos informações quanto às condições da estrada, resolvemos tomá-la em sentido  contrário, ou seja, a partir de Corumbá seguimos nesse sentido até a localidade de Porto da Manga junto ao Rio Paraguai. Neste local pudemos observar a Casa do Telégrafo do Marechal Rondon

Na travessia em balsa (através do rio Paraguai) cruzamos com uma barcaça formada por dezesseis outras barcaças que, segundo os locais, transportava minérios para a cidade Rosário (vila de Rosário?) no Paraguai, sendo que cada barcaça pesa em torno de 1800 T.

Nossa estrada agora rumava em direção à localidade de Curva do Leque, até o bar do Quequé, de onde pretendíamos ir para Porto Jofre às margens do Rio São Lourenço/Cuiabá.  No entanto tal travessia deveria  ser feita com um guia já que os caminhos se desdobravam para dar acesso às inúmeras fazendas locais.

Era necessário também que se transportasse combustível suficiente para tanto.

Embora estivéssemos com o tanque da Land quase cheio, não arriscaríamos nos perder na mata, pois não achamos nenhum guia nem tínhamos um mapa confiável da região (se é que existe). Optamos por voltar pelo mesmo caminho via estrada parque e rodovia Corumbá-Miranda.

Na volta em meio a estrada parque (em terra) pudemos observar apenas alguns pássaros e raras capivaras, talvez por conta da estiagem a fauna havia sumido.

De volta a Miranda, seguimos pela BR 419 em direção à Rio Verde onde almoçamos, daí a Rondonópolis e Cuiabá onde jantamos e em seguida até Poconé onde pernoitamos.

Nesse trecho observamos as grandes fazendas da agroindústria, que exploram a terra com plantações de soja, milho, algodão numa avidez que incorpora até mesmo as faixas de domínio às margens da rodovia. Nessas fazendas não há nenhum elemento de porte arbóreo ou mesmo arbustos, tudo foi destruído em prol do cultivo extensivo dos alimentos citados. Apenas junto às sedes ou usinas, encontramos pequenos grupos de árvores.

Não há vida quer da flora quer da fauna naturais, que foram expulsas pela ganância capitalista. Tais terrenos quando esgotados em suas capacidades de produção (forçados por insumos agrícolas) serão possivelmente abandonados. No momento já sofrem a ação de um sol inclemente, que queima a camada fértil (húmus), o que prenuncia um dos maiores desertos da terra. Ficamos tristes.

A estrada é um "continuum" de caminhões, enormes com duas ou três carrocerias agregadas, são os bi-trens e os treminhões. Tantos que em Cuiabá nos informaram que pesquisas recentes constataram a presença de mais de 900 caminhões por hora.

Jantamos em Cuiabá, daí seguimos em direção à Poconé cidadezinha na boca da Transpantaneira a mais ou menos 150 km de Porto Jofre.

Transpantaneira, rodovia que deveria ligar Porto Jofre à Corumbá por sobre o rio São Lourenço/Cuiabá. No entanto termina às margens desse mesmo rio.

De Poconé até Porto Jofre, trafega-se pela Rodovia Transpantaneira através do pantanal Matogrossense, bio reserva mundial da fauna e flora brasileiras.

Entrementes verificamos que afora algumas aves como os cardeais, andorinhas de rabo tesoura, curicacas, canários da terra, caracarás e outras pequenas aves, nada havia no Pantanal. Apenas o sol insistia em queimar os matos e árvores retorcidas típicas do cerrado. Nas poucas poças de água parada encontramos alguns jacarés e uma ariranha que foi fotografada e devidamente catalogada para a posteridade.

Mas apesar da escassez de animais terrestres conseguimos avistar, por alguns instantes, um veado galheiro (veado campeiro?) que com a aproximação do carro afastou-se em desabalada carreira por entre as árvores.

A Transpantaneira causou-nos uma certa decepção pois quase nada havia da fauna e quanto a emoção de off-Road verificamos que todas as pontes de madeira (exceto uma) haviam sido refeitas. Adeus emoção.

Atingimos as margens do Rio São Lourenço/Cuiabá em Porto Jofre, onde a grande atração ocorreu por conta de um casal de araras-azuis, que ali vivem no oco de uma árvore. Mil fotografias, e elas pousavam para as fotos sabendo-se admiradas.

Almoçamos à beira do rio, peixe frito com cerveja. Após o almoço, encetamos viagem de volta, onde a tarde nos brindou com um maravilhoso por de sol. Um disco rubro, típico das estações secas, paramos para admirar e promover nova seção de fotos.

De volta a Poconé no mesmo hotel anterior, onde após um lanche, dormimos o sono dos justos.

De Poconé à Chapada dos Guimarães

Nossa falta de organização, da expedição nos deixou à mercê das burocracias locais, no que tange às permissões para o Parque Nacional e a contratação de um guia local.

Perdemos muito tempo junto aos órgãos oficiais/agencia de turismo, que não conseguiam encontrar um guia embora já tivéssemos pago pelos serviços. O guia foi encontrado por volta das 11:30 hs, perdemos toda a manhã para as fotos.

Chegamos ao Parque Nacional Chapada dos Guimaraes mais ou menos as 12:00 horas com o sol a pino. O que obrigou a mim desistir em meio a caminhada rumo ao ponto em que se avistada a chapada. Voltei ao carro estacionado em meio caminho, sob um pé de pequi, pois estava prestes a sofrer uma enorme insolação.

Após esse incidente o guia nos levou para visitar uma clareira banhada pelo rio Claro, local de grande beleza.

Lázaro, era esse o nome do guia, nos levou então à famosa cascata Véu de Noiva (nome pouco original) com 86 m de altura, palco de um acidente fatal que veio a interditar todo o Parque Nacional Chapada dos Guimaraes, por três anos. Tendo sido liberado apenas algumas atrações p/o público, muito recentemente.

Tal fato deveria constar em todos os guias (4 rodas e outros) inclusive nos sites do Parque Nacional, avisando assim a população para que não invista em uma viagem perdida, pois as principais atraçõs estão fechadas a três anos.

DOS GUIMARÃES ÀS EMA

A Chapada dos Guimarães voltamos à rodovia onde um sem número de caminhões nos aguardava. Entramos na fila e ombreados pelas fazendas de cana ou algodão, (onde se pode ver o algodão enrolado e embalado em plásticos em enormes rolos à beira da estrada). Novamente trata-se da agro-industria.O numero de treminhões na estrada não deixa dúvidas. Tudo é dinheiro.

Mas ao tomarmos o caminho que nos levaria a Primavera do Leste e posteriormente ao Parque Nacional das Emas em Goiás, passamos pela Cachoeira da Martinha no município de Campo Verde. Uma pequena cachoeira (quase uma corredeira) sem nenhuma restrição de acesso. o que se verifica pelas inúmeras latas de cerveja e refrigerantes e sacos plásticos e outras embalagens deixadas pelo caminho.



Nota-se que ainda e apesar de tudo não há um a consciência ecológica.

Voltamos para a rodovia após tradicional sessão de fotos e nos descobrimos no caminho errado. Melhor assim, apesar de todos os contratempos do transito conhecemos a cidade de  Jaciara onde constava no mapa a Cachoeira da Fumaça a 11 km do centro. Local de pouca visitação e de esportes radicais (rapel, cascading, boia-cross, etc). Paga-se simbolicamente (R$ 5,00) cinco reais para adentrar às cachoeiras com um guia local. Note-se que são na verdade 04 cachoeiras. A visão em conjunto  das cachoeiras é de tirar o fôlego, suas águas límpidas nos permite uma visão do leito do rio Tenente Amaral . Visão magnífica que fica em nossa memória.

Na volta à São Paulo, pela rodovia Washington Luiz, após quase 5500 km rodados e as costas cansadas e as pernas inertes, já em casa dormimos e sonhamos com um Brasil exuberante que os portugueses aqui acharam..

Fotos: Idilio Vieira

Texto: Walter Pinto

Confira mais fotos em ... Flickr - Pantanal

6/4/2011
Monte Roraima - Venezuela

O fascínio do Monte Roraima tem atraído montanhistas do mundo inteiro a superar todas as dificuldades da instabilidade climática da região e caminhar sobre o seu imenso cume.

Considerado uma das formações geológicas mais antigas do planeta, com cerca de 2 bilhões de anos, o Monte Roraima se desponta em meio a chamada "Gran Savana", na Venezuela, formada por uma vegetação rasteira que possibilitou a demarcação de uma trilha até à base da montanha.
Está na tríplice fronteira entre Venezuela, Brasil e Guiana Inglesa e é considerado a 7ª montanha mais alta do Brasil.

Em fevereiro de 2011, nosso grupo formado por Idílio e Artur Vieira, Renata Oliveira e o carioca Fred Campos desafiou a ira da montanha e conferiu de perto todas as singularidades deste lugar incrível. As caminhadas foram exaustivas, a chuva não deu trégua, mas todos fomos recompensados pela indescritível sensação de estar lá em cima.
Agora vamos ao que interesse, ou seja, fotos e todos os detalhes do perrengue em nosso roteiro dia-a-dia:

Dia 01: deslocamento de Boa Vista-Brasil, passando pela fronteira Brasil-Venezuela (necessário passaporte + vacina contra febre amarela) e chegada à cidade de Santa Helena de Uiarén, onde encontramos nosso guia Alvan, um simpático guianês, e seguimos até a aldeia Paray-Tepuy a bordo de uma "agressiva" Toyota Land Cruiser. Lá contratamos 02 carregadores para nos ajudar a levar os 25kg de comida, barraca e a cargueira do Idílio, que decidiu subir leve, carregando apenas o equipamento fotográfico. Nesse mesmo dia, por volta das 13h, saímos em direção ao acampamento Tek, onde pernoitamos. Antes do jantar tomamos um banho no Rio Tek. Foram 4h de caminhada embaixo de chuva; a trilha segue entre colinas de vegetação rasteira típica da Gran Savana; ainda não conseguimos ver os tepuys Kukenan e Roraima, que, em tese, estariam bem a nossa frente...

Ponto final do carro e começo do trekking, Aldei AParay Tepuy.
Foto: Idilio Vieira

Primeiro dia, 14km. Alguns Porteadores usam bicicleta neste trecho.
Foto: Artur Vieira

Acampamento Rio Tek, amanhecer no segundo dia de trekking.
Foto: Idilio Vieira

Dia 02: Deslocamento até o acampamento base. Saímos às 8hs, e chegamos por volta das 14hs. O percurso é semelhante ao do dia anterior, mas já há maior ascensão e as subidas castigaram. Embaixo de chuva... pior! Banho congelante e jantar na lama, sob uma tenda esburacada que não ajudou muito. Chamou nossa atenção a quantidade de turistas que fecham os pacotes "all inclusive", com guia, porteador, comida, equipamentos de camping, tudo o que é necessário para a roubada. Dinamarqueses, japoneses, americanos e, claro, os venezuelanos marcaram presença. Encontramos apenas dois grupos de brasileiros.

Renata a aproximadamente uma hora do Campo Base
Foto: Artur Vieira

Visual do Campo Base
Foto: Artur Vieira

Fred na nossa cozinha do Campo Base, muita lama.
Foto: Idilio Vieira

Dia 03: O topo!! Do acampamento base víamos parte da trilha em meio a um tipo de vegetação completamente diferente, típica de solo úmido. O Roraima e o Kukenan apareceram por alguns minutos de manhã, mas, logo se esconderam. Caminhamos, ou melhor, trepamos a trilha o tempo todo sem avistar os paredões, que já estavam muito próximos!! De repente, eles aparecem! Conseguimos tocá-los e constatar que eles existem... não era uma miragem! Felicidade do grupo em chegar ao cume e pernoite no hotel Principal em frente ao Maverick, onde está o ponto mais alto do tepuy (2800m). A temperatura de 10ºC e o tempo nublado não foram convidativos a observar as estrelas. Corremos para a barraca.

Visual do Campo Base, M. Kukenan ao fundo e M. Roraima a direita.
Foto: Idilio Vieira

Monte Roraima visto do CB, destaque para a trilha que segue pela direita da foto. Subida para tatu de chuteira.
Foto: Artur Vieira

Primeira hora de caminhada no topo do tepuy.
Foto: Idilio Vieira

Maverick visto das proximidades do Hotel Principal na quarta manhã de trekking.
Foto: Artur Vieira

Dia 04: Caminhada pesada até o hotel Coati, mas reveladora da grande e indescritível beleza lá de cima. O trekking foi um misto de trepa-pedras com travessia de regiões pantanosas, sujeita a atolamentos até o joelho. Chegamos até o Ponto Tríplice, embaixo de chuva, e seguimos de pressa até o hotel para nos abrigar. O hotel Coati é uma gruta linda e a luz do fim de tarde o transformou em cena de cinema. Uma brecha na chuva nos fez caminhar até o Abismo e curtir um pôr-do-sol nesse mirante com vista para o Roraiminha. 

Trecho bem molhado no topo do Roraima.
Foto: Idilio Vieira

No topo do tepuy.
Foto: Artur Vieira

O grupo no Ponto Tríplice 
Foto: Idilio Vieira

Hotel Coati
Foto: Artur Vieira

Monte Roraiminha visto do abismo.
Foto: Idilio Vieira

Dia 05: Dia cheio de atrações! Deixamos as mochilas no hotel Coati e caminhamos leves até o Lago Gladys e à Proa. Depois de passarmos muito protetor solar com o aparente dia de sol que teríamos pela frente, voltamos a tomar nossa chuva de cada dia. O Lago Gladys encanta pelas dimensões e, principalmente, pelo lugar onde ele foi aparecer! A Proa ficou para outro dia... o mau tempo não nos encorajou a encarar uma arriscada descida pela corda não muito confiável do nosso guia. Ficamos devendo! Mas chegamos muito perto... 

Caminho para o outro lado do monte, meia hora de sol e depois CHUVA!!!
Foto: Artur Vieira

Lago Gladys
Foto: Idilio Vieira

Destroços de um dos helicópteros que caíram no topo do monte.
Foto: Idilio Vieira

Dia 06: Hoje o dia teve uma aura mística com a passagem pelo Vale dos Cristais! Um encantador cenário, mas que deu dó ao ouvir o barulho dos cristais se partindo a cada passo que dávamos. O lugar deveria ser lacrado!! O tom da magia se foi depois de pegarmos a pior chuva e, também, um dos dias mais cansativo de trilha. Voltamos ao hotel Principal, mas, como não fizemos "reserva"... não havia vaga! Ficamos então alojados em outra gruta. Chegamos exaustos, encharcados e famintos! Pernas inchadas, surtos e mau humor. O frio e a chuva cresciam lá fora!

Vale dos Cristais
Foto: Artur Vieira

El Fosso, paramos para dar um mergulho e fazer um lanche.
Foto: Idilio Vieira


Chegando ao Hotel Principal depois de sete horas de trekking embaixo de chuva.
Foto: Idilio Vieira

Dia 07: Exaustos, acordamos. Colocamos as meias molhadas, as botas molhadas, as calças molhadas e as camisetas molhadas. Preparados para mais um dia de chuva, iniciamos a descida. Devagar e sempre, agora eram os joelhos que inchavam (não de todos, apenas o meu). Cuidado na descida, tudo escorregava. Depois de 6 horas de caminhada, chegamos novamente ao acampamento Tek. O rio tranqüilo em que tomamos banho estava "crescido", como eles dizem lá, e as trilhas por onde caminhávamos viraram riachos. A comida já chegava ao final e as combinações não ficaram tão boas (feijoada em lata com strogonoff liofilizado). 

Passo das Lagrimas
Foto: Artur Vieira

Dia 08: Renovados com a boa noite de sono, despertamos antes das 6hs e já começamos a nos preparar para o último dia. A fisioterapia com água gelada no rio Tek aliviou o inchaço dos joelhos, que já sabiam o que esperava por eles. O sobe e desce das colinas até a aldeia Paray-Tepuy, no meu caso, travou minhas articulações e cheguei a passos lentos, quase 6 horas depois. Sem pressa. O que queríamos era chegar na hora do almoço, para saborearmos a culinária interiorana da Venezuela, na comunidade de São Francisco, onde compramos "artesanias" e adquirimos um "guaiare" (cesto feito de palha utilizado pelos indígenas nativos para carregar os mantimentos e equipamentos de camping dos turistas até o topo. Levado nas costas, como uma mochila, também é utilizado para levar crianças) como uma das principais lembranças da viagem. 

A volta para cidade...
Foto: Idilio Vieira

A principal lembrança, sem dúvida, foram as imagens e a experiência do perrengue, que acrescentou em nossa formação de montanhistas a certeza de que a montanha sempre tem algo a nos ensinar. Desta vez, aprendemos que, por mais planejada que seja uma viagem, a força da natureza é soberana e implacável. O homem deve se reduzir a sua insignificância e suportar calado as reações da natureza e, simplesmente, sentir-se feliz por ter a oportunidade de interagir com toda essa energia.

Texto: Renata Oliveira



7/2/2011
Namibia - Africa

O sonho de conhecer a África sempre permeou o imaginário dos três personagens desta expedição e cada um o realizou ao seu tempo. Idílio Vieira, após ter percorrido de 4x4 o continente sul-americano de ponta a ponta, resolveu atravessar o oceano e ir conhecer os encantos sul-africanos. Para isso, convidou o amigo Rogério e decidiram partir para esta aventura.


Inicialmente, a dupla pensou em ir para a África, alugar um 4x4, abrir o mapa e ir em direção aos principais parques nacionais da Namíbia, destino africano selecionado. Mas, semanas antes da viagem, eles conheceram Davi Ribeiro, que morou na África a trabalho e teve a oportunidade de conhecer profundamente as tribos, os dialetos, a história e geografia do País. Assim, o trio estava fechado, o destino traçado e todos ansiosos para desbravar a savana africana, com toda a riqueza da cultura e beleza natural.


Ao chegarem à capital da Namíbia, Windhoek, notaram que esta bela cidade com cerca de 800 mil habitantes é organizada, limpa, com ares de primeiro mundo. Lá os viajantes se fartaram com a excelente culinária local, com destaque para as caças e o tempero marcante.


A opção foi fazer um safári diferente dos convencionais, nos quais os viajantes são levados apenas a parques para observação de animais e em algumas tribos para contato com os nativos. Antes de decidirem pelo roteiro da viagem, diversas agências de turismo na Namíbia foram consultadas e todos ofereciam as mesmas atrações. Por isso, com base no conhecimento do Davi foi traçado um roteiro personalizado, passando por tribos distintas e parques cheios de curiosidades.


A viagem foi feita a bordo de uma Toyota Hilux 4x4 alugada em Windhoek, equipada com barracas de camping, fogareiro e outros itens necessários para acampamento. Afinal, durante toda a expedição as pernoites foram feitas em camping ou nas portarias dos parques. Por isso, antes de partirem, fizeram uma compra caprichada no supermercado, onde puderam notar a grande a variedade de produtos importados.



O primeiro destino marcado no mapa foi o Parque WATERBERG PLATEAU, a 280km ao norte da capital, onde se destaca a discrepância entre a vegetação verdejante que cresce na montanha e todo o cenário árido que cerca a região. Neste parque a visita foi guiada a bordo de uma Land Rover Defender e vários animais, como girafas, babuínos e antílopes puderam ser observados, inclusive pegadas de dinossauros. Nesta noite acamparam na portaria do parque e passaram muito frio à noite, em contraste com o calor que encararam durante o dia. É o clima do deserto.





A próxima parada foi o parque CROCODILE RANCH, seguindo pela Rota 81, ainda ao norte. O parque fica na cidade de Otjiwarongo e lá são abatidos crocodilos para exportação. Obviamente que o menu do dia foi carne de crocodilo, após terem conhecido detalhes da criação deste animal fascinante.



Mais adiante seguiram para o CHEETAH CONSERVATION FUND, um centro de conservação de guepardos, o mais rápido animal terrestre, podendo alcançar a velocidade de 115km/h. O passeio pelo parque foi feito num jipe aberto facilitando a vida do fotógrafo do grupo, Idílio Vieira.



Após o primeiro contato com a fauna e flora africanas, seguiram viagem até a tribo dos BUSHMAN, para conhecerem de perto o estilo de vida deste curioso povo de estatura pequena, se comparados com outras etnias. São um povo de caçadores nômades do deserto do Kalahari. Por viverem em uma região muito seca na Namíbia, eles foram obrigados a desenvolver engenhosas técnicas de plantio. A água é obtida de raízes e tubérculos e o fogo ainda é feito artesanalmente, riscando uma pedra na outra. A vivência na tribo foi muito enriquecedora, pois puderam observar hábitos do cotidiano, danças típicas e a confecção de artesanatos, trazidos para o Brasil aos montes.




No trajeto até a próxima parada passaram pelo local onde está o maior meteorito que já se chocou com a Terra, há 80 mil anos atrás. O meteorito de 50 toneladas, 3m de largura e 1m de altura, foi descoberto por Jacobus Hermanus Brits, em 1920, e em 1955 foi declarado monumento nacional.


Chegaram a um dos mais famosos atrativos da África, o PARQUE NACIONAL ETOSHA, e desde a entrada começaram a ver vários animais como guinus, zebras, leões, elefantes, girafas, emas e muitas outras espécies de menor porte. A sensação de ver esses animais em seu habitat natural é indescritível e, mesmo com o calor, é fácil passar horas observando o comportamento de cada espécie. Notaram, por exemplo, como é notório o medo que todos sentem das leoas e leões, aguardando horas os poderosos felinos se distanciarem do riacho para que pudessem se aproximar e matar a sede.





O grupo teve o privilégio de ver um bando de 13 leoas, denominado de super bando, o que é muito raro. Além de elefantes brancos, zebras em conflitos, enfim, percorreram os 100km do Etosha a se deleitar com o mais importante cartão postal da África: os animais selvagens.


Ao deixarem o Etosha, seguiram rumo à tribo HIMBA, muito famosa pelas "mulheres de vermelho", que têm o costume de passar na pele um óleo avermelhado (uma mistura e banha de boi e o pó de uma argila local) que deixa todo corpo e cabelo completamente vermelhos. Foi espetacular conviver com essas pessoas que sobrevivem em uma região bastante selvagem da Namíbia.




No trajeto ao saírem da tribo Himba, observaram um Baobá, árvore cujo tronco pode alcançar até 7m e armazenar cerca de 120mil litros de água. As estradas na Namíbia são muito boas, mas perigosíssimas, considerando que se pode trombar com uma girafa no meio do caminho. Logo no início da viagem um guinu atravessou na frente da Toyota e quase capotaram. Todo cuidado é pouco! Além da adaptação para dirigir do lado esquerdo, observando as regras da "mão inglesa".



No dia seguinte chegaram ao parque SKELETON COAST, que leva esse nome devido ao número de carcaças (esqueletos = skeleton) de navios e mineradoras de diamantes. Interessante comentar que o acesso à área de extração de diamantes é totalmente restrito e há várias placas proibindo a passagem. Quem se aventuraria a não obedecer e procurar problemas com o "pessoal" do diamante?



Caminhando pelo parque na costa da Namíbia, chegaram a um deserto de sal incrível. Na beira da estrada os locais vendiam colocam pedras de sal à exposição para os turistas levarem, desde que depositem uma moedinha no cofre. Neste mesmo parque havia milhares de focas, uma praia totalmente repleta delas.



Após, seguiram viagem até o parque NAUKLUFT, um dos maiores parques nacionais da áfrica. Lá havia um curioso museu do automóvel a céu aberto com carcaças de carros antigos e até uma antiga bomba de gasolina. Também neste parque outro ponto alto da viagem: as dunas de SOSSUSVLEI, que chegam a 300m de altura. À noite no acampamento ventou muito e a sensação era de que o carro poderia tombar a sair rolando pelas dunas. Valeu a pena o acampamento próximo às dunas, para que pudessem ser fotografadas nas primeiras luzes da manhã.


       

     


De lá seguiram para LÜDERITZ, uma cidade portuária de onde Amyr Klink partiu quando fez a travessia África-Brasil. Nesta localidade o grupo alugou um catamarã e passou a tarde observando golfinhos, orcas, pingüins e flamingos. Saindo de Lüderitz passaram pela região onde há uma floresta de árvores chamadas KOKERBOOM, ou "Quiver Tree", cuja forma é bastante peculiar. Também puderam avistar curiosas formações rochosas, fósseis e as simpáticas suricatas, eternizadas na memória de todos por estrelarem a animação da Disney, O Rei Leão.


      


Depois de rodarem 5.000km por este encantador país, a vontade de cada um dos participantes é de voltar e conhecer outros povos e observar diferentes animais e paisagens entranhados no imenso continente. A Namíbia foi um maravilhoso aperitivo que deixou todos famintos por explorar ainda mais esta região de cultura riquíssima e extraordinária beleza natural.


Confira mais fotos desta trip clicando aqui.


Texto de Renata Oliveira, com base no diário de bordo de Idílio Vieira


15/6/2010
O sertão vai virar mar

Falar de banhos de cachoeira e praias com areias escaldantes em pleno inverno soa meio estranho... mas, essa é a vantagem de se viver num país imenso, com paisagens e temperaturas para agradar a todos. Para fugir do frio de São Paulo, basta pegar o carro e se aventurar pelo Sertão brasileiro e chegar até o lindíssimo litoral nordestino. Por esse motivo, o nome de nossa última expedição não poderia ser outro: o Sertão vai virar Mar!



Veredas do nordeste brasileiro
Foto: Idilio Vieira

Seguiram nessa expedição Idílio Vieira, Kashino e Bernadete. O primeiro destino alcançado foi o grandioso estado de Minas Gerais, repleto de atrativos culturais e naturais. Saimos de São Paulo às 5h30 e a expedição seguiu rumo à Conceição do Mato Dentro-MG. O dia amanheceu ensolarado o que nos convidou a dar uma passada em Três Corações e saborear um delicioso café na venda do Chico. O café foi apenas para abrir o apetite antes de chegarmos em Belo Horizonte, onde o prato principal do almoço foi a famosa culinária mineira no fogão a lenha.



Tabuleiro - MG
Foto: Idilio Vieira


Imprevistos sempre acontecem e desta vez foi logo no início da viagem. O alternador de um dos jipes apresentou problemas e uma parada no eletricista atrasou a viagem em três horas e meia. Depois da parada obrigatória seguimos para Tabuleiro, distrito de Conceição do Mato Dentro, já na Serra do Cipó. Exaustos, fomos para a pousada Gameleira, onde fomos recebidos pelo Sr. Manoel. Para fechar o dia desses, nada melhor que uma boa cachaça mineira para relaxar.

Dia seguinte, após um café reforçado, seguimos com o guia Samuel para conhecer a famosa Cachoeira do Tabuleiro, numa caminhada de 5 horas feita pelo leito do rio. Rio e calor combinam com banho e foi isso que fizemos. O visual da cachoeira é inexplicável e a sensação de chegar ao pé da cachoeira incrível, uma queda de 320m de altura. A água cai com muita força, formando um grande poço no leito do rio, onde se pode enxergar grandes pedras. Realmente muito lindo o visual. Tem lugares que é possível ver bem a fronteira entre a mata atlântica e o serrado. Na volta chegamos à pousada às 17h, hora boa para uma deliciosa feijoada, várias caipirinhas e na seqüência um bom cochilo, felizes por ter visto de perto um espetáculo feito pela mãe natureza.


Cachoeira do Tabuleiro - MG
Foto: Idilio Vieira


No outro dia de manha deixamos a pousada às 9hs rumo à Bahia. A estrada é muito perigosa, muitos caminhões e diversos trechos em obras. Conseguimos chegar à divisa MG-BA e dormimos em Itaobim-MG, na Pousada das Araras, as margens do rio Jequitinhonha.

As 7h do dia seguinte deixamos Itaobim e novamente caímos numa  estrada com fluxo grande de caminhões. Impressionante o visual da estrada, muitas rochas gigantes na região, de onde avistamos a Pedra Azul. Fizemos uma parada rápida na cidade para fotografar a Pedra e depois seguimos pela BR em direção a Rio de Contas-BA. Na Bahia o prato tradicional muda, sendo a carne de sol a grande estrela da culinária do interior baiano.



Pedra Azul - MG
Foto: Idilio Vieira


Na cidade fomos as compras em um ateliê muito famoso por confeccionar mascaras de papel marche, que inclusive já foram vendidas para vários países. De la seguimos em direção a Ibicuara-BA onde só chegamos ao anoitecer, apos  pegarmos um atalho de 308km de terra.



Os bonecos e seu criador - Rio de Contas, Bahia
Foto: Idilio Vieira


Edriano, nosso guia, nos encontrou na pousada e saímos em direção a Cachoeira do Buracão. Passando pela Serra da Bocaina, onde existe um visual lindo, com uns paredões enormes. Passamos pelos lugarejos de Campo Redondo, Mundo Novo, enfim, a trilha a pé foi uma caminhada de 3 horas, onde passamos pelo espraiado. A trilha segue sempre ao lado do rio, passando pelas cachoeiras Buracãozinho, Orquídeas, Recanto Verde, sempre um lindo visual. E Buracão, a última. Na trilha muito xique-xique e cactos. Depois de um banho na Cachoeira Buracão, seguimos para a cidade de Ibicuara. Ficamos hospedados na Casa da Roça, onde os proprietários Daniel e Bárbara nos fizeram um jantar típico da região, de carne de sol. Maravilhoso!

Saímos de Ibicuara rumo à Cabacera, e no caminho paramos para pernoitar em Caldas de Jorro. Chegando nesta cidade nos deparamos com uma bica na praça onde jorra água medicinal a 48º C. Gente do Brasil inteiro vai ao lugarejo tomar banho para curar doenças da pele. No meio da viagem mudamos o rumo, pois havia furado a mangueira do radiador. Após um remendo por motivos de falta de tempo, abortamos Cabacera e fomos rumo à cidade de Piranhas, com um charmoso centro histórico de arquitetura portuguesa, à beira do rio são Francisco. Fomos ao mirante da cidade, de onde avistamos uma linda paisagem.



Cidade de Piranhas às margens do Rio São Francisco
Foto: Idilio Vieira



Caldas do Jorro
Foto: Idilio Vieira


Ao amanhecer fizemos um tour pela pequena cidade. As 11hs fomos de barca visitar o cânion do Xingó. Lugar muito interessante. No fim da tarde, voltamos para a pequena Piranhas, onde terminamos o dia tomando banho no rio São Francisco.


Saímos às 8hs da pousada e entramos no estado de Sergipe pela cidade de Canindé do são Francisco. Fizemos novo reparo na mesma mangueira e chegamos às 14hs em Aracajú. Seguimos para o hotel para ver se a mangueira que pedimos pelo correio havia chegado. Como não tinha chegado, seguimos para Maceió, para a Praia do Francês. Fomos por uma estrada alternativa, com um visual muito lindo, muitos lagos e coqueirais. Paramos para almoçar na foz do rio São Francisco, última cidade do velho Chico, cidade de Piacabuçu. Chegamos à Praia do Frances e nos hospedamos por 4 dias. Fomos conhecer a Praia do Gunga, Barra de São Miguel, praia do Francês e a cidade de Maceió.



Praia do Francês
Foto: Idilio Vieira


Voltamos para Aracajú, pois a mangueira já havia chegado de São Paulo. Fomos para o mecânico e logo após o almoço o reparo já havia sido feito. Saímos de Maceió em direção a península de Maraú, na Bahia. Saímos de Maceió, atravessamos Sergipe e pousamos em uma cidade chamada Entre Rios, na Bahia. Ficamos na pousada Lagoa do Cassange, na praia do Cassange. Passamos dois dias e visitamos Lagoa Azul, Jardim das Bromélias, onde existem varias bromélias gigantes, com mais de 2m de altura. O nome " Lagoa do Cassange" é originário da África, pois havia ali um quilombo de negros vindos dessa região. Seguimos para Barra Grande fazer um passeio de barco. Depois de um almoço de lagostas e camarões e muita caipirinha, voltamos para a pousada.



Bromélias gigantes
Foto: Idilio Vieira



Lagoa do Cassange
Foto: Idilio Vieira


Depois de 19 dias longe de casa é hora de pegarmos a estrada e seguir para São Paulo, de volta para a realidade, pois o sonho acabou.

Texto adaptado do diário de bordo de Idílio Vieira, por Renata Oliveira

Para curtir mais algumas fotos desta empreitada pelas veredas do nordeste brasileiro confira nosso FLICKR.

10/3/2010
Parque Nacional Los Glaciares
 

Ao chegarmos em São Paulo no último domingo, dia 07/03, olhamos para o  pôr-do-sol rosado daquela tarde e nos voltou à memória a linda imagem do Fitz Roy, uma imponente montanha de 3375m, localizada na província de Santa Cruz, sul da Argentina, que ao amanhecer se reveste num tom de rosa magnífico, de deixar o cidadão simplesmente sem palavras!


Fitz Roy ao amanhecer.

Foto: Artur Vieira

 

Certamente a imagem do Fitz Roy foi a que mais marcou nossa curta viagem de 10 dias pela Patagônia Argentina e Chilena. Porém, esse não foi, com certeza, o único local visitado em nossa mini expedição, que foi intensamente preenchida com passeios variados. Exploramos o Parque Nacional Los Glaciares fazendo desde um trekking difícil, com mochilas de mais 20kg nas costas, até um divertido passeio de bicicleta nos arredores de El Chalten, nosso primeiro pouso.

 

El Chalten é um povoado com apenas 200 habitantes e é o destino certo de montanhistas do mundo inteiro. Por suas ruas planas é comum ver pessoas de todas as idades com suas mochilas nas costas indo ou voltando dos "senderos" que levam ao já aqui apresentado Fitz Roy, e ao seu vizinho Cerro Torre, montanha com 3.102m. Há opções de trekking de todos os níveis de dificuldade, com possibilidade de fazer bate-volta e pernoitar na cidade. Logicamente decidimos passar 3 noites e 4 dias na montanha.

 

El Chalten

Foto: Artur Vieira

 

Para chegar em Chalten é preciso voar até Buenos Aires (aeroporto de Ezeiza), seguir para outro aeroporto chamado Aeroparque e voar para El Calafate. Após, seguir numa van e rodar mais 220km pela famosa Ruta 40 e pela RP23 chega-se ao povoado. A maioria dos jovens que trabalha nos estabelecimentos de El Chalten (rodoviária, agências, lojas, restaurantes, etc.) são de outras províncias argentinas e vão para lá apenas para trabalhar na alta temporada, que inicia em novembro e segue até metade de março. No inverno a temperatura chega a - 20ºC, tudo é coberto pela neve e restam os nativos para tirar as fotos e expor aos viajantes.

 

Foto feita de dentro da van no caminho para Chalten. Da estrada podemos ver a imponencia das montanhas da região.

Foto: Artur Vieira

 

No primeiro dia de trekking chegamos até a Laguna Torre, de onde temos uma visão espetacular do Cerro Torre. A laguna, onde bóiam icebergs de todas as formas e tamanhos, tem uma cor incrível e é gelada de doer. Só uma senhora (provavelmente da Islândia!) teve coragem de colocar seu traje de banho e dar um mergulho glacial! Vimos de tudo por lá... Nesta noite dormimos no acampamento Agostine, preparamos nossa refeição liofilizada e enfrentamos uma noite fria que fez o termômetro encostar no ZERO! Patagônia é isso aí!

 

Laguna e Cerro Torre

Foto: Artur Vieira

 

No dia seguinte seguimos até o acampamento Poincenot, seguindo pela trilha Madre y Hija, que leva esse nome por margear duas lagunas lindíssimas, uma grande e uma menor... madre y hija! Chegamos ao acampamento cedo, cerca de 16hs. Como nesta época os dias na região se estendem até às 21h e pouco, decidimos explorar outros pontos próximos ao camping. Desta vez, deixamos as mochilas na barraca e fomos circular apenas com os equipos de foto e video. Optamos seguir para a Laguna de los Tres, após perguntar para um ser humano de origem desconhecida (não falava inglês nem espanhol) se a laguna estava próxima, ao que ele respondeu: sim, 20 minutos. Opa, vamos lá! Pertinho...



Laguna Hija
Foto: Artur Vieira

 

Pois bem. Quase 3 horas depois de um trepa-pedra de lascar, subindo sem parar, chegamos à Laguna de Los Tres!! Nossa vontade era voltar só para socar o tal rapaz de língua estranha... mas quando nos deparamos com o Fitz Roy tão pertinho, a vontade foi de agradecer por termos subestimado a trilha e ter assistido a um belo fim de tarde naquele lugar mágico. Com certeza o mais maravilhoso da viagem! Ao lado estava a Laguna Sucia, que vimos apenas de cima, de um verde inacreditável! Uma pena que o avançado da hora, já perto das 20hs, fez com que acelerássemos nossa estada por essas paisagens naturais estonteantes.

 

Subindo para Laguna de Los Tres, ao fundo é possivel ver a Laguna Madre por onde passamos.

Foto: Artur Vieira


Laguna de Los Tres
Foto: Artur Vieira




Laguna Sucia vista de cima
Foto: Artur Vieira


No terceiro dia fomos até o Glaciar Piedras Blancas, seguindo pelas margens do Rio Blanco, também com água geladinha e todo formado com pedras brancas. Aliás, a água que tomamos durante o trekking era deliciosa, como se tivesse acabado de sair do freezer! Fresca, límpida... deixou saudades!

 

A esquerda o Rio Blanco

Foto: Artur Vieira



Renata na parte de trepa pedras, blocos gigantes.
Foto: Artur Vieira



Lago e Glaciar Piedras Blancas
Foto: Artur Vieira


Optamos em não voltar para El Chalten e passar mais uma noite no Poincenot. Vimos e fotografamos um pôr-do-dol atrás da cadeia de montanhas, com calma, e nos preparamos para uma noite frita. Durante o sono, às vezes acordávamos com o barulho do vento e das avalanches, que acontecem a todo tempo.

 

Na volta pata Chalten, quarto dia viagem, foi difícil deixar o Fitz Roy e o Cerro Torre. Olhávamos para trás e era como se as montanhas acenassem em despedida. Embora a viagem estava apenas na metade, deu um aperto no coração em deixar aquele lugar, sem saber quando poderemos voltar. No trajeto passamos pela Laguna Capri, que também tem uma vista deslumbrante do Fitz Roy. Chegamos em Chalten em tempo para o almoço, mas acabamos escolhendo empanadas com chocolate caliente!


Deixando o Fitz Roy, é possivel ver a interminavel subida  que segue em zigue-zague para a Laguna de Los Tres.

Foto: Artur Vieira


Laguna Capri, tempo fechado durante a volta para Chalten.

Foto: Artur Vieira

 

Já chegamos à metade da viagem e decidimos fazer uma caminhada sobre o gelo patagônico. O Parque Nacional Los Glaciares, considerado patrimônio natural da humanidade pela Unesco, tem esse nome justamente pela presença de diversos glaciares.  Escolhemos o Glaciar Viedma, o maior de todos, para realizar essa nova experiência. Saímos da cidade cedinho, navegamos cerca de meia hora pelo Lago Viedma e chegamos ao pé da parede deste glaciar, de onde saltamos, nos preparamos com os""grampones" nos pés e começamos nossa aventura glaciar.

 
Ficamos um pouco frustrados com o passeio, pois pensamos que conheceríamos cavernas de gelo e teríamos outras visões daquele gelo azul que vemos nos cartazes nas agências e que foi vendido para nós. O que vimos foi um monte de gelo empoeirado, sem aquele fascínio da imensidão azul. De qualquer forma valeu a pena a experiência de olhar para os lados e ver apenas um campo de gelo, e sentir o pé encravando uma superfície gelada milenar. Ao final, tomamos um Bayles com gelo de mais de 3000 anos para celebrar a empreitada.


Lago e Glaciar Viedma

Foto: Artur Vieira

 

Visual durante o trekking, imensidão gelada.

Foto: Artur Vieira


Como voltamos para Chalten cedo, alugamos bicicletas e fomos conhecer o Chorrillo del Salto, uma cachoeira formada com água de degelo que fica nos arredores do povoado. O caminho valeu mais do que a cachoeira em si, já que fomos por uma Bicisenda, uma espécie de ciclovia feita em meio às montanhas, sempre com a vista do Fitz Roy e das montanhas cobertas de gelo. Duas horinhas de pedal só para relaxar. Na volta à cidade, delicioso jantar com o tradicional bife de chorizo e papas fritas!


Pedalando pela bicisenda.

Foto: Artur Vieira

 

Chorrillo del Salto

Foto: Artur Vieira


Neste sexto dia de viagem, fomos a um lugar chamado La Loma del Pliegue Tumbado. Segundo o mapa que tínhamos em mãos, a região fica a 1490m de altitude e seria uma caminhada de aproximadamente 3h30, numa ascensão de 1000m partindo de Chalten. Depois das primeiras 2 horas de caminhada, porém, nos deparamos com uma placa bendita que dizia que ainda faltavam 2 horas. O resultado foi uma trilha pra tatu de chuteira de 5h30. Um sendero sem fim, mas que nos levou a outro ponto incrível da viagem, com vista para toda a região do Fitz Roy e do Lago Viedma. Incrível! Para voltar foram mais 3h30, totalizando 9 horas de trilha... exaustivo, mas muito compensador!

 

Falta pouco para o fim...
Foto: Artur Vieira


Visual da Loma del Pliegue Tumbado
Foto: Artur Vieira

Estávamos programados para conhecer outro glaciar, o mais famoso da região, chamado Perito Moreno, cujo acesso é feito por outra cidade. Sendo assim, às 07h30 da manhã do nosso sétimo dia de expedição entramos num ônibus com destino a El Calafate, uma cidade maior e melhor estruturada, por isso mais cheia de gente, carros e barulho. É uma "Campos do Jordão" da Patagônia! Totalmente sem graça, em resumo. Gastamos o dia percorrendo a Av. Libertador atrás de programas para os últimos dois dias de viagem.


Mas foi lá que nos deparamos com agências que ofereciam um passeio full-day para o Parque Nacional Torres del Paine, no Chile. Bate-volta no Chile? Estamos dentro! No dia seguinte, oitavo dia, estávamos novamente dentro de um ônibus, desta vez com destino ao Chile, Parque Nacional Torres Del Paine, onde está um dos trekkings mais belos do planeta (chamado circuito W)!


Viasual do Parque Nacional Torres del Paine.

Foto: Artur Vieira


Depois de 04 horas de estrada, observando a paisagem patagônica e também a fauna local, como os guanacos e zorritos (raposas), e superados os trâmites das duas fronteiras, chegamos ao parque com o tempo totalmente encoberto. Lá fizemos uma caminhada de 2 horas chegando até a alguns lagos aos pés dos Cuernos del Paine, uma linda montanha que apresenta a forma de chifres.


Nesta região tem muitos guanacos, este foi um dos milhares que vimos.

Foto: Artur Vieira

 

Um zorrito visto dentro do parque.

Foto: Artur Vieira


Los Cuernos del Paine.

Foto: Artur Vieira


No nosso nono e último dia em terras patagônicas, celebramos a viagem num lugar incrível: glaciar Perito Moreno! Embora ele tenha menor extensão que o Viedma, suas paredes são muito mais imponentes, chegando a 50m (e até 100m para baixo da água). Hoje o local é totalmente estruturado para os turistas, com restaurante, passarelas e rampas de acesso, etc. Quando Artur esteve em Perito Moreno em 2005, não havia nada disso. A Argentina investe muito mais em turismo do que alguns de seus países vizinhos.


Glaciar Perito Moreno

Foto: Artur Vieira

 

Placa de gelo se descolando do glaciar.

Foto: Artur Vieira


Voltamos para Calafate quase na hora de partir, sobrando um tempo para comprar uns "regalos""para amigos e familiares, que estavam super preocupados por conta do terremoto que atingiu o Chile bem na época de nossa viagem. A volta pra casa traz sempre desejos antagônicos... ficar mais ou voltar para a casa?! O único sentimento em comum é o pesar de voltar para dura realidade da cidade grande, ao stress nosso de cada dia. Bom, mas a nossa vida é meio parecida com um glaciar ou iceberg. 90% embaixo d'água para sustentar os 10% que estão sobre a superfície... Em outras palavras, para desfrutar de uma viagem dessas durante 10 dias, hay que trabajar mucho o ano inteiro! Pero sin perder la ternura! Jamás!

Texto: Renata Oliveira

Confira mais algumas fotos em nosso FLICKR.
10/1/2010
Jalapão

O Jalapão, localizado do estado do Tocantins (a 300km da capital Palmas), é um lugar cheio de curiosidades. Conhecido como o "deserto brasileiro", o Jalapão recebe seus visitantes com suas belas dunas de areias, nascentes de águas borbulhantes, imponentes chapadas e com a beleza reluzente do capim dourado.


A região do Jalapão faz fronteira com os estados da Bahia, Piauí e Maranhão e durante muitos anos foi uma ilustre desconhecida dos turistas. Talvez seja por isso que até hoje a infra-estrutura é péssima, com pouquíssimas (e muito ruins) opções de hospedagem e restaurantes. As "civilizações" mais próximas ao Jalapão são os municípios de Mateiros e Ponte Alta, este último é o portal do Jalapão.


Cerrado, Dunas e Chapadas...Jalapão.

Foto: Idilio Vieira

 

Mas para nós isso não é problema! Quanto mais capenga e improvisada a estadia, mais nos sentimos ambientalizados com o povo e a cultura local. O que nos atrai é o visual da natureza, não o paisagismo artificiais dos hotéis! Por isso que para nós o Jalapão é um oásis!

 

As trilhas que nos levam aos atrativos locais variam entre um areião fofo e uma terra avermelhada que levanta uma poeira brava. Ao lado sempre a vegetação típica da região do cerrado, um capim rasteiro, solo árido, algumas chapadas despontam no horizonte... e está formado o cenário típico do Jalapão!


''Tomatinha puxando o carro que estava atolado.                                                                                             Foto: Idilio Vieira


A Cachoeira da Velha é uma surpresa em meio a tanta aridez. Um incrível volume de água, numa queda de 20m de encher os olhos! A paisagem se altera bruscamente e nos faz esquecer que estamos no deserto. Assim também é na Cachoeira da Formiga. A composição de minerais presentes na areia torna a água azul, azul como se fosse uma piscina azulejada. Coisas do Jalapão!


Cachoeira da Velha

Foto: Idilio Vieira


Cachoeira da Formiga.

Foto: Idilio Vieira

 

Os Fervedouros, nascentes na areia de águas cristalinas e borbulhantes, nos proporcionam uma sensação incrível! Quando mergulhamos nos lagos formados pelas nascentes, logo somos lançados para a superfície... a água faz com que as pessoas flutuem! Uma experiência inesquecível.


Fervedouro.

Foto: Idilio Vieira

 

Fomos, ainda, visitar o bairro de Mumbuca, onde está situada uma comunidade muito carente, que se sustenta com o artesanato produzido a partir do capim-dourado. São peças simples, bastante rústicas, mas feitas com este material "sagrado" da região e do suor desses sertanejos. No local, as peças podem ser adquiridas por preços bem convidativos. Percebe-se que ali o intuito é vender e ganhar para o próprio sustento dos artesãos e da cooperativa que eles próprios administram.

 

Crianças do Jalapão, bairro Mumbuca.

Foto: Idilio Vieira


O absurdo é chegar na capital Palmas e ver as mesmas peças custando cinco ou seis vezes mais. Uma bolsa pequena que se compra por R$25,00 na comunidade, em Palmas não é vendida por menos de R$150,00. Quem seria o intermediário que lucra tanto às custas das mãos das senhoras e crianças artesãs de Mumbuca ?? Revoltas à parte, vale a pena conhecer a comunidade, passar uma tarde com a garotada e fomentar o comércio local adquirindo algumas peças deste material tão valioso na natureza e de beleza ímpar.


Capim Dourado.

Foto: Idilio Vieira

 

No Jalapão também há dezenas de pequenas e aconchegantes praias de água doce, sempre rasas e de águas calmas, que caem bem depois de algumas dezenas de quilômetros de terra vermelha e areião pesado. Cuidado com as praias de fácil acesso, pois tudo que é fácil para chegar atrai gente, e a aglomeração de pessoas torna qualquer lugar barulhento e chato. O conselho é evitar atalhos, seguir pelo caminho mais difícil, pois a recompensa é chegar num lugar tranqüilo, silencioso e limpo, onde se pode contemplar a natureza, meditar, fotografar, absorver o melhor do local para manter na mente todas essas paisagens inesquecíveis e as maravilhas do nosso deserto brasileiro.


Idilio e Zé Carlinhos na praia de água doce.

Foto: Osvaldo Kashino


Texto: Renata Oliveira

Confira mais fotos do Jalapão em nosso FLICKR.

15/12/2009
Pico dos Marins, 2420m.

 

Essa aventura começou por acaso, numa tarde de sábado em que Artur navegava pela internet e se deparou com o twitter do Eliseu Frechou perguntando se "alguém estava a fim de fazer um bate e volta no Pico do Marins". Artur rapidamente contatou "as bases" para checar se podia aceitar o convite do Eliseu, que não conhecia o Pico e precisava de alguém que conhecesse o caminho para guiá-lo até lá. Topei, topamos e caímos na estrada!

 

O Pico dos Marins é a montanha mais alta do estado de São Paulo com 2420m e fica na Serra da Mantiqueira, divisa com Minas Gerais. A região é deslumbrante!

 

E foi por isso que saímos de casa às 4h da manhã, enfrentamos o sono e a chuva na estrada para estar neste lugar incrível, na companhia do casal Eliseu e Beth Frechou, que tornaram a roubada mais agradável! Encontramos a dupla animada às 6h da manhã, na saída 51 da Via Dutra, entrada para o município de Piquete - SP. Seguimos uns 20 Km por uma estradinha de interior, asfaltada mas de curvas perigosas, e mais 20km por Estrada de terra, seguindo sempre sentido "bairro dos Marins". Nosso destino era o Acampamento Base Marins, onde encontramos o Milton, grande figura que é o guardião da trilha.


A montanha vista da estrada, sempre em destaque.

Foto: Artur Vieira

 

Começamos a caminhar às 07h30, com o tempo fechado, muita névoa, mas tínhamos esperança de que o tempo pudesse abrir no decorrer da trilha. A trilha começa em mata fechada, depois segue numa estradinha de terra que passa pelo Morro do Careca, 1808m, e logo dá início aos trepa-pedras e campos de altitude que vai nos levar ao pico. E bota trepa-pedra nisso! Foram 4 horas de perrengue até próximo ao cume, com algumas paradas para recuperar o fôlego e fazer fotos. Mas a vista não era muito animadora...


Beth caminhando no trecho de mata fechada.

Foto: Artur Vieira

 

Tempo sempre fechado, Beth, Renata e o Snoopy.

Foto: Artur Vieira


Sobe...sobe e sobe...

Foto: Artur Vieira


Alguns trechos mais delicados como as "escalaminhadas" injetavam uma boa dose de adrenalina.

 

Uma presença importante no trekking foi o Snoopy - nome que o Eliseu deu ao beagle do ''Miltão'' que nos acompanhou o tempo todo. Ele era valente nas subidas, mas na hora de descer um trecho mais complicado o cãozinho travou e tivemos que ajudá-lo a passar o crux.

 

Infelizmente, ao chegarmos a uns 200m do cume a chuva apertou e não conseguimos encontrar a trilha que segue por uma rampa de pedra! A chuva veio com vontade e fez com que o grupo tirasse das mochilas os anoraks (casacos impermeáveis que protegem da chuva e do vento) que são produzidos com cada vez mais tecnologia, mantendo o cidadão seco e aquecido mesmo debaixo de chuva pesada.

 

A chuva também traz alguns riscos na montanha: alto risco de raios por ser uma área descampada, as rochas ficam lisas, as vegetações nas rochas se soltam e tudo fica propício para um escorregão ou até uma queda mais séria. Por isso, prudentemente resolvemos voltar e deixar para outro dia a ascensão ao Pico dos Marins. A volta também seria complicada, pois o nevoeiro estava cada vez mais denso, o que dificulta muito a navegação. A solução foi consultar o GPS que ajudou a encontrar a trilha de volta. Às 16hs estávamos de volta no acampamento base e fomos recebidos com um delicioso chá quente adoçado com mel, que o Miltão carinhosamente ofereceu ao grupo.


Descida delicada.

Foto: Artur Vieira


Estar na montanha traz sentimentos contraditórios aos seus freqüentadores. Tem hora que a gente pensa "o que eu estou fazendo aqui???", mas é só o tempo abrir e os vales maravilhosos se apresentarem que todo o cansaço e stress dão lugar a uma sensação de liberdade e conquista que só quem tem o pique de encarar 9 horas de caminhada, num dia de chuva, é capaz de descobrir. Ainda mais hoje em dia que pessoas passam mais tempo viajando e discutindo através da internet e poucos deixam a zona de conforto para entrar no perrengue.


A galera depois da roubada..Beth, Eliseu, Negão, Milton, Renata e Artur.

Foto: Snoopy


Mas para que vocês conheçam a região, aqui vão umas fotos que o Artur fez numa outra ocasião, em que ele e o grande Fernandinho fizeram a travessia Marins - Itaguaré, em 2 dias de caminhada. Os dois tiveram sorte, com direito a pôr-do-sol, vales descobertos e tudo mais.



Pico dos Marins, 2420m.
Foto: Artur Vieira


Itaguaré ao fundo com 2308m.

Foto: Artur Vieira


Acampamento no cume do Marins.

Foto: Artur Vieira



Visual durante a travessia.
Foto: Artur Vieira


Aqui você pode conferir algumas fotos no blog do Eliseu!
Confira mais fotos em nosso FLICKR!

Texto: Renata Oliveira

16/11/2009
Serra do Cipó

Uma trip para a Serra do Cipó! Foi para lá que decidiram ir Idilio, Mauricio e Mineiro. Depois de vários dias de stress em seus trabalhos resolveram dar uma pausa e seguir para o "Cipó''.

 

Saíram de São Paulo e a primeira parada foi em Belo Horizonte-MG para encontrarem o Highlander,  o cara que guiou a expedição pela Serra.

 

De BH rumaram em direção ao Parque Nacional, acamparam próximo à portaria do parque e no dia seguinte começaram a viagem pra valer, buscando o primeiro objetivo: fotos na estátua do Juquinha.


Primeiro acampamento regado á vinho portugês.
Foto: Idilio Vieira.

 

Juquinha foi um lendário personagem da Serra do Cipó, andarilho que lá morava e presenteava os visitantes com flores. Em troca acabava ganhando alguns utensílios domésticos e até mesmo comida. Em 1987 ergueram a estátua para materializar a memória desse figura, eternizando o grande Juquinha.


Parada para foto no Juquinha.

Foto: Highlander