24/11/2011
Pantanal 2011

Muitos preparativos, grande ansiedade, finalmente o dia da partida. Idílio e Maurício já se encontravam ao lado da Land-Rover 110 quando cheguei às 4:45 do dia 19/set/2011, à frente do Bar de Aventuras Quioscão na Av. Engº Caetano Álvares na Casa Verde. Idílio e Mauricio comerciantes locais e eu, Valter, arquiteto aposentado. Às 5:00 horas da manhã, malas e equipamentos prontos, foi dada a largada para mais um sonho.

Rumamos para a Rodovia Castelo Branco, até seu final, Rodovia Engº João Batista Cabral Rennó e seguimos à NE na Rodovia Marechal Rondon até entrarmos em Mato Grosso do Sul cruzando o Rio Paraná. De Três Lagoas a Campo Grande daí até Miranda. Uma puxada de aproximadamente 1350 km. Já na entrada da cidade conhecemos uma pousada ecológica , onde se percorre a mata circundante até o rio Miranda por sobre passadiços de madeira, o que nos possibilitou o contato com variada gama de pássaros. Dormimos em Miranda.

No segundo dia (20/set) saímos em direção à Corumbá, em estrada de asfalto, já tínhamos referências do desabamento de duas pontes na estrada parque, o que viria a impedir nossa travessia.

No entanto a estrada que liga Miranda a Corumbá, de onde deriva a estrada parque, achava-se ladeada por restingas de água, onde pudemos tomar contato pela primeira vez com a fauna local. Muitos jacarés e inúmeras aves. Reflexo da estiagem prolongada. À essa época já deveríamos estar com chuvas, mas tal não aconteceu.






Nas pequenas lagoas que se formavam, em nível mais baixo que a estrada, muitos peixes aprisionados, eram presas fáceis para os predadores. A falta de oxigenação da água provoca a morte de muitos peixes e outros organismos. Constatamos até vários jacarés mortos. Tal fato faz com que tais lagoas exalassem um odor fétido. Por outro lado, fomos premiados com uma visão maravilhosa, de um imenso ninho de Tuiuiús à beira da estrada. Nesse ninho havia uma família com 4 Tuiuiús. Foi a festa, Idílio e Maurício sacaram dezenas de fotos de todos os ângulos. Prosseguindo descobrimos novo ninho de Tuiuiús, novamente dezenas de fotos. Nesse mesmo caminho, em direção à estrada parque, nos defrontamos com milhares de pássaros, tais como: garças, biguás, andorinhas, caracarás, gaviões e outros pássaros menores.


Prosseguimos em nosso objetivo, como tínhamos informações quanto às condições da estrada, resolvemos tomá-la em sentido  contrário, ou seja, a partir de Corumbá seguimos nesse sentido até a localidade de Porto da Manga junto ao Rio Paraguai. Neste local pudemos observar a Casa do Telégrafo do Marechal Rondon

Na travessia em balsa (através do rio Paraguai) cruzamos com uma barcaça formada por dezesseis outras barcaças que, segundo os locais, transportava minérios para a cidade Rosário (vila de Rosário?) no Paraguai, sendo que cada barcaça pesa em torno de 1800 T.

Nossa estrada agora rumava em direção à localidade de Curva do Leque, até o bar do Quequé, de onde pretendíamos ir para Porto Jofre às margens do Rio São Lourenço/Cuiabá.  No entanto tal travessia deveria  ser feita com um guia já que os caminhos se desdobravam para dar acesso às inúmeras fazendas locais.

Era necessário também que se transportasse combustível suficiente para tanto.

Embora estivéssemos com o tanque da Land quase cheio, não arriscaríamos nos perder na mata, pois não achamos nenhum guia nem tínhamos um mapa confiável da região (se é que existe). Optamos por voltar pelo mesmo caminho via estrada parque e rodovia Corumbá-Miranda.

Na volta em meio a estrada parque (em terra) pudemos observar apenas alguns pássaros e raras capivaras, talvez por conta da estiagem a fauna havia sumido.

De volta a Miranda, seguimos pela BR 419 em direção à Rio Verde onde almoçamos, daí a Rondonópolis e Cuiabá onde jantamos e em seguida até Poconé onde pernoitamos.

Nesse trecho observamos as grandes fazendas da agroindústria, que exploram a terra com plantações de soja, milho, algodão numa avidez que incorpora até mesmo as faixas de domínio às margens da rodovia. Nessas fazendas não há nenhum elemento de porte arbóreo ou mesmo arbustos, tudo foi destruído em prol do cultivo extensivo dos alimentos citados. Apenas junto às sedes ou usinas, encontramos pequenos grupos de árvores.

Não há vida quer da flora quer da fauna naturais, que foram expulsas pela ganância capitalista. Tais terrenos quando esgotados em suas capacidades de produção (forçados por insumos agrícolas) serão possivelmente abandonados. No momento já sofrem a ação de um sol inclemente, que queima a camada fértil (húmus), o que prenuncia um dos maiores desertos da terra. Ficamos tristes.

A estrada é um "continuum" de caminhões, enormes com duas ou três carrocerias agregadas, são os bi-trens e os treminhões. Tantos que em Cuiabá nos informaram que pesquisas recentes constataram a presença de mais de 900 caminhões por hora.

Jantamos em Cuiabá, daí seguimos em direção à Poconé cidadezinha na boca da Transpantaneira a mais ou menos 150 km de Porto Jofre.

Transpantaneira, rodovia que deveria ligar Porto Jofre à Corumbá por sobre o rio São Lourenço/Cuiabá. No entanto termina às margens desse mesmo rio.

De Poconé até Porto Jofre, trafega-se pela Rodovia Transpantaneira através do pantanal Matogrossense, bio reserva mundial da fauna e flora brasileiras.

Entrementes verificamos que afora algumas aves como os cardeais, andorinhas de rabo tesoura, curicacas, canários da terra, caracarás e outras pequenas aves, nada havia no Pantanal. Apenas o sol insistia em queimar os matos e árvores retorcidas típicas do cerrado. Nas poucas poças de água parada encontramos alguns jacarés e uma ariranha que foi fotografada e devidamente catalogada para a posteridade.

Mas apesar da escassez de animais terrestres conseguimos avistar, por alguns instantes, um veado galheiro (veado campeiro?) que com a aproximação do carro afastou-se em desabalada carreira por entre as árvores.

A Transpantaneira causou-nos uma certa decepção pois quase nada havia da fauna e quanto a emoção de off-Road verificamos que todas as pontes de madeira (exceto uma) haviam sido refeitas. Adeus emoção.

Atingimos as margens do Rio São Lourenço/Cuiabá em Porto Jofre, onde a grande atração ocorreu por conta de um casal de araras-azuis, que ali vivem no oco de uma árvore. Mil fotografias, e elas pousavam para as fotos sabendo-se admiradas.

Almoçamos à beira do rio, peixe frito com cerveja. Após o almoço, encetamos viagem de volta, onde a tarde nos brindou com um maravilhoso por de sol. Um disco rubro, típico das estações secas, paramos para admirar e promover nova seção de fotos.

De volta a Poconé no mesmo hotel anterior, onde após um lanche, dormimos o sono dos justos.

De Poconé à Chapada dos Guimarães

Nossa falta de organização, da expedição nos deixou à mercê das burocracias locais, no que tange às permissões para o Parque Nacional e a contratação de um guia local.

Perdemos muito tempo junto aos órgãos oficiais/agencia de turismo, que não conseguiam encontrar um guia embora já tivéssemos pago pelos serviços. O guia foi encontrado por volta das 11:30 hs, perdemos toda a manhã para as fotos.

Chegamos ao Parque Nacional Chapada dos Guimaraes mais ou menos as 12:00 horas com o sol a pino. O que obrigou a mim desistir em meio a caminhada rumo ao ponto em que se avistada a chapada. Voltei ao carro estacionado em meio caminho, sob um pé de pequi, pois estava prestes a sofrer uma enorme insolação.

Após esse incidente o guia nos levou para visitar uma clareira banhada pelo rio Claro, local de grande beleza.

Lázaro, era esse o nome do guia, nos levou então à famosa cascata Véu de Noiva (nome pouco original) com 86 m de altura, palco de um acidente fatal que veio a interditar todo o Parque Nacional Chapada dos Guimaraes, por três anos. Tendo sido liberado apenas algumas atrações p/o público, muito recentemente.

Tal fato deveria constar em todos os guias (4 rodas e outros) inclusive nos sites do Parque Nacional, avisando assim a população para que não invista em uma viagem perdida, pois as principais atraçõs estão fechadas a três anos.

DOS GUIMARÃES ÀS EMA

A Chapada dos Guimarães voltamos à rodovia onde um sem número de caminhões nos aguardava. Entramos na fila e ombreados pelas fazendas de cana ou algodão, (onde se pode ver o algodão enrolado e embalado em plásticos em enormes rolos à beira da estrada). Novamente trata-se da agro-industria.O numero de treminhões na estrada não deixa dúvidas. Tudo é dinheiro.

Mas ao tomarmos o caminho que nos levaria a Primavera do Leste e posteriormente ao Parque Nacional das Emas em Goiás, passamos pela Cachoeira da Martinha no município de Campo Verde. Uma pequena cachoeira (quase uma corredeira) sem nenhuma restrição de acesso. o que se verifica pelas inúmeras latas de cerveja e refrigerantes e sacos plásticos e outras embalagens deixadas pelo caminho.



Nota-se que ainda e apesar de tudo não há um a consciência ecológica.

Voltamos para a rodovia após tradicional sessão de fotos e nos descobrimos no caminho errado. Melhor assim, apesar de todos os contratempos do transito conhecemos a cidade de  Jaciara onde constava no mapa a Cachoeira da Fumaça a 11 km do centro. Local de pouca visitação e de esportes radicais (rapel, cascading, boia-cross, etc). Paga-se simbolicamente (R$ 5,00) cinco reais para adentrar às cachoeiras com um guia local. Note-se que são na verdade 04 cachoeiras. A visão em conjunto  das cachoeiras é de tirar o fôlego, suas águas límpidas nos permite uma visão do leito do rio Tenente Amaral . Visão magnífica que fica em nossa memória.

Na volta à São Paulo, pela rodovia Washington Luiz, após quase 5500 km rodados e as costas cansadas e as pernas inertes, já em casa dormimos e sonhamos com um Brasil exuberante que os portugueses aqui acharam..

Fotos: Idilio Vieira

Texto: Walter Pinto

Confira mais fotos em ... Flickr - Pantanal

6/4/2011
Monte Roraima - Venezuela

O fascínio do Monte Roraima tem atraído montanhistas do mundo inteiro a superar todas as dificuldades da instabilidade climática da região e caminhar sobre o seu imenso cume.

Considerado uma das formações geológicas mais antigas do planeta, com cerca de 2 bilhões de anos, o Monte Roraima se desponta em meio a chamada "Gran Savana", na Venezuela, formada por uma vegetação rasteira que possibilitou a demarcação de uma trilha até à base da montanha.
Está na tríplice fronteira entre Venezuela, Brasil e Guiana Inglesa e é considerado a 7ª montanha mais alta do Brasil.

Em fevereiro de 2011, nosso grupo formado por Idílio e Artur Vieira, Renata Oliveira e o carioca Fred Campos desafiou a ira da montanha e conferiu de perto todas as singularidades deste lugar incrível. As caminhadas foram exaustivas, a chuva não deu trégua, mas todos fomos recompensados pela indescritível sensação de estar lá em cima.
Agora vamos ao que interesse, ou seja, fotos e todos os detalhes do perrengue em nosso roteiro dia-a-dia:

Dia 01: deslocamento de Boa Vista-Brasil, passando pela fronteira Brasil-Venezuela (necessário passaporte + vacina contra febre amarela) e chegada à cidade de Santa Helena de Uiarén, onde encontramos nosso guia Alvan, um simpático guianês, e seguimos até a aldeia Paray-Tepuy a bordo de uma "agressiva" Toyota Land Cruiser. Lá contratamos 02 carregadores para nos ajudar a levar os 25kg de comida, barraca e a cargueira do Idílio, que decidiu subir leve, carregando apenas o equipamento fotográfico. Nesse mesmo dia, por volta das 13h, saímos em direção ao acampamento Tek, onde pernoitamos. Antes do jantar tomamos um banho no Rio Tek. Foram 4h de caminhada embaixo de chuva; a trilha segue entre colinas de vegetação rasteira típica da Gran Savana; ainda não conseguimos ver os tepuys Kukenan e Roraima, que, em tese, estariam bem a nossa frente...

Ponto final do carro e começo do trekking, Aldei AParay Tepuy.
Foto: Idilio Vieira

Primeiro dia, 14km. Alguns Porteadores usam bicicleta neste trecho.
Foto: Artur Vieira

Acampamento Rio Tek, amanhecer no segundo dia de trekking.
Foto: Idilio Vieira

Dia 02: Deslocamento até o acampamento base. Saímos às 8hs, e chegamos por volta das 14hs. O percurso é semelhante ao do dia anterior, mas já há maior ascensão e as subidas castigaram. Embaixo de chuva... pior! Banho congelante e jantar na lama, sob uma tenda esburacada que não ajudou muito. Chamou nossa atenção a quantidade de turistas que fecham os pacotes "all inclusive", com guia, porteador, comida, equipamentos de camping, tudo o que é necessário para a roubada. Dinamarqueses, japoneses, americanos e, claro, os venezuelanos marcaram presença. Encontramos apenas dois grupos de brasileiros.

Renata a aproximadamente uma hora do Campo Base
Foto: Artur Vieira

Visual do Campo Base
Foto: Artur Vieira

Fred na nossa cozinha do Campo Base, muita lama.
Foto: Idilio Vieira

Dia 03: O topo!! Do acampamento base víamos parte da trilha em meio a um tipo de vegetação completamente diferente, típica de solo úmido. O Roraima e o Kukenan apareceram por alguns minutos de manhã, mas, logo se esconderam. Caminhamos, ou melhor, trepamos a trilha o tempo todo sem avistar os paredões, que já estavam muito próximos!! De repente, eles aparecem! Conseguimos tocá-los e constatar que eles existem... não era uma miragem! Felicidade do grupo em chegar ao cume e pernoite no hotel Principal em frente ao Maverick, onde está o ponto mais alto do tepuy (2800m). A temperatura de 10ºC e o tempo nublado não foram convidativos a observar as estrelas. Corremos para a barraca.

Visual do Campo Base, M. Kukenan ao fundo e M. Roraima a direita.
Foto: Idilio Vieira

Monte Roraima visto do CB, destaque para a trilha que segue pela direita da foto. Subida para tatu de chuteira.
Foto: Artur Vieira

Primeira hora de caminhada no topo do tepuy.
Foto: Idilio Vieira

Maverick visto das proximidades do Hotel Principal na quarta manhã de trekking.
Foto: Artur Vieira

Dia 04: Caminhada pesada até o hotel Coati, mas reveladora da grande e indescritível beleza lá de cima. O trekking foi um misto de trepa-pedras com travessia de regiões pantanosas, sujeita a atolamentos até o joelho. Chegamos até o Ponto Tríplice, embaixo de chuva, e seguimos de pressa até o hotel para nos abrigar. O hotel Coati é uma gruta linda e a luz do fim de tarde o transformou em cena de cinema. Uma brecha na chuva nos fez caminhar até o Abismo e curtir um pôr-do-sol nesse mirante com vista para o Roraiminha. 

Trecho bem molhado no topo do Roraima.
Foto: Idilio Vieira

No topo do tepuy.
Foto: Artur Vieira

O grupo no Ponto Tríplice 
Foto: Idilio Vieira

Hotel Coati
Foto: Artur Vieira

Monte Roraiminha visto do abismo.
Foto: Idilio Vieira

Dia 05: Dia cheio de atrações! Deixamos as mochilas no hotel Coati e caminhamos leves até o Lago Gladys e à Proa. Depois de passarmos muito protetor solar com o aparente dia de sol que teríamos pela frente, voltamos a tomar nossa chuva de cada dia. O Lago Gladys encanta pelas dimensões e, principalmente, pelo lugar onde ele foi aparecer! A Proa ficou para outro dia... o mau tempo não nos encorajou a encarar uma arriscada descida pela corda não muito confiável do nosso guia. Ficamos devendo! Mas chegamos muito perto... 

Caminho para o outro lado do monte, meia hora de sol e depois CHUVA!!!
Foto: Artur Vieira

Lago Gladys
Foto: Idilio Vieira

Destroços de um dos helicópteros que caíram no topo do monte.
Foto: Idilio Vieira

Dia 06: Hoje o dia teve uma aura mística com a passagem pelo Vale dos Cristais! Um encantador cenário, mas que deu dó ao ouvir o barulho dos cristais se partindo a cada passo que dávamos. O lugar deveria ser lacrado!! O tom da magia se foi depois de pegarmos a pior chuva e, também, um dos dias mais cansativo de trilha. Voltamos ao hotel Principal, mas, como não fizemos "reserva"... não havia vaga! Ficamos então alojados em outra gruta. Chegamos exaustos, encharcados e famintos! Pernas inchadas, surtos e mau humor. O frio e a chuva cresciam lá fora!

Vale dos Cristais
Foto: Artur Vieira

El Fosso, paramos para dar um mergulho e fazer um lanche.
Foto: Idilio Vieira


Chegando ao Hotel Principal depois de sete horas de trekking embaixo de chuva.
Foto: Idilio Vieira

Dia 07: Exaustos, acordamos. Colocamos as meias molhadas, as botas molhadas, as calças molhadas e as camisetas molhadas. Preparados para mais um dia de chuva, iniciamos a descida. Devagar e sempre, agora eram os joelhos que inchavam (não de todos, apenas o meu). Cuidado na descida, tudo escorregava. Depois de 6 horas de caminhada, chegamos novamente ao acampamento Tek. O rio tranqüilo em que tomamos banho estava "crescido", como eles dizem lá, e as trilhas por onde caminhávamos viraram riachos. A comida já chegava ao final e as combinações não ficaram tão boas (feijoada em lata com strogonoff liofilizado). 

Passo das Lagrimas
Foto: Artur Vieira

Dia 08: Renovados com a boa noite de sono, despertamos antes das 6hs e já começamos a nos preparar para o último dia. A fisioterapia com água gelada no rio Tek aliviou o inchaço dos joelhos, que já sabiam o que esperava por eles. O sobe e desce das colinas até a aldeia Paray-Tepuy, no meu caso, travou minhas articulações e cheguei a passos lentos, quase 6 horas depois. Sem pressa. O que queríamos era chegar na hora do almoço, para saborearmos a culinária interiorana da Venezuela, na comunidade de São Francisco, onde compramos "artesanias" e adquirimos um "guaiare" (cesto feito de palha utilizado pelos indígenas nativos para carregar os mantimentos e equipamentos de camping dos turistas até o topo. Levado nas costas, como uma mochila, também é utilizado para levar crianças) como uma das principais lembranças da viagem. 

A volta para cidade...
Foto: Idilio Vieira

A principal lembrança, sem dúvida, foram as imagens e a experiência do perrengue, que acrescentou em nossa formação de montanhistas a certeza de que a montanha sempre tem algo a nos ensinar. Desta vez, aprendemos que, por mais planejada que seja uma viagem, a força da natureza é soberana e implacável. O homem deve se reduzir a sua insignificância e suportar calado as reações da natureza e, simplesmente, sentir-se feliz por ter a oportunidade de interagir com toda essa energia.

Texto: Renata Oliveira



7/2/2011
Namibia - Africa

O sonho de conhecer a África sempre permeou o imaginário dos três personagens desta expedição e cada um o realizou ao seu tempo. Idílio Vieira, após ter percorrido de 4x4 o continente sul-americano de ponta a ponta, resolveu atravessar o oceano e ir conhecer os encantos sul-africanos. Para isso, convidou o amigo Rogério e decidiram partir para esta aventura.


Inicialmente, a dupla pensou em ir para a África, alugar um 4x4, abrir o mapa e ir em direção aos principais parques nacionais da Namíbia, destino africano selecionado. Mas, semanas antes da viagem, eles conheceram Davi Ribeiro, que morou na África a trabalho e teve a oportunidade de conhecer profundamente as tribos, os dialetos, a história e geografia do País. Assim, o trio estava fechado, o destino traçado e todos ansiosos para desbravar a savana africana, com toda a riqueza da cultura e beleza natural.


Ao chegarem à capital da Namíbia, Windhoek, notaram que esta bela cidade com cerca de 800 mil habitantes é organizada, limpa, com ares de primeiro mundo. Lá os viajantes se fartaram com a excelente culinária local, com destaque para as caças e o tempero marcante.


A opção foi fazer um safári diferente dos convencionais, nos quais os viajantes são levados apenas a parques para observação de animais e em algumas tribos para contato com os nativos. Antes de decidirem pelo roteiro da viagem, diversas agências de turismo na Namíbia foram consultadas e todos ofereciam as mesmas atrações. Por isso, com base no conhecimento do Davi foi traçado um roteiro personalizado, passando por tribos distintas e parques cheios de curiosidades.


A viagem foi feita a bordo de uma Toyota Hilux 4x4 alugada em Windhoek, equipada com barracas de camping, fogareiro e outros itens necessários para acampamento. Afinal, durante toda a expedição as pernoites foram feitas em camping ou nas portarias dos parques. Por isso, antes de partirem, fizeram uma compra caprichada no supermercado, onde puderam notar a grande a variedade de produtos importados.



O primeiro destino marcado no mapa foi o Parque WATERBERG PLATEAU, a 280km ao norte da capital, onde se destaca a discrepância entre a vegetação verdejante que cresce na montanha e todo o cenário árido que cerca a região. Neste parque a visita foi guiada a bordo de uma Land Rover Defender e vários animais, como girafas, babuínos e antílopes puderam ser observados, inclusive pegadas de dinossauros. Nesta noite acamparam na portaria do parque e passaram muito frio à noite, em contraste com o calor que encararam durante o dia. É o clima do deserto.





A próxima parada foi o parque CROCODILE RANCH, seguindo pela Rota 81, ainda ao norte. O parque fica na cidade de Otjiwarongo e lá são abatidos crocodilos para exportação. Obviamente que o menu do dia foi carne de crocodilo, após terem conhecido detalhes da criação deste animal fascinante.



Mais adiante seguiram para o CHEETAH CONSERVATION FUND, um centro de conservação de guepardos, o mais rápido animal terrestre, podendo alcançar a velocidade de 115km/h. O passeio pelo parque foi feito num jipe aberto facilitando a vida do fotógrafo do grupo, Idílio Vieira.



Após o primeiro contato com a fauna e flora africanas, seguiram viagem até a tribo dos BUSHMAN, para conhecerem de perto o estilo de vida deste curioso povo de estatura pequena, se comparados com outras etnias. São um povo de caçadores nômades do deserto do Kalahari. Por viverem em uma região muito seca na Namíbia, eles foram obrigados a desenvolver engenhosas técnicas de plantio. A água é obtida de raízes e tubérculos e o fogo ainda é feito artesanalmente, riscando uma pedra na outra. A vivência na tribo foi muito enriquecedora, pois puderam observar hábitos do cotidiano, danças típicas e a confecção de artesanatos, trazidos para o Brasil aos montes.




No trajeto até a próxima parada passaram pelo local onde está o maior meteorito que já se chocou com a Terra, há 80 mil anos atrás. O meteorito de 50 toneladas, 3m de largura e 1m de altura, foi descoberto por Jacobus Hermanus Brits, em 1920, e em 1955 foi declarado monumento nacional.


Chegaram a um dos mais famosos atrativos da África, o PARQUE NACIONAL ETOSHA, e desde a entrada começaram a ver vários animais como guinus, zebras, leões, elefantes, girafas, emas e muitas outras espécies de menor porte. A sensação de ver esses animais em seu habitat natural é indescritível e, mesmo com o calor, é fácil passar horas observando o comportamento de cada espécie. Notaram, por exemplo, como é notório o medo que todos sentem das leoas e leões, aguardando horas os poderosos felinos se distanciarem do riacho para que pudessem se aproximar e matar a sede.





O grupo teve o privilégio de ver um bando de 13 leoas, denominado de super bando, o que é muito raro. Além de elefantes brancos, zebras em conflitos, enfim, percorreram os 100km do Etosha a se deleitar com o mais importante cartão postal da África: os animais selvagens.


Ao deixarem o Etosha, seguiram rumo à tribo HIMBA, muito famosa pelas "mulheres de vermelho", que têm o costume de passar na pele um óleo avermelhado (uma mistura e banha de boi e o pó de uma argila local) que deixa todo corpo e cabelo completamente vermelhos. Foi espetacular conviver com essas pessoas que sobrevivem em uma região bastante selvagem da Namíbia.




No trajeto ao saírem da tribo Himba, observaram um Baobá, árvore cujo tronco pode alcançar até 7m e armazenar cerca de 120mil litros de água. As estradas na Namíbia são muito boas, mas perigosíssimas, considerando que se pode trombar com uma girafa no meio do caminho. Logo no início da viagem um guinu atravessou na frente da Toyota e quase capotaram. Todo cuidado é pouco! Além da adaptação para dirigir do lado esquerdo, observando as regras da "mão inglesa".



No dia seguinte chegaram ao parque SKELETON COAST, que leva esse nome devido ao número de carcaças (esqueletos = skeleton) de navios e mineradoras de diamantes. Interessante comentar que o acesso à área de extração de diamantes é totalmente restrito e há várias placas proibindo a passagem. Quem se aventuraria a não obedecer e procurar problemas com o "pessoal" do diamante?



Caminhando pelo parque na costa da Namíbia, chegaram a um deserto de sal incrível. Na beira da estrada os locais vendiam colocam pedras de sal à exposição para os turistas levarem, desde que depositem uma moedinha no cofre. Neste mesmo parque havia milhares de focas, uma praia totalmente repleta delas.



Após, seguiram viagem até o parque NAUKLUFT, um dos maiores parques nacionais da áfrica. Lá havia um curioso museu do automóvel a céu aberto com carcaças de carros antigos e até uma antiga bomba de gasolina. Também neste parque outro ponto alto da viagem: as dunas de SOSSUSVLEI, que chegam a 300m de altura. À noite no acampamento ventou muito e a sensação era de que o carro poderia tombar a sair rolando pelas dunas. Valeu a pena o acampamento próximo às dunas, para que pudessem ser fotografadas nas primeiras luzes da manhã.


       

     


De lá seguiram para LÜDERITZ, uma cidade portuária de onde Amyr Klink partiu quando fez a travessia África-Brasil. Nesta localidade o grupo alugou um catamarã e passou a tarde observando golfinhos, orcas, pingüins e flamingos. Saindo de Lüderitz passaram pela região onde há uma floresta de árvores chamadas KOKERBOOM, ou "Quiver Tree", cuja forma é bastante peculiar. Também puderam avistar curiosas formações rochosas, fósseis e as simpáticas suricatas, eternizadas na memória de todos por estrelarem a animação da Disney, O Rei Leão.


      


Depois de rodarem 5.000km por este encantador país, a vontade de cada um dos participantes é de voltar e conhecer outros povos e observar diferentes animais e paisagens entranhados no imenso continente. A Namíbia foi um maravilhoso aperitivo que deixou todos famintos por explorar ainda mais esta região de cultura riquíssima e extraordinária beleza natural.


Confira mais fotos desta trip clicando aqui.


Texto de Renata Oliveira, com base no diário de bordo de Idílio Vieira


15/6/2010
O sertão vai virar mar

Falar de banhos de cachoeira e praias com areias escaldantes em pleno inverno soa meio estranho... mas, essa é a vantagem de se viver num país imenso, com paisagens e temperaturas para agradar a todos. Para fugir do frio de São Paulo, basta pegar o carro e se aventurar pelo Sertão brasileiro e chegar até o lindíssimo litoral nordestino. Por esse motivo, o nome de nossa última expedição não poderia ser outro: o Sertão vai virar Mar!



Veredas do nordeste brasileiro
Foto: Idilio Vieira

Seguiram nessa expedição Idílio Vieira, Kashino e Bernadete. O primeiro destino alcançado foi o grandioso estado de Minas Gerais, repleto de atrativos culturais e naturais. Saimos de São Paulo às 5h30 e a expedição seguiu rumo à Conceição do Mato Dentro-MG. O dia amanheceu ensolarado o que nos convidou a dar uma passada em Três Corações e saborear um delicioso café na venda do Chico. O café foi apenas para abrir o apetite antes de chegarmos em Belo Horizonte, onde o prato principal do almoço foi a famosa culinária mineira no fogão a lenha.



Tabuleiro - MG
Foto: Idilio Vieira


Imprevistos sempre acontecem e desta vez foi logo no início da viagem. O alternador de um dos jipes apresentou problemas e uma parada no eletricista atrasou a viagem em três horas e meia. Depois da parada obrigatória seguimos para Tabuleiro, distrito de Conceição do Mato Dentro, já na Serra do Cipó. Exaustos, fomos para a pousada Gameleira, onde fomos recebidos pelo Sr. Manoel. Para fechar o dia desses, nada melhor que uma boa cachaça mineira para relaxar.

Dia seguinte, após um café reforçado, seguimos com o guia Samuel para conhecer a famosa Cachoeira do Tabuleiro, numa caminhada de 5 horas feita pelo leito do rio. Rio e calor combinam com banho e foi isso que fizemos. O visual da cachoeira é inexplicável e a sensação de chegar ao pé da cachoeira incrível, uma queda de 320m de altura. A água cai com muita força, formando um grande poço no leito do rio, onde se pode enxergar grandes pedras. Realmente muito lindo o visual. Tem lugares que é possível ver bem a fronteira entre a mata atlântica e o serrado. Na volta chegamos à pousada às 17h, hora boa para uma deliciosa feijoada, várias caipirinhas e na seqüência um bom cochilo, felizes por ter visto de perto um espetáculo feito pela mãe natureza.


Cachoeira do Tabuleiro - MG
Foto: Idilio Vieira


No outro dia de manha deixamos a pousada às 9hs rumo à Bahia. A estrada é muito perigosa, muitos caminhões e diversos trechos em obras. Conseguimos chegar à divisa MG-BA e dormimos em Itaobim-MG, na Pousada das Araras, as margens do rio Jequitinhonha.

As 7h do dia seguinte deixamos Itaobim e novamente caímos numa  estrada com fluxo grande de caminhões. Impressionante o visual da estrada, muitas rochas gigantes na região, de onde avistamos a Pedra Azul. Fizemos uma parada rápida na cidade para fotografar a Pedra e depois seguimos pela BR em direção a Rio de Contas-BA. Na Bahia o prato tradicional muda, sendo a carne de sol a grande estrela da culinária do interior baiano.



Pedra Azul - MG
Foto: Idilio Vieira


Na cidade fomos as compras em um ateliê muito famoso por confeccionar mascaras de papel marche, que inclusive já foram vendidas para vários países. De la seguimos em direção a Ibicuara-BA onde só chegamos ao anoitecer, apos  pegarmos um atalho de 308km de terra.



Os bonecos e seu criador - Rio de Contas, Bahia
Foto: Idilio Vieira


Edriano, nosso guia, nos encontrou na pousada e saímos em direção a Cachoeira do Buracão. Passando pela Serra da Bocaina, onde existe um visual lindo, com uns paredões enormes. Passamos pelos lugarejos de Campo Redondo, Mundo Novo, enfim, a trilha a pé foi uma caminhada de 3 horas, onde passamos pelo espraiado. A trilha segue sempre ao lado do rio, passando pelas cachoeiras Buracãozinho, Orquídeas, Recanto Verde, sempre um lindo visual. E Buracão, a última. Na trilha muito xique-xique e cactos. Depois de um banho na Cachoeira Buracão, seguimos para a cidade de Ibicuara. Ficamos hospedados na Casa da Roça, onde os proprietários Daniel e Bárbara nos fizeram um jantar típico da região, de carne de sol. Maravilhoso!

Saímos de Ibicuara rumo à Cabacera, e no caminho paramos para pernoitar em Caldas de Jorro. Chegando nesta cidade nos deparamos com uma bica na praça onde jorra água medicinal a 48º C. Gente do Brasil inteiro vai ao lugarejo tomar banho para curar doenças da pele. No meio da viagem mudamos o rumo, pois havia furado a mangueira do radiador. Após um remendo por motivos de falta de tempo, abortamos Cabacera e fomos rumo à cidade de Piranhas, com um charmoso centro histórico de arquitetura portuguesa, à beira do rio são Francisco. Fomos ao mirante da cidade, de onde avistamos uma linda paisagem.



Cidade de Piranhas às margens do Rio São Francisco
Foto: Idilio Vieira



Caldas do Jorro
Foto: Idilio Vieira


Ao amanhecer fizemos um tour pela pequena cidade. As 11hs fomos de barca visitar o cânion do Xingó. Lugar muito interessante. No fim da tarde, voltamos para a pequena Piranhas, onde terminamos o dia tomando banho no rio São Francisco.


Saímos às 8hs da pousada e entramos no estado de Sergipe pela cidade de Canindé do são Francisco. Fizemos novo reparo na mesma mangueira e chegamos às 14hs em Aracajú. Seguimos para o hotel para ver se a mangueira que pedimos pelo correio havia chegado. Como não tinha chegado, seguimos para Maceió, para a Praia do Francês. Fomos por uma estrada alternativa, com um visual muito lindo, muitos lagos e coqueirais. Paramos para almoçar na foz do rio São Francisco, última cidade do velho Chico, cidade de Piacabuçu. Chegamos à Praia do Frances e nos hospedamos por 4 dias. Fomos conhecer a Praia do Gunga, Barra de São Miguel, praia do Francês e a cidade de Maceió.



Praia do Francês
Foto: Idilio Vieira


Voltamos para Aracajú, pois a mangueira já havia chegado de São Paulo. Fomos para o mecânico e logo após o almoço o reparo já havia sido feito. Saímos de Maceió em direção a península de Maraú, na Bahia. Saímos de Maceió, atravessamos Sergipe e pousamos em uma cidade chamada Entre Rios, na Bahia. Ficamos na pousada Lagoa do Cassange, na praia do Cassange. Passamos dois dias e visitamos Lagoa Azul, Jardim das Bromélias, onde existem varias bromélias gigantes, com mais de 2m de altura. O nome " Lagoa do Cassange" é originário da África, pois havia ali um quilombo de negros vindos dessa região. Seguimos para Barra Grande fazer um passeio de barco. Depois de um almoço de lagostas e camarões e muita caipirinha, voltamos para a pousada.



Bromélias gigantes
Foto: Idilio Vieira



Lagoa do Cassange
Foto: Idilio Vieira


Depois de 19 dias longe de casa é hora de pegarmos a estrada e seguir para São Paulo, de volta para a realidade, pois o sonho acabou.

Texto adaptado do diário de bordo de Idílio Vieira, por Renata Oliveira

Para curtir mais algumas fotos desta empreitada pelas veredas do nordeste brasileiro confira nosso FLICKR.

10/3/2010
Parque Nacional Los Glaciares
 

Ao chegarmos em São Paulo no último domingo, dia 07/03, olhamos para o  pôr-do-sol rosado daquela tarde e nos voltou à memória a linda imagem do Fitz Roy, uma imponente montanha de 3375m, localizada na província de Santa Cruz, sul da Argentina, que ao amanhecer se reveste num tom de rosa magnífico, de deixar o cidadão simplesmente sem palavras!


Fitz Roy ao amanhecer.

Foto: Artur Vieira

 

Certamente a imagem do Fitz Roy foi a que mais marcou nossa curta viagem de 10 dias pela Patagônia Argentina e Chilena. Porém, esse não foi, com certeza, o único local visitado em nossa mini expedição, que foi intensamente preenchida com passeios variados. Exploramos o Parque Nacional Los Glaciares fazendo desde um trekking difícil, com mochilas de mais 20kg nas costas, até um divertido passeio de bicicleta nos arredores de El Chalten, nosso primeiro pouso.

 

El Chalten é um povoado com apenas 200 habitantes e é o destino certo de montanhistas do mundo inteiro. Por suas ruas planas é comum ver pessoas de todas as idades com suas mochilas nas costas indo ou voltando dos "senderos" que levam ao já aqui apresentado Fitz Roy, e ao seu vizinho Cerro Torre, montanha com 3.102m. Há opções de trekking de todos os níveis de dificuldade, com possibilidade de fazer bate-volta e pernoitar na cidade. Logicamente decidimos passar 3 noites e 4 dias na montanha.

 

El Chalten

Foto: Artur Vieira

 

Para chegar em Chalten é preciso voar até Buenos Aires (aeroporto de Ezeiza), seguir para outro aeroporto chamado Aeroparque e voar para El Calafate. Após, seguir numa van e rodar mais 220km pela famosa Ruta 40 e pela RP23 chega-se ao povoado. A maioria dos jovens que trabalha nos estabelecimentos de El Chalten (rodoviária, agências, lojas, restaurantes, etc.) são de outras províncias argentinas e vão para lá apenas para trabalhar na alta temporada, que inicia em novembro e segue até metade de março. No inverno a temperatura chega a - 20ºC, tudo é coberto pela neve e restam os nativos para tirar as fotos e expor aos viajantes.

 

Foto feita de dentro da van no caminho para Chalten. Da estrada podemos ver a imponencia das montanhas da região.

Foto: Artur Vieira

 

No primeiro dia de trekking chegamos até a Laguna Torre, de onde temos uma visão espetacular do Cerro Torre. A laguna, onde bóiam icebergs de todas as formas e tamanhos, tem uma cor incrível e é gelada de doer. Só uma senhora (provavelmente da Islândia!) teve coragem de colocar seu traje de banho e dar um mergulho glacial! Vimos de tudo por lá... Nesta noite dormimos no acampamento Agostine, preparamos nossa refeição liofilizada e enfrentamos uma noite fria que fez o termômetro encostar no ZERO! Patagônia é isso aí!

 

Laguna e Cerro Torre

Foto: Artur Vieira

 

No dia seguinte seguimos até o acampamento Poincenot, seguindo pela trilha Madre y Hija, que leva esse nome por margear duas lagunas lindíssimas, uma grande e uma menor... madre y hija! Chegamos ao acampamento cedo, cerca de 16hs. Como nesta época os dias na região se estendem até às 21h e pouco, decidimos explorar outros pontos próximos ao camping. Desta vez, deixamos as mochilas na barraca e fomos circular apenas com os equipos de foto e video. Optamos seguir para a Laguna de los Tres, após perguntar para um ser humano de origem desconhecida (não falava inglês nem espanhol) se a laguna estava próxima, ao que ele respondeu: sim, 20 minutos. Opa, vamos lá! Pertinho...



Laguna Hija
Foto: Artur Vieira

 

Pois bem. Quase 3 horas depois de um trepa-pedra de lascar, subindo sem parar, chegamos à Laguna de Los Tres!! Nossa vontade era voltar só para socar o tal rapaz de língua estranha... mas quando nos deparamos com o Fitz Roy tão pertinho, a vontade foi de agradecer por termos subestimado a trilha e ter assistido a um belo fim de tarde naquele lugar mágico. Com certeza o mais maravilhoso da viagem! Ao lado estava a Laguna Sucia, que vimos apenas de cima, de um verde inacreditável! Uma pena que o avançado da hora, já perto das 20hs, fez com que acelerássemos nossa estada por essas paisagens naturais estonteantes.

 

Subindo para Laguna de Los Tres, ao fundo é possivel ver a Laguna Madre por onde passamos.

Foto: Artur Vieira


Laguna de Los Tres
Foto: Artur Vieira




Laguna Sucia vista de cima
Foto: Artur Vieira


No terceiro dia fomos até o Glaciar Piedras Blancas, seguindo pelas margens do Rio Blanco, também com água geladinha e todo formado com pedras brancas. Aliás, a água que tomamos durante o trekking era deliciosa, como se tivesse acabado de sair do freezer! Fresca, límpida... deixou saudades!

 

A esquerda o Rio Blanco

Foto: Artur Vieira



Renata na parte de trepa pedras, blocos gigantes.
Foto: Artur Vieira



Lago e Glaciar Piedras Blancas
Foto: Artur Vieira


Optamos em não voltar para El Chalten e passar mais uma noite no Poincenot. Vimos e fotografamos um pôr-do-dol atrás da cadeia de montanhas, com calma, e nos preparamos para uma noite frita. Durante o sono, às vezes acordávamos com o barulho do vento e das avalanches, que acontecem a todo tempo.

 

Na volta pata Chalten, quarto dia viagem, foi difícil deixar o Fitz Roy e o Cerro Torre. Olhávamos para trás e era como se as montanhas acenassem em despedida. Embora a viagem estava apenas na metade, deu um aperto no coração em deixar aquele lugar, sem saber quando poderemos voltar. No trajeto passamos pela Laguna Capri, que também tem uma vista deslumbrante do Fitz Roy. Chegamos em Chalten em tempo para o almoço, mas acabamos escolhendo empanadas com chocolate caliente!


Deixando o Fitz Roy, é possivel ver a interminavel subida  que segue em zigue-zague para a Laguna de Los Tres.

Foto: Artur Vieira


Laguna Capri, tempo fechado durante a volta para Chalten.

Foto: Artur Vieira

 

Já chegamos à metade da viagem e decidimos fazer uma caminhada sobre o gelo patagônico. O Parque Nacional Los Glaciares, considerado patrimônio natural da humanidade pela Unesco, tem esse nome justamente pela presença de diversos glaciares.  Escolhemos o Glaciar Viedma, o maior de todos, para realizar essa nova experiência. Saímos da cidade cedinho, navegamos cerca de meia hora pelo Lago Viedma e chegamos ao pé da parede deste glaciar, de onde saltamos, nos preparamos com os""grampones" nos pés e começamos nossa aventura glaciar.

 
Ficamos um pouco frustrados com o passeio, pois pensamos que conheceríamos cavernas de gelo e teríamos outras visões daquele gelo azul que vemos nos cartazes nas agências e que foi vendido para nós. O que vimos foi um monte de gelo empoeirado, sem aquele fascínio da imensidão azul. De qualquer forma valeu a pena a experiência de olhar para os lados e ver apenas um campo de gelo, e sentir o pé encravando uma superfície gelada milenar. Ao final, tomamos um Bayles com gelo de mais de 3000 anos para celebrar a empreitada.


Lago e Glaciar Viedma

Foto: Artur Vieira

 

Visual durante o trekking, imensidão gelada.

Foto: Artur Vieira


Como voltamos para Chalten cedo, alugamos bicicletas e fomos conhecer o Chorrillo del Salto, uma cachoeira formada com água de degelo que fica nos arredores do povoado. O caminho valeu mais do que a cachoeira em si, já que fomos por uma Bicisenda, uma espécie de ciclovia feita em meio às montanhas, sempre com a vista do Fitz Roy e das montanhas cobertas de gelo. Duas horinhas de pedal só para relaxar. Na volta à cidade, delicioso jantar com o tradicional bife de chorizo e papas fritas!


Pedalando pela bicisenda.

Foto: Artur Vieira

 

Chorrillo del Salto

Foto: Artur Vieira


Neste sexto dia de viagem, fomos a um lugar chamado La Loma del Pliegue Tumbado. Segundo o mapa que tínhamos em mãos, a região fica a 1490m de altitude e seria uma caminhada de aproximadamente 3h30, numa ascensão de 1000m partindo de Chalten. Depois das primeiras 2 horas de caminhada, porém, nos deparamos com uma placa bendita que dizia que ainda faltavam 2 horas. O resultado foi uma trilha pra tatu de chuteira de 5h30. Um sendero sem fim, mas que nos levou a outro ponto incrível da viagem, com vista para toda a região do Fitz Roy e do Lago Viedma. Incrível! Para voltar foram mais 3h30, totalizando 9 horas de trilha... exaustivo, mas muito compensador!

 

Falta pouco para o fim...
Foto: Artur Vieira


Visual da Loma del Pliegue Tumbado
Foto: Artur Vieira

Estávamos programados para conhecer outro glaciar, o mais famoso da região, chamado Perito Moreno, cujo acesso é feito por outra cidade. Sendo assim, às 07h30 da manhã do nosso sétimo dia de expedição entramos num ônibus com destino a El Calafate, uma cidade maior e melhor estruturada, por isso mais cheia de gente, carros e barulho. É uma "Campos do Jordão" da Patagônia! Totalmente sem graça, em resumo. Gastamos o dia percorrendo a Av. Libertador atrás de programas para os últimos dois dias de viagem.


Mas foi lá que nos deparamos com agências que ofereciam um passeio full-day para o Parque Nacional Torres del Paine, no Chile. Bate-volta no Chile? Estamos dentro! No dia seguinte, oitavo dia, estávamos novamente dentro de um ônibus, desta vez com destino ao Chile, Parque Nacional Torres Del Paine, onde está um dos trekkings mais belos do planeta (chamado circuito W)!


Viasual do Parque Nacional Torres del Paine.

Foto: Artur Vieira


Depois de 04 horas de estrada, observando a paisagem patagônica e também a fauna local, como os guanacos e zorritos (raposas), e superados os trâmites das duas fronteiras, chegamos ao parque com o tempo totalmente encoberto. Lá fizemos uma caminhada de 2 horas chegando até a alguns lagos aos pés dos Cuernos del Paine, uma linda montanha que apresenta a forma de chifres.


Nesta região tem muitos guanacos, este foi um dos milhares que vimos.

Foto: Artur Vieira

 

Um zorrito visto dentro do parque.

Foto: Artur Vieira


Los Cuernos del Paine.

Foto: Artur Vieira


No nosso nono e último dia em terras patagônicas, celebramos a viagem num lugar incrível: glaciar Perito Moreno! Embora ele tenha menor extensão que o Viedma, suas paredes são muito mais imponentes, chegando a 50m (e até 100m para baixo da água). Hoje o local é totalmente estruturado para os turistas, com restaurante, passarelas e rampas de acesso, etc. Quando Artur esteve em Perito Moreno em 2005, não havia nada disso. A Argentina investe muito mais em turismo do que alguns de seus países vizinhos.


Glaciar Perito Moreno

Foto: Artur Vieira

 

Placa de gelo se descolando do glaciar.

Foto: Artur Vieira


Voltamos para Calafate quase na hora de partir, sobrando um tempo para comprar uns "regalos""para amigos e familiares, que estavam super preocupados por conta do terremoto que atingiu o Chile bem na época de nossa viagem. A volta pra casa traz sempre desejos antagônicos... ficar mais ou voltar para a casa?! O único sentimento em comum é o pesar de voltar para dura realidade da cidade grande, ao stress nosso de cada dia. Bom, mas a nossa vida é meio parecida com um glaciar ou iceberg. 90% embaixo d'água para sustentar os 10% que estão sobre a superfície... Em outras palavras, para desfrutar de uma viagem dessas durante 10 dias, hay que trabajar mucho o ano inteiro! Pero sin perder la ternura! Jamás!

Texto: Renata Oliveira

Confira mais algumas fotos em nosso FLICKR.
10/1/2010
Jalapão

O Jalapão, localizado do estado do Tocantins (a 300km da capital Palmas), é um lugar cheio de curiosidades. Conhecido como o "deserto brasileiro", o Jalapão recebe seus visitantes com suas belas dunas de areias, nascentes de águas borbulhantes, imponentes chapadas e com a beleza reluzente do capim dourado.


A região do Jalapão faz fronteira com os estados da Bahia, Piauí e Maranhão e durante muitos anos foi uma ilustre desconhecida dos turistas. Talvez seja por isso que até hoje a infra-estrutura é péssima, com pouquíssimas (e muito ruins) opções de hospedagem e restaurantes. As "civilizações" mais próximas ao Jalapão são os municípios de Mateiros e Ponte Alta, este último é o portal do Jalapão.


Cerrado, Dunas e Chapadas...Jalapão.

Foto: Idilio Vieira

 

Mas para nós isso não é problema! Quanto mais capenga e improvisada a estadia, mais nos sentimos ambientalizados com o povo e a cultura local. O que nos atrai é o visual da natureza, não o paisagismo artificiais dos hotéis! Por isso que para nós o Jalapão é um oásis!

 

As trilhas que nos levam aos atrativos locais variam entre um areião fofo e uma terra avermelhada que levanta uma poeira brava. Ao lado sempre a vegetação típica da região do cerrado, um capim rasteiro, solo árido, algumas chapadas despontam no horizonte... e está formado o cenário típico do Jalapão!


''Tomatinha puxando o carro que estava atolado.                                                                                             Foto: Idilio Vieira


A Cachoeira da Velha é uma surpresa em meio a tanta aridez. Um incrível volume de água, numa queda de 20m de encher os olhos! A paisagem se altera bruscamente e nos faz esquecer que estamos no deserto. Assim também é na Cachoeira da Formiga. A composição de minerais presentes na areia torna a água azul, azul como se fosse uma piscina azulejada. Coisas do Jalapão!


Cachoeira da Velha

Foto: Idilio Vieira


Cachoeira da Formiga.

Foto: Idilio Vieira

 

Os Fervedouros, nascentes na areia de águas cristalinas e borbulhantes, nos proporcionam uma sensação incrível! Quando mergulhamos nos lagos formados pelas nascentes, logo somos lançados para a superfície... a água faz com que as pessoas flutuem! Uma experiência inesquecível.


Fervedouro.

Foto: Idilio Vieira

 

Fomos, ainda, visitar o bairro de Mumbuca, onde está situada uma comunidade muito carente, que se sustenta com o artesanato produzido a partir do capim-dourado. São peças simples, bastante rústicas, mas feitas com este material "sagrado" da região e do suor desses sertanejos. No local, as peças podem ser adquiridas por preços bem convidativos. Percebe-se que ali o intuito é vender e ganhar para o próprio sustento dos artesãos e da cooperativa que eles próprios administram.

 

Crianças do Jalapão, bairro Mumbuca.

Foto: Idilio Vieira


O absurdo é chegar na capital Palmas e ver as mesmas peças custando cinco ou seis vezes mais. Uma bolsa pequena que se compra por R$25,00 na comunidade, em Palmas não é vendida por menos de R$150,00. Quem seria o intermediário que lucra tanto às custas das mãos das senhoras e crianças artesãs de Mumbuca ?? Revoltas à parte, vale a pena conhecer a comunidade, passar uma tarde com a garotada e fomentar o comércio local adquirindo algumas peças deste material tão valioso na natureza e de beleza ímpar.


Capim Dourado.

Foto: Idilio Vieira

 

No Jalapão também há dezenas de pequenas e aconchegantes praias de água doce, sempre rasas e de águas calmas, que caem bem depois de algumas dezenas de quilômetros de terra vermelha e areião pesado. Cuidado com as praias de fácil acesso, pois tudo que é fácil para chegar atrai gente, e a aglomeração de pessoas torna qualquer lugar barulhento e chato. O conselho é evitar atalhos, seguir pelo caminho mais difícil, pois a recompensa é chegar num lugar tranqüilo, silencioso e limpo, onde se pode contemplar a natureza, meditar, fotografar, absorver o melhor do local para manter na mente todas essas paisagens inesquecíveis e as maravilhas do nosso deserto brasileiro.


Idilio e Zé Carlinhos na praia de água doce.

Foto: Osvaldo Kashino


Texto: Renata Oliveira

Confira mais fotos do Jalapão em nosso FLICKR.

15/12/2009
Pico dos Marins, 2420m.

 

Essa aventura começou por acaso, numa tarde de sábado em que Artur navegava pela internet e se deparou com o twitter do Eliseu Frechou perguntando se "alguém estava a fim de fazer um bate e volta no Pico do Marins". Artur rapidamente contatou "as bases" para checar se podia aceitar o convite do Eliseu, que não conhecia o Pico e precisava de alguém que conhecesse o caminho para guiá-lo até lá. Topei, topamos e caímos na estrada!

 

O Pico dos Marins é a montanha mais alta do estado de São Paulo com 2420m e fica na Serra da Mantiqueira, divisa com Minas Gerais. A região é deslumbrante!

 

E foi por isso que saímos de casa às 4h da manhã, enfrentamos o sono e a chuva na estrada para estar neste lugar incrível, na companhia do casal Eliseu e Beth Frechou, que tornaram a roubada mais agradável! Encontramos a dupla animada às 6h da manhã, na saída 51 da Via Dutra, entrada para o município de Piquete - SP. Seguimos uns 20 Km por uma estradinha de interior, asfaltada mas de curvas perigosas, e mais 20km por Estrada de terra, seguindo sempre sentido "bairro dos Marins". Nosso destino era o Acampamento Base Marins, onde encontramos o Milton, grande figura que é o guardião da trilha.


A montanha vista da estrada, sempre em destaque.

Foto: Artur Vieira

 

Começamos a caminhar às 07h30, com o tempo fechado, muita névoa, mas tínhamos esperança de que o tempo pudesse abrir no decorrer da trilha. A trilha começa em mata fechada, depois segue numa estradinha de terra que passa pelo Morro do Careca, 1808m, e logo dá início aos trepa-pedras e campos de altitude que vai nos levar ao pico. E bota trepa-pedra nisso! Foram 4 horas de perrengue até próximo ao cume, com algumas paradas para recuperar o fôlego e fazer fotos. Mas a vista não era muito animadora...


Beth caminhando no trecho de mata fechada.

Foto: Artur Vieira

 

Tempo sempre fechado, Beth, Renata e o Snoopy.

Foto: Artur Vieira


Sobe...sobe e sobe...

Foto: Artur Vieira


Alguns trechos mais delicados como as "escalaminhadas" injetavam uma boa dose de adrenalina.

 

Uma presença importante no trekking foi o Snoopy - nome que o Eliseu deu ao beagle do ''Miltão'' que nos acompanhou o tempo todo. Ele era valente nas subidas, mas na hora de descer um trecho mais complicado o cãozinho travou e tivemos que ajudá-lo a passar o crux.

 

Infelizmente, ao chegarmos a uns 200m do cume a chuva apertou e não conseguimos encontrar a trilha que segue por uma rampa de pedra! A chuva veio com vontade e fez com que o grupo tirasse das mochilas os anoraks (casacos impermeáveis que protegem da chuva e do vento) que são produzidos com cada vez mais tecnologia, mantendo o cidadão seco e aquecido mesmo debaixo de chuva pesada.

 

A chuva também traz alguns riscos na montanha: alto risco de raios por ser uma área descampada, as rochas ficam lisas, as vegetações nas rochas se soltam e tudo fica propício para um escorregão ou até uma queda mais séria. Por isso, prudentemente resolvemos voltar e deixar para outro dia a ascensão ao Pico dos Marins. A volta também seria complicada, pois o nevoeiro estava cada vez mais denso, o que dificulta muito a navegação. A solução foi consultar o GPS que ajudou a encontrar a trilha de volta. Às 16hs estávamos de volta no acampamento base e fomos recebidos com um delicioso chá quente adoçado com mel, que o Miltão carinhosamente ofereceu ao grupo.


Descida delicada.

Foto: Artur Vieira


Estar na montanha traz sentimentos contraditórios aos seus freqüentadores. Tem hora que a gente pensa "o que eu estou fazendo aqui???", mas é só o tempo abrir e os vales maravilhosos se apresentarem que todo o cansaço e stress dão lugar a uma sensação de liberdade e conquista que só quem tem o pique de encarar 9 horas de caminhada, num dia de chuva, é capaz de descobrir. Ainda mais hoje em dia que pessoas passam mais tempo viajando e discutindo através da internet e poucos deixam a zona de conforto para entrar no perrengue.


A galera depois da roubada..Beth, Eliseu, Negão, Milton, Renata e Artur.

Foto: Snoopy


Mas para que vocês conheçam a região, aqui vão umas fotos que o Artur fez numa outra ocasião, em que ele e o grande Fernandinho fizeram a travessia Marins - Itaguaré, em 2 dias de caminhada. Os dois tiveram sorte, com direito a pôr-do-sol, vales descobertos e tudo mais.



Pico dos Marins, 2420m.
Foto: Artur Vieira


Itaguaré ao fundo com 2308m.

Foto: Artur Vieira


Acampamento no cume do Marins.

Foto: Artur Vieira



Visual durante a travessia.
Foto: Artur Vieira


Aqui você pode conferir algumas fotos no blog do Eliseu!
Confira mais fotos em nosso FLICKR!

Texto: Renata Oliveira

16/11/2009
Serra do Cipó

Uma trip para a Serra do Cipó! Foi para lá que decidiram ir Idilio, Mauricio e Mineiro. Depois de vários dias de stress em seus trabalhos resolveram dar uma pausa e seguir para o "Cipó''.

 

Saíram de São Paulo e a primeira parada foi em Belo Horizonte-MG para encontrarem o Highlander,  o cara que guiou a expedição pela Serra.

 

De BH rumaram em direção ao Parque Nacional, acamparam próximo à portaria do parque e no dia seguinte começaram a viagem pra valer, buscando o primeiro objetivo: fotos na estátua do Juquinha.


Primeiro acampamento regado á vinho portugês.
Foto: Idilio Vieira.

 

Juquinha foi um lendário personagem da Serra do Cipó, andarilho que lá morava e presenteava os visitantes com flores. Em troca acabava ganhando alguns utensílios domésticos e até mesmo comida. Em 1987 ergueram a estátua para materializar a memória desse figura, eternizando o grande Juquinha.


Parada para foto no Juquinha.

Foto: Highlander

 

Vale lembrar que o caminho que vai até o Juquinha é muito bonito e segue subindo montanhas, onde foram feitas algumas fotos. Depois do glorioso encontro os viajantes seguiram para o Parque Nacional da Serra do Cipó, onde não é permitida a entrada de carros. Sendo assim, a alternativa foi irem de bicicleta.


Rios Cristalínos

Foto: Idilio Vieira


Começo do passeio, ainda bem dispostos.

Foto: Idilio Vieira


Foram 28km de pedal, o que já é demais para quem não tem um certo preparo! Mas valeu a pena cruzar alguns rios de água cristalina, mergulhar na Cachoeira da Farofa e admirar o canyon das andorinhas. O passeio levou o dia todo, voltaram quando a noite caía.


Cachoeira da Farofa

Foto: Idilio vieira


No dia seguinte encontraram um outro guia e fizeram um trekking de duas horas para chegar na Cachoeira Grande. Passaram também pela Lapinha, que é uma região cheia de pedras...muito doida!



Cachoeira Grande
Foto: Idilio Vieira



Região da Lapinha
Foto: Idilio Vieira


Saíram da região da Lapinha de noite e encontraram um casarão centenário. Ao pedirem informações sobre a construção o dono os convidou para pernoitarem por lá e eles, claro, aceitaram.

 

Na sequência adentraram no povoado chamado Tapera, onde passaram a noite na fazenda Escadinha. Tapera é um povoado que parece ter parado no tempo e o que as pessoas mais utilizam como meio de transporte são os animais.


Povoado Tapera

Foto: Idilio Vieira



Tomando cachaça e fumando um ''paião'' na fazenda escadinha.

Foto: Idilio Vieira


Região de Tapera.

Foto: Idilio Vieira

 

Do Tapera foram atrás da Estrada Real, para conhecer a famosa Estrada que foi traçada no século XVII com intenção de transportar o ouro e diamante extraído na cidade de Diamantina e região para a cidade de Paraty - RJ, de onde embarcavam para Portugal. A Estrada que permanece viva até hoje começa em Diamantina - MG e termina em Paraty - RJ, uma ótima viagem para quem quer saber mais sobre Brasil Colonial.


Ponte na Estrada Real

Foto: Idilio Vieira


Passaram por Cerro e depois foram para Milho Verde, onde almoçaram na casa de Dona Benta e tomaram uma cachaça artesanal. Dona Benta conta que esta cachaça tem do tipo feminino e masculino e que a sua mãe com 99 anos ainda toma da cachaça!



Cidade de Serro
Foto: Idilio Vieira

 

De Milho Verde rumaram para Diamantina, onde ficaram por dois dias conhecendo a região e tiveram tempo suficiente para abastecer a caçamba do jeep de cachaça e queijo-minas.

 

Em Diamantina terminaram a expedição e de lá foi pé no acelerador e voltar para a Real. não a Estrada Real! Mas sim para a REAL do trabalho, encarar a dura realidade do dia-a-dia em São Paulo.


Aqui abaixo segue uma seção de fotos, Retratos do Cipó.


Infância no alto da serra.

Foto: Idilio Vieira


Forró em Tapera.

Foto: Idilio Vieira


Produção de queijo minas.

Foto: Idilio Vieira.


Moradores de Tapera.

Foto: Idilio Vieira.

 

Garotada pegando lenha para o fogão.

Foto: Idilio Vieira



Morador da região de Tapera.
Foto: Idilio Vieira



Bar típico da região.

Foto: Idilio Vieira


O Cavaleiro do Tabauleiro.

Foto: Idilio Vieira


Confira mais foto em nosso FLICKR.


Texto: Renata Oliveira e Artur Vieira.



7/10/2009
Patagônia


Essa viagem foi realizada em dezembro de 2005. A idéia seria chegar ao ''Fim do Mundo'' passando por belos lugares como Península Valdez, Punta Tombo, El Chalten, Torres Del Paine e tantas outras localidades incríveis no extremo sul do continente.

 

Dia 22 de dezembro pegamos a estrada e já sabíamos que em Ushuaia (cidade mais austral) estava chovendo e que ainda tínhamos que percorrer sete mil quilômetros para chegar lá.

 

Seguimos para o sul do Brasil, dois dias de estrada até a cidade de Uruguaiana onde cruzamos para a Argentina. Ainda faltavam quatro mil quilômetros até Ushuaia, mas para quebrar o clima de estrada fomos parando em vários lugares lindos e  o primeiro foi Península Valdez.


Península Valdez

Foto: Idilio Vieira

 

Para chegar em Puerto Madryn, cidade apoio para visitar a península, fomos pela Ruta 3. Península Valdez é uma região tombada pela UNESCO e o local escolhido para a reprodução das baleias francas. Além delas é possível ver lobs marinhos, orcas,  pingüins e outras aves marinhas, e também alguns animais terrestres como raposa, guanaco e Mara.

 

Para conhecer a península recomendo várias épocas do ano. De junho a dezembro é a época em que chegam as Baleias Francas para reprodução e também dão um baita show. As Orcas chegam entre fevereiro e maio; os pingüins entre setembro e março e os lobos marinhos e golfinhos podemos observar durante o ano todo.

 

Ficamos apenas um dia passeando pela região e assistindo a vários show dos lobos marinhos.


Lobos Marinhos

Foto: Idilio Vieira

 

Depois de passar pela península seguimos para Punta Tombo, localizado a 180km de

Pto Madryn.

 

Em Punta Tombo fomos observar bem de perto a pinguinera, chamados de Pingüins de Magalhães ou conhecidos também como pingüins do sul. Eles têm altura entre 50 e 70cm e pesam cerca de 5kg. Começam a chegar em Punta Tombo no mês de setembro, em outubro as fêmeas chocam seus ovos, em novembro nascem os filhotes e no começo de abril completam o ciclo e vão embora para as águas geladas.

Eles são muito lindos e a vontade que temos é de pegar um no colo, apesar de ser proibido tocar neles! Mas cuidado ao chegar muito perto, pois pode levar umas bicadas...


Punta Tombo

Foto: Idilio Vieira

 

Continuando pela Ruta 3 saímos de Pto. Madryn e fomos conhecer o Monumento Nacional Bosques Petrificados.

 

Há cerca de 150 milhões de anos a região era composta por uma fauna muito diferente de hoje, tinham bosques, bastante vegetação e árvores gigantes com cerca de 100m.

Passaram os anos, com o processo natural de evolução da terra e a erupção de vários vulcões essas árvores caíram e foram cobertas pelas cinzas de vulcões e depois sofreram infiltrações de águas das chuvas e mais ações do tempo... ao final, elas praticamente viraram ''pedras''.


As arvores petrificadas.

Foto: Idilio Vieira

 

Continuamos na mesma rodovia até chegarmos à fronteira com o Chile. Rodamos mais um pouco e chegamos ao famoso Estreito de Magalhães, passagem natural do oceano Atlântico para o Pacifico. Foi cruzado pela primeira vez em 1520 pelo português Fernão Magalhães que dava a volta ao mundo de barco. Sua expedição acabou em tragédia nas Filipinas. Essa era a única passagem pelo continente de um oceano para o outro até que foi aberto o Canal do Panamá, que deixou o estreito esquecido por um bom tempo até que Francis Drake usou como esconderijos para seus ataques. Outro que passou por lá foi Charles Darwin. Hoje podemos cruzá-lo em um ferry-boat, mas a travessia do estreito é considerada difícil.


Estreito de Magalhães

Foto: Idilio Vieira

 

Rodamos mais um pouco ainda em terras chilenas e logo voltamos para a terra de nossos ''hermanos'' entrando novamente pela Ruta 3 e chegamos finalmente a cidade mais austral do mundo, Ushuaia.


Cidade de Ushuaia.

Foto: Idilio Vieira

 

Por lá fizemos passeios pela cidade, trekking em uma estação de esqui e fomos conhecer o Parque Nacional Terra do Fogo, onde chegamos na ''ponta'' do continente e também avistamos dentro do parque alguns castores canadenses e coelhos que foram introduzidos pelo homem.

 

Após alguns dias de passeio pela cidade e  termos descansado da estrada - pois já estávamos passando dos 7000km rodados - continuamos nossa viagem pela Patagônia e voltamos ao Chile, estávamos indo para o Parque Nacional Torres Del Paine.


Entrada do P N Torres Del Paine.

Foto: Idilio Vieira.

 

Dentro do parque acampamos por duas noites e a primeira delas foi terrível, chegamos às 22h no camping e já estava escuro, muito frio e vento... com muita luta conseguimos montar as barracas e nos abrigar. No dia seguinte fizemos um passeio ao redor das imponentes torres de granito e depois voltamos para o camping para mais um dia de barraca e bastante vento e frio, mas sempre tudo isso vale muito a pena!


As torres de granito.

Foto: Idilio Vieira

 

Cachoeira gelaaaaaddaa!!!

Foto: Idilio Vieira


De Torres Del Paine voltamos para a Argentina, agora seguindo pela Ruta 40, fomos para  El Calafate, cidade pequena bem ajeitada e bonita, com muitas agências de turismo e opções de passeio pela região.

 

De lá fomos conhecer o Parque Nacional Los Glaciares, um dos maiores parques da Argentina. Nessa primeira ida ao parque fomos para a região sul e visitamos o Glaciar Perito Moreno, leva este nome em homenagem ao explorador da patagônia Francisco Moreno. Esta é certamente a geleira mais conhecida da região e a terceira maior área de gelo do planeta.


Glaciar Perito Moreno.

Foto: Idilio Vieira


Depois de visitar Perito Moreno voltamos para El Calafate e fomos para a outra parte do parque, para o norte.

 

Rodamos 220km por estrada de ripio para o povoado de El Chalten e lá podemos admirar o lindo Fitz Roy. O povoado é conhecido como a Capital Nacional do Trekking e também a Meca de escaladores que vão escalar as montanhas da região.

Passeamos dois dias pela região e dessa vez optamos por ficar em um albergue no povoado.


Povoado de El Chalten.

Foto: Idilio Vieira


Fitz Roy

Foto: Idilio Vieira

 

De El Chalten seguimos pela Ruta 40 até a cidade de Esquel, esta rodovia é sem dúvida a mais bonita da Argentin! Ora rodamos em asfalto, ora em ripio, mas sempre admirando belíssimas paisagens.

 

Em Esquel nosso interesse era conhecer o Parque Nacional Los Alerces.

Os Alerces são árvores milenares que chegam a dois mil anos de idade e também gigantes com até 60m de altura e 4m de diâmetro. Parte do parque é inacessível para visitação, pois esta espécie está em extinção. O parque é pouco visitado por turistas mas é um ótimo lugar para cavalgada e trekking.


Um dos Alerces, sempre gigantes.

Foto: Idilio Vieira

 

Saímos de Esquel rumo a San Carlos de Bariloche. Por lá visitamos alguns cerros, lagos e conhecer um pouco a cidade - que não é muito a nossa cara, mas já que estávamos tão perto não custava a visita.


Região de Bariloche

Foto: Idilio Vieira

 

De Bariloche começamos nossa volta para o Brasil, paramos em Missões, no Rio Grande do Sul, para conhecer as ruínas Jesuíticas e depois voltamos para São Paulo.



Ruinas Jesuíticas.

Foto: Idilio Vieira.


Foram 31 dias de estrada e muita diversão. Realmente essa região extrema da América do SUL tem muito de se orgulhar pelas belezas e encantos de sua natureza. Quem tem a oportunidade de ir não pode perder jamais!


Para viagens pela América do Sul, fica aqui uma dica: O Guia Criativo do Viajante Independente, fala sobre todos os paises dando opções baratas e caras apara restaurantes e hospedagem, opções de transporte e muitas informações.


Abaixo algumas fotos panorâmicas cedidas pelo nosso amigo Osvaldo Kashino que sempre viaja conosco.


Parque Nacional Torres del Paine


Peninsula Valdez.


Lago no PN Torres del Paine.


Punta Tombo.


Pampas - Argentina.


Glaciar Perito Moreno.


Fitz Roy.


Para ver mais fotos desta expedição acesse nosso FLICKR.


Texto: Artur Vieira

21/9/2009
Dia mundial sem CARRO


Este vai ser um post atípico, diferente dos demais, mas resolvemos
encaixa-lo aqui pela importância do tema. Vamos falar um pouco do uso da
bicicleta como meio de transporte.

O dia mundial sem carro teve sua primeira edição em 1997 na França e depois
mais algumas cidades e outros paises da União Européia aderiram a idéia e
foi se espalhando pelo mundo todo. Em 2001 já passavam de 1600 cidades
participantes.


Bicicletada na Av. Paulista

Foto: Artur Vieira


A cada dia que passa mais pessoas estão aderindo à bicicleta como meio de
transporte, seja como alternativa ou principal meio de transporte. Um dos
fatores que levam pessoas a utilizarem a bicicleta é o trânsito e caos que
temos na cidade grande e, de quebra, temos uma sensação de liberdade
inigualável, um ''up'' em nossa saúde e não poluímos o meio ambiente.

Segundo relatório apresentado pela Universidade Alemã de Desporto, andar de
bicicleta fortalece o corpo e a alma e pessoas que usam bicicleta com
freqüência poupam muitas visitas ao médico.

Hoje em dia já tem bicicletários em varias estações de metrô e, inclusive, é
permitido andar com as bikes nos vagões indicados em alguns horários e dias
da semana. Domingos e feriados, por exemplo, é liberado quase o dia inteiro.
Aos poucos vamos ganhando espaço.

Em São Paulo estima-se que cerca de 300 mil pessoas utilizem bicicleta como
meio de transporte e que a frota de motorizados (carros, motos, ônibus...)
já ultrapassou o assombroso número dos 6 milhões.


Existem leis que protegem o ciclista e o pedestre mas nunca são cumpridas. A
cada 4 dias morre 1 ciclista em São Paulo. E todos dias morrem 4 pedestres.
É alarmante! No começo deste ano a CET disse que iria passar a cumprir as leis

que protegem os pedestres ditas no CTB ( Código deTânsito Brasileiro) até ai OK!

O único problema é que o CTB está em vigor há 11 anos e, apenas agora,

a CET promete cumprir suas regras em relação aos pedestres e ciclistas.

Com isso podemos ver tamanha competencia da CET que em vista de muitos mais

atrapalha do que ajuda na fluidez do transito de São Paulo.


Nós já adotamos a bicicleta como meio de transporte e as vezes cortando
a cidade de norte a sul. E tenho notícia de que alguns amigos, sempre que podem,

substituem o carro pela bicicleta ou por caminhadas.

São muitos os benefícios dessa troca!

Temos medo, no entanto, de avançar em nossos roteiros. A cidade é
perigosa!!! Os ciclistas, por mais que se cubram de luminosos e roupas
coloridas, são invisíveis em meio ao asfalto cinza.

É... Na verdade, não são não!

Mas a visão dos motoristas paulistanos é tão obtusa, que os impede de
enxergar meios alternativos de transporte pela cidade. Estão sempre a se
SURPREENDER com  uma bicicleta, a xingar, a reclamar que "atrapalham" o
trânsito, mas ainda não começaram a RESPEITAR esse meio de transporte como
grande "salvador" do nosso trânsito sem-solução, que piora a cada dia.

E buzinam, e buzinam... não é fácil!

Nessa semana de conscientização fica aqui apenas um pedido para que
repliquem por aí o valor da bicicleta e comecem a respeitar esse meio de
transporte como elemento imprescindível numa sociedade moderna e inteligente
como a nossa pretende ser!

Mantenham distância segura das bicicletas!! Os ciclistas devem sempre andar
pela direita e na via! A calçada é dos pedestres, e respeitamos isso.

E aos que puderem, deixem o carro em casa amanhã!


Para saber mais sobre o movimento das bicicletas em sua cidade acesse o site da Bicicletada.org .



Quem vier ao Quioscão de bike nessa semana (22 de setembro) ganha 40% de
desconto!!


Texto: Renata Oliveira e Artur Vieira

31/8/2009
Carretera Transoceânica

A rodovia transoceânica, que liga o estado do Acre à costa do Pacífico no Peru, tem mais de 2000km por onde se trilha desde à mata densa da floresta amazônica até as montanhas das Cordilheiras. Seu ponto mais alto chega a 4780m de altitude e temperaturas que variam de 31oC durante o dia e até -5oC à noite.

À medida em que a estrada vai subindo a vegetação vai diminuindo, até chegar ao ponto em que não se vê mais nenhum verde e já estamos acima dos 4000m de altitude, sentindo o vento gelado dos Andes.


A primeira placa informando sobre a carretera.
Foto: Idilio Vieira
             

A estrada ainda está sendo asfaltada para atender ao fluxo de caminhões que vão do Brasil para o Peru, com fins de exportação saindo pela costa do Pacífico.


Trecho sendo asfaltado, começo da carretera. 
Foto: Idilio Vieira

Para ir ao Peru por esta estrada o mais indicado é ir de 4x4. Quando estiver pronta vai ser tranquilo percorrê-la com carros de passeio.

Foram 4 dias de estrada para chegar à cidade Assis Brasil, tríplice fonteira com a Bolívia e Peru. Chegando em Assis, passamos pela Polícia Federal, pela aduana e já estávamos no Peru.

Quando fomos carimbar os passaportes na Polícia Federal peruana, chegamos e não vimos ninguém. Era Natal. Mas eis que surge de repente um guarda, apenas de toalha e cantando alguma música romântica peruana...rsrs...

Foi um susto na hora, mas logo estava ok e ele nos atendeu assim mesmo, bem cômico, nós sendo atendidos por um policial apenas de toalha..rsrsrs... Essas coisas só vemos viajando pela América do Sul, mesmo.


Kashino quase caindo.
Foto: Idilio Vieira                                    

Nosso primeiro trecho no Peru não foi tão puxado, foram pouco mais de 200km em estrada de terra até a cidade de Puerto Maldonado. Para entrar na cidade é preciso atravessar o Rio Madre de Dios, afluente do Madeira, em uma balsa bem rústica.

As balsas não carregam muito peso, um carro mais umas 2 ou 3 motos e poucas pessoas, ao custo aproximadamente de U$1.00. Quando o Kashino foi sair da balsa, um susto! A balsa se mexeu e uma roda de seu jipe caiu fora da tábua e outra ficou a "meio fio". Na hora tomamos um susto e tivemos que puxar com o guincho do outro jipe.


Entrando na balsa do rio Madre de Dios.
Foto: Idilio Vieira

Pela manhã seguinte seguimos para a cidade de Mazuco, onde começamos a subir a rodovia Transoceânica. Chegamos na cidade por volta das 11hs e fomos almoçar. Encaramos um prato típico local que lembrava uma canja. O único problema é que fazia 31oC....

Ali ainda estávamos na Amazônia peruana, quando fomos seguir nosso caminho nos deparamos com uma barreira policial, pois a estrada estava fechada e fomos informados que só seria permitido rodas das 18hs às 6hs da manhã. Fora deste período eles estavam dinamitando algumas rochas à beira da estrada.


Atravessando um dos rios ainda na amazônia peruana.
Foto: Artur Vieira


Então só nos restava esperar por mais 5 horas até a liberação da pista, mas ainda tínhamos um outro problema: na fila já havia uns 10 caminhões a nossa frente que tivemos que ultrapassar, pois a velocidade deles é muito lenta. Tínhamos um cronograma mais ou menos montado, mas não sabíamos do bloqueio da estrada nem das más condições de Mazuco em diante, entã, foi tudo por água abaixo.


Na fila, esperando a liberação da pista.
Foto: Idilio Vieira

Saímos às 18hs e demoramos um tanto para atravessar os caminhões. Logo começou anoitecer. Conforme subíamos a mata diminuia até virar uma vegetação rasteira e quando passamos dos 3500m de altitude quase não víamos mais verde algum, e o mal da altitude começava a atacar, visto que não fizemos a aclimatação.

Às 20hs etávamos a 4777m de altitude, a temperatura abaixo dos 5oC e um vento muito gelado. Levamos um "balão de oxigênio" que foi útil, pois passamos muito mal. Rodamos bastante durante a noite e paramos em um povoado chamado Marca Pata, onde nos disseram que encontraríamos abrigo e combustível. O abrigo não encontramos, então compramos combustível e decidimos seguir até onde desse.


Marca Pata.
Foto: Idilio Vieira

Andamos mais umas duas horas e nenhum sinal de civiliazação. Encontramos um "acostamento" na pista e tentamos dormir ali. Só tentamos... pois foi impossível! Frio, falta de ar, desarranjos intestinais e até mesmo enjôo em agluns, eram os fatores que nos deram uma noite inquieta.


Local onde dormimos.
Foto: Idilio Vieira

Ao amanhecer vimos que estávamos em um lugar muito lindo, cercado de montanhas nevadas e também notamos que perdemos um belo visual no trecho que rodamos no escuro. Às 5h30 da manhã começamos a andar e quando o sol foi se levantando já começou a aquecer. Rodamos mais 1 hora e meia e chegamos a mais uma barreira, novamente teríamos que esperar mais algumas horas para continuar. Decidimos refazer um trecho que fizemos à noite para curtir o visual e não ficar parados.



Militares fiscalizando as estradas e o local onde tivemos que esperar novamente a liberação da pista.
Foto: Idilio Vieira

Depois de refazermos o trecho para fotografar, seguimos nosso caminho sentido Cuzco. Depois de mais algumas horas andando pelas partes mais altas começamos a descer.

Vimos muitos povoados e pessoas que vivem ali basicamente da terra. Ao conversar com os locais nos disseram que o que mais os sustentam para o trabalho na "roça" é a folha de coca. Isso mesmo! A folha de onde deriva a cocaína, que por sinal não causa mal nenhum, só o bem.

O trecho de Mazuco até Cuzco não é muito longo, com pouco mais de 700km. Mas o que consome muito tempo são as pistas estreitas, muitas curvas e a altitude, pois com ela o carro pena a trabalhar e em alguns lugares, dependendo das chuvas, tem até atoleiros. Mas vale o perrengue, pois sem dúvida é um lindo caminho a percorrer.

Chegamos em Cuzco por volta das 20hs, extremamente cansados, querendo apenas uma cama quentinha. Segundo um guarda nos informou, ao sairmos de Mazuco às 18hs chegaríamos em Cuzco entre 7hs e 8hs da manhã. Mas só conseguimos chegar 12 horas depois...

Confira mais fotos da Transoceânica em nosso FLICKR.

Texto: Artur Vieira

 

17/8/2009
Travessia Serra dos Orgãos

Localizada na região serrana do Rio de Janeiro, a Serra dos Órgãos é
considerada o berço do montanhismo no Brasil. Em 1932, uma brava expedição
composta de 8 membros do CEB (Centro de Excursionistas Brasileiros)
desbravou a vegetação e venceu as dificuldades do sobe-desce da serra e
atravessou os 34km da travessia, que parte da cidade de Petrópolis até
Teresópolis (ou vice-versa).

É uma travessia que se faz em 3 ou 4 dias, dependendo do ritmo do grupo.
Nós, Artur e Renata, concluímos tranquilamente em 3 dias e 2 noites. O Artur
já tinha feito a travessia em 2005 e eu pela primeira vez vivi a experiência
incrível de levar a casa nas costas. Cansativo, mas muito recompensador.
Começamos a travessia na sexta-feira, dia 07 de agosto. Partimos da entrada
do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, localizado no distrito de Itaipava,
às 11hs. Queríamos sair mais cedo, mas não tínhamos idéia de como era
complicado e longe chegar lá.

No primeiro dia levamos uma surra da montanha! Foram 8 horas de subida, sem
refresco. Às vezes eu pensava que a natureza cria certos obstáculos de
propósito, para não conseguirmos alcançar nossos objetivos, tamanha era a
dificuldade de alguns trechos. Ao final do dia, obviamente tivemos nossa
recompensa. Ao chegar nos Castelos do Açu (local do primeiro acampamento),
tínhamos uma linda visão do coração da Serra dos Órgãos.


Renata no primeiro dia com muita subida.
Foto: Artur Vieira


Castelos do Açu, 2158m.
Foto: Artur Vieira

Como chegamos em cima da hora do pôr-do-sol, não conseguimos preparar o
equipamento fotográfico em tempo, à altura do espetáculo. No entanto, para
compensar, fomos presenteados com uma noite de lua cheia maravilhosa.  A lua
iluminava a noite como um sol refrescante. Incrível!


Por da Lua e o lindo céu estrelado.
Foto: Artur Vieira

O 1º dia terminou dentro do planejado. Cumprimos o cronograma, a trilha era
batida e tranquila de seguir. Mas no 2º dia a coisa mudou de figura. No guia
em que nos orientávamos (além do GPS), já tinha o alerta de que a navegação
era difícil, apesar de ser o dia com as vistas mais lindas. Não deu outra. O
dia foi uma mistura de momentos de stress e perrengues com visuais
deslumbrantes da serra, quando já podíamos avistar o Garrafão, a Pedra do
Sino, Dedo de Deus e mais outras montanhas que compõem a Serra dos Órgãos.


Alguma montanhas bem famosas da região: Garrafão, Dedo de Deus, Dedo de Nossa Sra. e Escalavrado.
Foto: Artur Vieira

Ficamos cerca de 2 horas perdidos, sem trilha, nos guiando apenas pelas montanhas que estavam um tanto longes mas sempre imponentes.

Passado este tempo perdido conseguimos nos encontrar e fomos surpreendidos por um grupo de 3 pessoas que também estava perdido e acabou seguindo a travessia conosco. Resultado: não conseguimos concluir o roteiro do 2º dia como planejado, pois começou a escurecer e tivemos que montar um acampamento de emergência em meio à
ventania bem típica da região, mas de frente para a Pedra do Sino e o Garrafão, um visual lindo.


Um trecho em que estavamos perdidos.
Foto: Artur Vieira


Acampamento de emergência de frente para a Pedra do Sino e Garrafão.
Foto: Artur Vieira

Nesta noite não teve luar, ou melhor, não tivemos coragem de sair da barraca
para conferir, pois o vento era de assustar. Santa barraca, que nem se mexia
e nos manteve quentinhos e seguros durante a noite! Ficaram para o 3º dia os
trechos mais técnicos da travessia, as chamadas "escalaminhadas", trechos
que exigem a ajuda das mãos para serem superados (uma dose de noção de
escalada ajuda bastante). Tivemos que descer uma rocha bastante íngreme que,
inclusive, precisou da ajuda da corda dos nossos amigos. Depois tivemos que
subir o "cavalinho", uma sequencia de rochas encavaladas que também deu um pouco de trabalho.

Ao final do sobe-sobe chegamos, enfim, à Pedra do Sino, o ponto culminante da travessia e também do Parque Nacional (2.263m). De lá avistamos a baia de Guanabara e teve até carioca que enxergou o Cristo Redentor... sei não!!! Brincadeiras à parte, a vista da "Pedra do Sino" é de tirar o fôlego! Nem lembrávamos mais das cruéis subidas, da ventania para montar a barraca, do nervosismo na hora em que nos perdemos... tudo se apagou. Só restou aquela paisagem estonteante!


Renata e Artur no cume da Pedra do Sino, 2263m.
Foto: Artur Vieira

Andamos em média 8 horas por dia, durante os 3 dias da travessia. Chegamos
em Teresópolis no domingo, às 16hs. Carregamos nas costas mochilas que
levaram somente o mínimo necessário (a do Artur pesando uns 15kg e a minha
pesando uns 10kg), e anotamos em nosso diário de viagens mais uma aventura
que nos encheu de orgulho e, claro, vontade de ir cada vez mais longe,
chegar cada vez mais alto.

4/8/2009
Transamazônica

A BR-230, mais conhecida como Transamazônica, começou a ser construída
durante o governo do Presidente Médici (1969-1974) com intuito de ligar o
norte do país ao resto do Brasil e até mesmo ao Peru. A rodovia, que tem
pouco mais que 4 mil km, começa na cidade portuária Cabedelo, na Paraíba, e
cruza os estados do Piauí, Maranhão, Pará e Amazonas.

A viagem foi composta por apenas um jipe e três integrantes: Artur Vieira,
Idílio Vieira e Mauricio Soares. Saímos de São Paulo com destino a Porto
Velho (RO), percorrendo 3500km com muito buraco, estradas ruins e muita
carreta pelo caminho.

Todos ansiosos, pois nenhum dos três conhecia esta região do país, com
grande diversidade cultural e nos recebeu muito bem. Vamos à viagem!

Entramos na Transamazônica pela cidade de Humaita (AM), e logo recebemos a
notícia de que a malária estava atacando a região e deveríamos tomar
cuidado, principalmente no amanhecer e anoitecer do dia.


Foto: Idilio Vieira
Mauricio representando Portugal.

Em nosso primeiro trecho atravessamos de balsa o Rio Madeira e seguimos para
a próxima cidade, Apuí. Percorremos apenas neste trecho cerca de 450km de
estrada de terra com uma imensidão de buracos. No caminho presenciamos o
triste fim de um acidente que acabara de acontecer.

Um caminhão ao atravessar a ponte tombou, pois a ponte cedeu. O motorista
perdeu a vida, pois o resgate demorou a chegar e não pudemos fazer nada.
Logo em seguida um ônibus foi atravessar por um desvio pela esquerda e ficou
atolado, ajudamos a puxar com o guincho do jipe e seguimos viagem.


Foto: IdilioVieira
Acidente fatal.


Ao chegarmos à cidade de Apuí, paramos para comer em um bar e conhecemos um
português da Serra da Estrela que mora ali há mais de 40 anos e veio para
tentar a vida na Amazônia com promessas que o governo fazia.

A cada quilometro percorrido ficávamos mais impressionados com a diversidade
cultural daquela região. Conhecemos alguns gaúchos que moram à beira da
rodovia há muitos anos, pessoal do nordeste do país, alguns do sudeste e até
mesmo estrangeiros como o Sr. Manuel, que veio de Portugal. Todos na mesma
situação vieram iludidos com promessas que o governo fizera no começo das
obras.

Pelo que vimos nesta região do país, as pessoas vivem de diversas maneiras,
vendem combustível em suas casas, do corte ilegal da madeira, alguns ainda
tentam a vida no garimpo, também ilegal. Uma coisa que tem crescido é a
plantação de soja e o desmatamento para fazer pasto para gado, e também o
tráfico de animais silvestres.


Foto: Idilio Vieira
Venda de combustivel e também é notavel o alto índice de analfabetismo.




Foto: Idilio Vieira
Comercio de ouro e ainda há muitos garimpeiros pela região.


Saímos de Apuí no dia seguinte e atravessamos para o estado do Pará,
chegando a Jacareacanga. Nesta cidade 70% da população é indígena, e pela
cidade víamos uma imagem triste, araras voando em meio às casas, alguns
macacos nas casas das pessoas, guaxinins presos a coleiras. Fomos tentar
descobrir o porquê daquilo e nos informaram que alguns dos bichos vêm por
conta de traficantes de animais e outros são alguns índios que trazem para
vender e comprar bebida alcoólica. Os que não são vendidos ficam largados na
cidade e não conseguem voltar para a mata.

A venda de bebida alcoólica para o índio é proibida, mas mesmo assim víamos
índios bêbados pelas ruas, situação lastimável.

Da cidade de Jacareacanga fomos em um barco de pequeno porte até a Aldeia
Saissinga, demoramos 2h seguindo pelo Rio Tapajós. Lá tivemos um pouco de
contato com os índios e vimos como fazem para viver hoje em dia, já que não
vivem totalmente da terra, e também nos mostraram como funcionava o sustento
da aldeia em tempos mais antigos.


Foto: Idilio Vieira
Índios da Aldeia Saissinga
.

Vale a pena contar o perrengue que o Idílio passou na cidade de Jacareacanga
tendo que fazer um tratamento dentário rápido, pois não agüentava mais de
dor. A sorte foi que encontramos um casal de dentistas recém formados que
estavam morando há pouco tempo na cidade, mas eram do Mato Grosso.

Novamente na estrada nosso novo destino era o Parque Nacional da Amazônia,
localizado na cidade de Itaituba. Pedimos autorização na sede do IBAMA
local, visitamos o parque e na seqüência seguimos para Santarém.


Foto: Idilio Vieira
Trecho de estrada boa.



Foto: Idilio Vieira
Parque Nacional do Amazonas.


Passamos por Santarém e fomos para Fordlândia, uma vila fundada na década de
20 para abrigar um arrojado projeto de produção de borracha idealizado pelo
Henry Ford, o magnata automobilístico americano.


Foto: Idilio Vieira
A função dos hidrantes era para que os norte-americanos ''se sentissem em casa''.

A idéia do projeto era não depender mais da borracha vinda da Ásia, sendo
assim ele produziria sua própria borracha que era matéria prima de algumas
partes de seus automóveis.

O projeto foi por água abaixo por diversos motivos, tratavam os operários
como norte-americanos e faziam usar crachás e comer hambúrgueres. A terra
não era tão fértil, plantaram de forma inadequada as árvores e assim
fortalecendo algumas pragas. Não tiveram apoio do governo brasileiro que
desconfiava dos investimentos e vários outros fatores foram enfraquecendo o
projeto. Ford ainda tentou mais uma vez em Belterra, mas também sem sucesso,
e na década de 40 começou uma nova tecnologia: começaram a fazer pneus
derivado do petróleo o que acabou levando todo investimento  por água
abaixo.

Hoje ainda há alguns casarões abandonados, o hospital onde ainda podem ser
encontrados remédios da época e muitas outras coisas abandonadas. Algumas
pessoas ainda vivem ali e dependem da pesca para sobrevivência.

A esta altura já havíamos percorrido mais de 5mil quilômetros com muita
terra, buraco e pontes precárias...


Foto: Idilio Vieira.
Pontes precárias.




Foto: Mauricio Soares
Pequenos trechos com atoleiros, isto é na época seca da região.


Saímos de Fordlandia e fomos para a cidade de Santarém, segunda cidade mais
importante do Pará.

Pernoitamos em Santarém e no dia seguinte embarcamos em uma balsa, viagem
que durou 5h com destino a cidade de Monte Alegre. Em algumas regiões da
Amazônia não existem estradas e o meio de locomoção são os barcos e balsas.
Existem lugares tão longínquos que o trajeto demora vários dias de barco em
meio aos rios e a floresta.


Foto: Idilio Vieira
Museu de Santarém.



Foto: Idilio Vieira
Parte da balsa dedicada aos que gostariam de dormir, pessoas chegam a viajar mais de uma semana nesta situação.

Em Monte Alegre seguimos para Alenquer e fomos visitar a "cidade dos deuses"
um lugar com várias formações rochosas belíssimas. Passamos pela Pedra do
Pato, Pedra do Pilão e ainda fomos convidados para almoçar na comunidade
Erere.


Foto: Idilio Vieira
Cidade dos Deuses.



Foto: Idilio Vieira
Pedra do Pilão.

Na volta paramos para dormir em um ponto da estrada chamado Muru-Muru,  com
umas casinhas, um bar e um ''hotel''. Quando entramos no quarto vimos que
não tinha camas. Estranhamos e fomos nos informar com o proprietário, que
nos disse que ali só dormiam em rede e eram poucos os que usavam camas. Ok,
dormimos no chão mesmo. Pagando R$ 5.00 pela estadia, queríamos mais o que?!

Antes de voltar para Santarém fomos conhecer alguns lugares pouco conhecidos
como Oriximina e Obidos, cidades onde dali para frente não existe mais
estrada, diríamos que se seguir reto cairia no oceano. Em Obidos visitamos
um forte construído pelos portugueses para não deixar chegarem navios
estrangeiros naquela região e também algumas construções coloniais.


Foto: Idilio Vieira
Forte da cidade de Óbidos.


Na volta de Óbidos para Santarém conhecemos o Sr. Boca Rica, garimpeiro da
região que nos contou que a medida que ganhavam dinheiro colocavam dentes de
ouro, o que significava status. Mas com o tempo ele perdeu sua fortuna com o
jogo e bebidas.


Foto: Idilio Vieira
Sr. Boca Rica.


De Santarém fomos para o nosso último destino que era Alter do Chão, lugar
pequeno, mas de imensa beleza. Lá demos um relax da longa estrada e ficamos
contemplando as lindas praias de água doce.


Foto: Idilio Vieira
Região de Alter do Chão.


Para os mais curiosos aqui vão alguns números desta viagem: rodamos 8000km de asfalto, 4000km de terra, na Transamazônica e cruzamos os estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Amazonas, Pará, Maranhão e Tocantins, tudo isso em 30 dias de estrada.

Confira mais fotos desta expedição em nosso FLICKR clicando aqui.


Texto: Artur Vieira e Renata Oliveira.         
17/7/2009
Chapada das Mesas - MA

No mês de julho foi organizada, aqui no Quioscão, a exposição de fotos da Chapada das Mesas, um lugar maravilhoso no sul do Maranhão, fronteira com Tocantins, onde encontramos cachoeiras, canyons, rios com águas cristalinas, trilhas e serras. E a chapada, é claro!

O nome Chapada das Mesas presta homenagem ao conjunto de formações típicas das chapadas compostas pelo Morro do Chapéu, Três Marias e Morro do Portal, que lado a lado são como mesas e podem ser avistados de longe.


Um dos morros caracteristicos da Chapada das Mesas.
Foto: Idilio Vieira


Nosso pouso foi na cidade de Carolina, uma pequena localidade com ares de interior, inclusive com algumas construções em estilo colonial. De Carolina partimos para explorar o que a Chapada tem de melhor, a começar pelo Santuário Ecológico da Pedra Caída.

O caminho para chegar até lá é penoso. Desde o asfalto judiado até as trilhas em meio a corredores entre paredões rochosos, pedras escorregadias, e um trecho em que atravessamos com água acima da cintura. Mas valeu a pena, pois nos deparamos com uma incrível queda d'água com 46m de altura.


Santuário
Foto: Idilio Vieira

 
Foi bem difícil fazer as fotos, pois a força da queda d'água comprimida na gruta forma um poço de águas revoltosas, com respingos que confundiam o foco da câmera.

Conhecemos também a CACHOEIRA DO ITAPECURU ou DAS GÊMEAS, duas quedas d'água que formam uma enorme piscina natural com rochas que a circundam, praias e pequenas ilhas.


Cachoeira das Gêmeas
Foto: Idilio Vieira


Voltando para terra firme, um dos grandes atrativos da Chapada das Mesas são, sem dúvida, as formações rochosas. Dentre elas destacamos a Pedra Furada, uma curiosa formação que traz o mapa do Tocantins num gigante orifício que atravessa a rocha. Conseguimos a luz perfeita do entardecer que tornou a pedra dourada. Há também uma rocha alta, em forma de pino, que desponta sobre a planície da região.


Pedra Furada
Foto: Idilio Vieira

Fomos também ao Poço Azul, uma piscina natural de águas profundas, porém, cristalinas de cor azul-fantástico, ótima para banho. Para chegar até o local percorremos 97km de asfalto esburacado e 28km em estrada de terra, em meio ao cerrado.  O trecho é cheio de areiões, com facões profundos onde é preciso um 4X4. Fizemos um trekking e assistimos à revoada de dezenas de muriçocas.


Poço Azul
Foto: Idilio Vieira


Seguimos viagem para a CACHOEIRA DE SANTA BÁRBARA, com queda d'água de 76m. No caminho tivemos um problema com o suporte do amortecedor dianteiro e do filtro de ar... por isso a primeira coisa que fizemos no dia seguinte foi ir à oficina!


Cachoeira de Santa Barbara
Foto: Idilio Vieira

O dono da oficina - e o então Prefeito da cidade de Filadélfia - Sr. Pedro Pipes, pessoa muito simples, nos cedeu, sem custo nenhum, seus funcionários para arrumar a Land. Duas horas de conserto e estávamos prontos para seguir viagem.

A Chapada das Mesas é recheada de cachoeiras, como a do Rio Farinha, a de São Romão, a Cachoeira da Prata, da Mancinha, do Capelão e do Garrote, mas todas de difícil acesso, seja caminhando ou por estradas que exigem muita habilidade e concentração do motorista. Em outras palavras, é aventura na certa!

Destaque para as Cachoeiras do Rio Farinha, localizada em São Romão, afluente do Rio Tocantins, que estão sendo ameaçadas pela construção de uma hidrelétrica. De lá andamos mais 30km de asfalto e 90km de estrada de terra até a Cachoeira de São Romão, uma queda d'água lindíssima e volumosa com bela praia para um banho refrescante.


Cachoeira de São Romão
Foto: Idilio Vieira


Ao final fizemos alguns passeios culturais. Visitamos uma fazenda auto-sustentável com um pequeno engenho, onde provamos uma cachaça deliciosa.  Depois fomos visitar um personagem da história de Carolina, um dos moradores mais antigos, o Sr. Enésio, com 106 anos. Gente muito simples, vive em seu sítio em harmonia com a natureza com vários animais. Ganhamos várias frutas que colhemos nós mesmos para nosso almoço na estrada.


Sr. Enésio, 106.
Foto: Idilio Vieira



Representantes do turismo do Maranhão, especialmente da Chapada das Mesas, estiveram em São Paulo no último Salão do Turismo 2009, no Anhembi, e deixaram conosco vário informativos sobre Carolina e seus encantos naturais. Como já estivemos lá algumas vezes, também somos fonte de informação caso queiram conhecer mais sobre esse lugar deslumbrante.

Esperamos sua visita em nossa exposição!

Confira mais fotos da Chapada das Mesas em nosso FLICKR!

Texto: Rosalia Russo e Renata Oliveira

7/7/2009
Cordon del Plata - Argentina
Por: Artur Vieira

Cordon del Plata é um cordão de montanhas localizado na província de Mendoza - Argentina, ótimo lugar para quem está começando em alta-montanha. Lá tem várias montanhas para fazer cume, desde 3500m até 6100m.


Cerro Plata, 6100m.
Foto: Artur Vieira

A preparação para essa viagem foi diferente de qualquer outra, tivemos que correr atrás de equipamentos para frio extremo. Chegando a Mendonza, nos abastecemos de comida e seguimos para a montanha.

O mais legal do Cordon del Plata é que não é uma montanha tão cara e popular como o Aconcagua. Lá não paga permisso para entrar e é muito mais vazio, o que faz do Cordon um destino tranqüilo, de caminhos limpos, sem rastro de turistas.
 
Para chegar à base da montanha siga pela Ruta 7, rodovia internacional que vai ao Chile. Após 50km, chegando em Potrerillos, pegue à direita em uma estrada de asfalto que logo vira ripio e sobe fazendo zigue-zague até o Refugio Ski & Montaña.

Chegamos ao refúgio (2700m) na parte da tarde. Decidimos descansar e começar nossa odisséia no dia seguinte. A previsão era de tempo bom e começamos o trekking às 7h da manhã. Levamos um susto com o visual que a cada passo ficava mais lindo! Nosso objetivo nesse primeiro dia era chegar aos 3500m.


Amanhecer em Piedra Grande, 3500m.
Foto: Artur Vieira

Já nesse estágio, quando passamos dos 3000m, começamos o processo de aclimatação (clique aqui e leia mais sobre aclimatação). O corpo já não funciona direito e qualquer caminhada é um desafio. Terminamos de montar a barraca minutos antes da chuva e da neve.

No dia seguinte o objetivo era passear até os 4200m para aclimatar. Acordei bem cedo para fotografar o nascer do sol iluminando todo o vale. Deixamos a bagagem pesada no acampamento e levamos só o necessário: água, comida e, claro, todo o equipamento fotográfico! Chegamos até 4050m.


Cerro Vallecitos e Cerro Rincon.
Foto: Artur Vieira

No outro dia começamos a caminhar um pouco mais tarde, pois tínhamos que esperar secar a barraca. Tomamos um café bem reforçado e começamos a caminhada por volta das 9h da manhã. Foi um dia bem difícil com subidas fortes e bastante vento.


Subindo para o acampamento Salto de Agua.
Foto: Artur Vieira

Enfim chegamos, no final da tarde, no acampamento Salto de Água (4200m). Fomos logo montar a barraca, pois o sol já estava caindo e ventava demais. O vento não dava trégua e eu nunca tinha estado em uma situação como essa, dentro da barraca a temperatura era -5°C!


Nevando em El Salto, às 16h.
Foto: Artur Vieira

Na nossa última noite no Salto de Água nevou bastante, mas não ventou tanto. A temperatura chegou á -15ºC. No dia seguinte subiríamos até 4600m, no acampamento de La Hoyada, onde venta muito. Fomos devagar, pois o trajeto era curto. Tivemos uma vista linda do C. Rincon e do C. Vallecitos, nosso objetivo final.


Acampamento avançado, 4600m, C. Rincon ao fundo.
Foto: Artur Vieira

Na ultima mannhã de ascensão, as 6h, ventava muito e o frio era insuportável. Caminhamos 30 minutos e não agüentamos, voltamos para a barraca. Como sempre, eu atrás de uma bela foto, fiquei para fotografar e quase congelo os dedos. A máquina pifou duas vezes... Nem ela estava agüentando.


Primeiro trecho da camianhada e ponto onde optamos por voltar e recomeçar depois.
Foto: Artur Vieira

Horas depois recomeçamos nossa caminhada para o C. Vallecitos, com subidas íngremes logo no começo. Chegamos num lugar conhecido como Portezuelo ou também Túnel do Vento. Lugar ótimo para fotos: à esquerda o Cerro Plata, à direita C. Vallecitos e no meio bem ao fundo o Aconcagua.


Em portezuelo e Aconcagua ao fundo.
Foto: Artur Vieira

Chegamos ao cume do Vallecitos por volta das 15h, horário não muito apropriado, pois o tempo fechou e começou a ventar bastante. A descida foi difícil. Ventava e nevava muito, o caminho tinha sumido em meio a neve e voltamos nos guiando pelo GPS, que foi bem útil nesta hora.


Cume do C. Vallecitos, 5478m.
Foto: Artur Vieira

Descemos em 1 dia o que levamos 6 para subir. Mesmo assim, a descida foi super difícil, pois pegamos uma chuva torrencial até o refúgio. Com certeza foi o pior dia.

Após essa aventura na montanha eu só queria descansar e curtir os confortos da minha casa... Mas agora que já estou aquecido e alimentado, é hora de pensar na próxima!

Confira mais fotos dessa trip em nosso flickr.


7/7/2009
Bananal - SP

Recentemente nós nos re-encontramos, e nos re-encantamos com a cidade de Bananal, município paulista com cerca de 10 mil habitantes localizada no coração da Serra da Bocaina. Apesar de todo o marketing turístico da Serra da Bocaina recair sobre a cidade de São José do Barreiro, onde fica a entrada oficial para o Parque Nacional da Serra da Bocaina, Bananal conquista adeptos pela tranquilidade e, claro, pelas paisagens exuberantes. A cidade fica encravada num vale, rodeada de montanhas e também de belos casarões coloniais de mais de 100 anos.


Foto: Idilio Vieira
Antiga Escola.


Estivemos lá na Páscoa e tentamos atingir um dos pontos turísticos de Bananal, a Pedra do Frade. No entanto, por força do mau tempo, não foi possível completar a travessia. O normal seria chegar à Pedra após um dia inteiro de caminhada, acampar no cume, e voltar no outro dia. Por isso, para não perder o passeio, acampamos no meio do caminho com uma vista do vale encoberto pela neblina.


Foto: Idilio Vieira
Pedra do Frade vista do mirante do Bracuí.



Foto: Artur Vieira
Acampamento no vale.

No trajeto até lá somos a todo tempo surpreendidos por cachoeiras e paredões de rochas, emoldurados pelo bonito céu azul típico do outuno.


Foto: Idilio Vieira

Cachoeira vista da serra que vai ao sertão.

Outro lugar que vale a pena conhecer é a Estação Ecológica e a Cachoeira Sete Quedas. Lá do parque temos acesso às duas últimas quedas, muito fotogências e de águas geladas de doer! Ainda lá em cima, no topo do sertão, há um trilha que fizemos em 40 minutos de caminhada e chegamos à cachoeira do Bracuí, onde fomos supreendidos com uma bela paisagem de Angra do Reis.


Foto: Artur Vieira
Parte alta da cachoeira.


Foto: Idilio Vieira
Vista de Angra dos Reis pela cachoeira do Bracuí.



Foto: Idilio Vieira
Cachoeira do Bracuí.


Para chegar em Bananal o caminho é a via Dutra, sentido Rio de Janeiro, e daí há duas opções. Ou seguir pela Dutra até o km 273, entrando no estado do Rio de Janeiro, acessando a SP 64 até Bananal; ou entra no km 9, ainda no estado de São Paulo, na cidade de Queluz, e chega até Bananal pela Rodovia dos Tropeiros (SP 68), um caminho bem sinuoso mas interessante, pois passa dentro das cidades de Areias, São José do Barreiro e Arapeí.
 
No feriado de Corpus Christi, no último dia 11 de junho, a cidade se enfeitou toda com os tradicionais tapetes artesanais que cobrem as ruas. Como a maioria da população é católica, todos acordam cedo e juntos montam os tapetes e as passarelas que unem todos os trabalhos, formando uma grande obra coletiva. Merece destaque o tapete da Dona Dora, uma elegante senhora de 88 anos que há 54 anos faz o tapete. O curioso é que pegamos chuva durante toda a viagem. Aí quando perguntamos a Dona Dora se ela não tem medo de chover no dia e ela riu, disse que NUNCA choveu, pelo menos nos últimos 54 anos.



Foto: Renata Oliveira
D. Dora e família.
 
Bananal também abriga a mais antiga farmácia em funcionamento do Brasil, com um acervo de fórmulas datadas do século XIX e outros objetos da época. Vale a pena a visita e conversar com o Plínio, o orgulhoso proprietário.


Foto: Idilio Vieira
A entrada da antiga Pharmacia.

Pra quem gosta de cultura, natureza, aventura, história e boa comida, Bananal é um prato cheio! Por falar em prato cheio, para quem está de dieta Bananal não é o local mais indicado... a comida é farta, boa e barata! Sem contar os doces, com destaque para a goiabada cascão feita em tacho de cobre pela Dona Ivete, no Km 12 da SP 247 - estrada que sobe para o sertão. No final da 247 também tem uma criação de truta, o que faz deste prato uma barata e deliciosa opção.
 
Deu fome?! Bóra comer no Quioscão!

Veja mais fotos no FLICKR do Quioscão!


Texto: Renata Oliveira
7/7/2009
Bivaque no Baú

A Pedra do Baú, localizada em São Bento do Sapucaí - SP, é destino das mais variadas tribos com sede de aventura. O visual é incrível tanto de fora como de cima dela. Em outras palavras, o passeio também vale a pena para quem quiser só chegar perto, sem se arriscar em subir os 600 degraus da via ferrata, formada de grampos fixados na rocha há 50 anos atrás...Nós encaramos o desafio completo!


Foto: Artur Vieira
Complexo do Baú.


Tão completo que resolvemos, inclusive, bivacar lá no alto. Para quem não é muito adepto dos "termos técnicos" do montanhismo, bivacar é um acampamento improvisado, sem barraca. Você aproveita a estrutura que a própria natureza te oferece, como uma rocha ou uma árvore das grandes para te abrigar do vento e da chuva. Com isso também aplicamos a filosofia do MÍNIMO IMPACTO, ou seja, alteramos o ambiente o menos possível.

Levamos nossos sleeps, fogareiro, corta-vento, tocas, luvas e, claro, as câmeras fotográficas e de vídeo para registrar TUDO!


Foto: Artur Vieira
Local onde bivacamos.


Para chegar em São Bento do Sapucaí a partir de São Paulo, o melhor caminho:
Seguir a Ayrton Senna/Carvalho Pinto (SP-070) e pegar a Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro (SP-123) no km 117 da Dutra. A Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro continua em Minas Gerais como MG-173. É uma cidade linda, margeada pela beleza incrível da Pedra do Baú e das suas irmãs menores: o Baúzinho e a Ana Chata.


Foto: Artur Vieira
Ana Chata vista da face norte do Baú.


O percurso até o Baú é uma caminhada pesada de 1h15 de subida mesmo, sem folga. Mas dá pra qualquer um fazer, basta ter um pouco de fôlego, boa vontade e nada de pressa! Já para alcançar o topo da Baú é preciso encarar a via ferrata ou subir escalando. Pode parecer simples, mas qualquer olhadinha para baixo pode te desconcentrar e para perder o equilíbrio é fácil. Cuidado!


Foto: Artur Vieira
Renata na via ferrata da face norte.


Lá em cima a vista é deslumbrante! Chegamos às 14hs, buscamos um lugar tranqüilo para o bivaque e optamos em ficar na parte sul da pedra. Da nossa "janela" da direita teríamos a vista do pôr-do-sol e da Ana Chata, e na "varanda" da esquerda, seriamos acordados pelo nascer do sol. Perfeito!


Foto: Artur Vieira
Por do Sol de cima do Baú.



Foto: Artur Vieira
Ana Chata no entardecer.



Foto: Artur Vieira
Nascer do sol.


Depois do jantar super caprichado (um farfale com molho de tomate fresco e bacon), lá pelas 19h30, o frio veio com tudo e tivemos que nos recolher para dentro dos sleeps. Durante o dia tivemos 13°C. Mas quando o sol foi embora, a temperatura caiu ligeiro, junto com ele. Resultado: 4°C na madrugada! Bom, na verdade, era o que podíamos esperar das primeiras horas do inverno brasileiro.


Foto: Artur Vieira
Renata e Artur na hora do jantar.


A noite foi bem tranqüila. Às vezes acordávamos com o desconforto da Pedra...mas era só olhar para o céu estrelado que a dança das estrelas cadentes fazia o sono voltar. Foi incrível!

A Pedra do Baú e suas companheiras (Bauzinho e Ana Chata) têm algumas vias de escalada, por isso é tradicional ver o pessoal pendurado na rocha por lá. Proximo do Bauzinho também tem uma rampa de vôo livre. Lá do Baú temos uma vista sensacional da galera decolando e voando...


Foto: Artur Vieira
Um dos vários gliders vistos do Baú.


Podemos dizer que nossa trip foi um perrengue devidamente calculado e controlado. São aventuras como essas que deixam histórias pra contar. Imagine se entrássemos dentro de um carro com destino a Campos do  Jordão curtir o frio, numa pousada com lareira, comendo fondue? Que historia teríamos para contar aos nossos filhos?
Esse é o ponto!

Bivaque no Baú: RECOMENDADO!

Confira mais fotos dessa trip.

Cnfira o video de nossa cozinha na montanha.

Texto: Renata Oliveira
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